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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O doce mistério do amor.




Qual é o mistério da rosa?
Qual  é o mistério da cruz?
Qual é o mistério das trevas?
Qual é o mistério da Luz?

Viajor por que perguntas tua alma?
Sempre e insistentemente?
Esquece a dor do passado
E venha viver o presente.

Vajor eu sou teu guia.
Segues tranqüilo o teu caminho.
Dê ode a alegria;
Lute com força contra os espinhos.

O mistério que procuras,
É encontrado  com dor;
Vence tuas amarguras;
E viva a força do amor.

Viajor eu sou tua rosa;
Nas dores, sou teus espinhos;
Nas horas mais escuras e dolorosas;
Eu sou a luz do teu caminho.

Viajor não temas a morte;
Ela libertação.
Serás por uma grande sorte;
Livrar-te de tal prisão.

Não importa a dor da morte;
Não importa o executor;
Receba a tua sorte;
Com o coração cheio de amor.






terça-feira, 30 de agosto de 2011

Vivo em ti.



Hoje é teu dia, tua vida, teu momento.
Eu , porém nem sei onde estás.
Que eu sinta todos os teus sentimentos
Como a brisa suave sente as ondas do mar.

No meu ser, tudo é querer de contigo estar.
Na matéria do meu corpo, meus desejos trazem dor;
Meus sentimentos balançam como a onda do mar;
Minha alma, como barco perdido, se revolve em dor.

A saudade é tão forte, difícil de descrever;
Como forte é o amor que não deixa a alma soçobrar;
Em toda esta contradição é que é preciso viver;
Na doce e sólida esperança que vale a pena te amar.

Amada, amada minha!! Que posso dizer-lhe agora?
A minha alma está contigo em todos os teus momentos;
Tuas dores são sempre as minhas, sentidas na mesma hora;
A força que me mantém vem dos teus pensamentos.

Querida, querida minha que com força a terra lavra;
E cuidas do teu jardim como mãe que um filho amamenta.
Toda força que eu tenho é que vem de tuas palavras;
Vem de ti os nutrientes que minha alma alimenta.

Vives, vives querida minha, com força do teu coração.
E como uma rosa perfuma este mundo desumano;
Pois minha vontade fortalece com a energia de tua ação...
E meus braços lutam forte por um mundo mais humano.

Que a vida lhe seja pródiga e os anos generosos;
E como uma rosa divina seja mais bela que a cruz.
Que sejas sempre mais forte que os espinhos dolorosos.
E que receba as bênçãos de vida, amor e luz.




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Paródia - Depois de algum tempo



Depois de algum tempo descobri que ser justo, não significa perdoar, e que para plantar um jardim cheio de rosas é preciso ter coragem para se ver as próprias mãos sangrando com os espinhos.
Descobri que pior que não ter amigos é não ter inimigos, e, que muitos que pensamos ser nossos amigos, apenas procuram ficar perto de nós para tentar tomar o nosso lugar.
Descobri que a inveja é o mal terrível da humanidade, e, que aqueles que vivem dizendo que sou louco, desequilibrado e tantos outros adjetivos impublicáveis, são os mesmos que dia e noite tentam entender minha forma de caminhar, com o único intuito de tentar ser igual a mim.
Descobri que as pessoas gostam muito de querer estar no lugar das outras, quando estas estão no paraíso, mas jamais, desejam estar sequer perto delas, quando as mesmas estão no inferno.
Descobri que a maioria dos elogios não são sinceros e sim bajulações, e, que a maioria das críticas é apenas fruto da inveja, do despeito e do ressentimento.
Descobri que muitas pessoas confundem coração bom com coração Bobo, e, que em sua maldade muitas vezes acreditam piamente que estão enganando a todos, quando na verdade já não enganam a mais ninguém.
Descobri que se a Justiça humana falha, a justiça Cósmica Universal jamais falha, e que tudo que fazemos um dia volta pra nós, as vezes de forma multiplicada e com uma força incomensurável.
Descobri que se as coisas fáceis pode, às vezes, serem as coisas certas, na maioria das vezes as coisas certas de se fazer não são fáceis, mas que é muito melhor fazer as coisas certas que as coisas fáceis, pois as primeiras não variam de resultados.
Descobri que nunca é tarde para se fazer as coisas certas. Aprendi que crianças são anjos de Deus em miniatura, e, o que fazemos a Elas é a Deus mesmo que fazemos.
Aprendi que informação não é sinônimo de conhecimento, e que conhecimento não é sinônimo de sabedoria; que o sábio só fala quando se tem algo a dizer, e, que o tolo fala por que está sempre querendo dizer algo.
Aprendi que se devem deixar as coisas acontecer, pois a vida é cíclica e a natureza tem suas próprias estações.
Aprendi que coração valente não é coração cheio de ódio e de vingança, mas um coração capaz de sangra por um amor e pela própria honra.
Aprendi que em essência tudo é unidade, e que não existe ilusão neste mundo. Este mundo é a própria Ilusão.

Ruas vazias




Gosto de caminhar por ruas vazias. Ruas e avenidas vazias são sempre ruas e avenidas vazias. E é totalmente diferente de uma estrada deserta que corta as matas sob a escuridão da noite, a luz do luar ou a força do calor do sol. Ruas vazias são sempre ruas vazias. Ruas vazias só se encontra nas cidades, e, portanto, as ruas vazias estão sempre cercadas por prédios, casas, praças, e vielas com seus becos escuros e malcheirosos.
Ao caminhar por ruas vazias é possível sentir o poder que elas possuem quando os transeuntes estão ativos no calor do dia. Ali, está a rua, orgulhosa, dona de si, consciente de que sem ela não existe ir e vir. Sabe ela que todos estão dependentes dela e que todas as vidas que existem na cidade precisa transitar por ela. Cada rua luta por sua importância, por seu espaço, por sua existência. Ruas, avenidas, vielas, algumas sem saída, como é sem saída alguns aspectos da vida.
Quando chega a noite e todos se recolhem em suas casas, todas as ruas ficam vazias, desde a mais importante das ruas, a mais in-significativa das vielas. Quando caminhamos pelas ruas vazias sob o olhar da lua é que vemos o quanto pode ser pequeno se apegar ao fato de tantas pessoas dependerem da gente. Na noite, enquanto as ruas estão vazias o mundo ao redor adormece. Nas calçadas, nas casas, nos apartamentos. Nem mesmo os bichos ousam ficar caminhando, mesmo nas noites enluaradas. Nas noites, a ruas ficam vazias.
Quando chove as ruas vazias são possuídas de ainda mais tristeza. A água que corre carrega consigo o lixo deixado pelos transeuntes e quase nada interrompe o barulho da canção solitária que toca para quase ninguém ouvir. As águas que caem encontram apenas o vazio da noite. Aliás, quando chove, mesmo sob a luz do sol as ruas ficam vazias. Todos fogem para algum lugar a se proteger do inesperado. A chuva, como a escuridão, faz com que as ruas fiquem vazias.
Ruas vazias parecem para uma metáfora do poder temporal. É assim a vida dos homens que lidam com o poder dia após dia. Como as ruas estão com suas agendas lotadas, quase sempre sem tempo para os entes queridos e muitas vezes impedindo que nasça alguma relva ao seu redor. Quando chega a noite, quando a escuridão invadem suas vidas, ficam vazios. Quando a tempestade cai, quando o vento mais forte sopra todos desaparecem, a agenda desaparece, o telefone não toca mais. Homens e poder são como ruas, avenidas,e vielas. Todos de alguma forma pensam possuir alguma importância até a hora que a noite chega, o vento sopra ou cai uma tempestade.
A grande alegria é que o vento passa, a tempestade acaba, a escuridão se esvai e  o sol volta a brilhar. E volta tudo de novo, e recomeça a mesma rotina. A agenda, os transeuntes, a gritaria, o senso de importância anônima que muitas vezes impede nascer a grama, o trigo ou a flor que possa abrilhantar a vida. Ruas vazias, avenidas vazias, vielas vazias, vidas vazias. Nenhum poder tem sentido quando a escuridão da noite é capaz de transforma em uma rua vazia.

Pensamentos, Reflexões e devaneios: Tomo meu destino nas minhas mãos.

Pensamentos, Reflexões e devaneios: Tomo meu destino nas minhas mãos.: Tomo meu destino em minhas mãos. Nada haverá de me deter na luta pelos meu sonhos. Nada será maior que o meu coração. Ninguém mais verá m...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Buemba!! Tem aluno que aprende na Escola Pública



Fizeram uma nova pesquisa. Uma parceria entre Instituições respeitadíssimas[1], portanto, difícil alguém fazer alguma suspeita. Foi então que descobriram aquilo que todo mundo já sabia. A diferença é que, segundo eles, agora está tudo demonstrado, medido, calculado, pesado e tirado prova por mais uma vez. Afinal, foi feito uma prova de nome ABC. Quando vi a sigla pensei que o objetivo era saber se os estudantes  brasileiros terminavam o Ensino Médio sabendo o ABC; não, não é. É apenas uma sigla que significa “Avaliação Brasileira do final do Ciclo de Alfabetização”.
O ciclo brasileiro de alfabetização, diz-se do tempo que o aluno precisa estar na escola para considerar que já é possível ter aprendido ler, escrever e contar. Então este ciclo atualmente, foi definido ( não me pergunte por quem e nem os critéiros), incluindo a Educação Infantil e os três primeiros anos do Ensino Fundamental. Logo, para quem definiu tais critérios  trata-se de estudantes na faixa etária de 09 a 12 anos. Isso considerando que os de 09 anos são aqueles que tiveram sucesso, e ou de 12 anos, considerando a média de reprovação atual da escola brasileira.
Então veja só. Esta nobre pesquisa descobriu que milagres é possível de acontecer. Tem alunos aprendendo na escola pública brasileira. E olha, que é muita gente, pois em algumas regiões o percentual chega a quase 50 %. Imagine, 50 % dos alunos que estudam em escolas caindo aos pedaços, com professores mal remunerados, constrangidos, alunos estes que na maioria vivem passando fome; isso e mais que um milagre e merece comemoração. Os brasileiros não desistem nunca mesmo.

As descobertas.

A grande descoberta e a mais chocante é que em média mais de 60% dos brasileiros que estudam na rede pública não conseguem aprender a ler, tão pouco a escrever. Em um estado em que nosso  Príncipe Secretário ( Ops, Thiago Peixoto), brinca de educador, divulgando IDEB nas portas das Escolas, deixando de pagar o piso nacional aos professores; e reforçando as políticas do par de botinas; é material que exige reflexão. Outro dado também chama a atenção: nas escolas particulares, em média 25 % dos estudantes saem sem saber ler ou escrever. Este segundo dado,  eu considero mais cruel que o primeiro, por uma simples razão: no primeiro dado, referente as escolas públicas, são crianças que se alimentam mal, não tem livros, não tem acesso a cultura; no segundo, é gente que não aprende por que a escola não ensina mesmo. E pior, eles estão comprando um produto caro e não estão levando.
No reino imaginário do Estado de Goiás, nosso sábio governante, quando Deputado quis piorar o segundo dado. Aprovou lei liberando o numero de alunos por sala nas faculdades particulares. Um absurdo, todos sabemos. É que nosso magnífico líder não entende de educação, vive da vaidade, do orgulho e dos holofotes, na verdade, não entende nem mesmo de desenvolvimento econômico, pois se pensa que é possível desenvolvimento econômico sem educação de qualidade não aprendeu nada de economia.
Nos dados da pesquisa divulgada na Revista Época, e no site do UOL e na Folha[2] consta que o problema é mesmo geral, mas é bem pior no norte e no nordeste do país. Nestas duas regiões a quantidade de analfabetos detectados pela pesquisa chega a quase 80 %.  Minha mãe diria, - ué filho, é quase todo mundo. Na leitura, 43 % dos alunos não são capazes de encontrar informações em um texto escrito. 48% dos alunos não conseguiram alcançar o esperado em matemática. Na rede pública 51,4 % dos alunos não conseguiram alcançar o esperado na leitura, e na escola privada, não ficou muito diferente. O interessante é que se percebe que a escola pública vai mal, o que não pode ser novidade para ninguém afinal ninguém que estuda em escola caindo aos pedaços, com fome, sem livros, com professores mal remunerados e constrangidos até, pode aprender alguma coisa; a escola privada não vai bem, aliás, vai muito, mas muito mal.

As soluções dos sábios governantes.

Em Goiás, algumas soluções devem resolver logo o problema de leitura, escrita e matemática. A primeira medida tomada foi colocar o IDEB na porta da Escola. Para quem não sabe, o IDEB é uma outra avaliação que já vem detectando o péssimo estado das escolas públicas há anos, mas só agora, um sábio descobriu que se divulgar o IDEB na porta da escola todo o problema da educação estará resolvido. Não está preocupado em pagar o piso dos professores, aliás, que piso? Deveria estar preocupado em pagar um salário digno de viver, pois mesmo o piso nacional é uma vergonha, e inaceitável que os educadores estejam lutando por tal piso, deveriam estar lutando para pelo menos triplicar este piso.
Também não vejo preocupação com a formação dos professores. Caso houvesse deveríamos estar ouvindo de investimentos maciços na UEG – Universidade Estadual de Goiás; programas de formação continuada, licenças remuneradas para formação de pesquisadores para a rede básica e outras medidas sensatas. Também, não tenho ouvido falar de preocupação com a saúde dos trabalhadores em Educação. Pior, parece que o IPASGO, vai aumentar em 145 % a cobrança no plano de saúde dos familiares dependentes dos servidores públicos, aqui incluída a Educação.
Também não vejo nenhum programa de inserção cultural dos Educadores Goianos, tipo, cinema itinerante, acesso dos educadores à banda Larga, fortalecimento das bibliotecas escolares; inclusão no tempo de trabalho do professor de tempo para leitura e atualização cultural, etc. Não, não tenho visto nada disso. No reino imaginário do Estado de Goiás parece que tudo será resolvido por meio dos holofotes, das mídias, das noticias noticiosas que não traduzem em resultados na vida do cidadão.
Sabemos que existe a co-responsabilidade entre a União, os Estados e os Municípios, quanto a questão da Educação. No entanto, em um estado no qual todos os prefeitos são dependentes do Governador na política quanto na economia, não existe por que cobrar dos prefeitos. O problema é do Governador e da União, já que os primeiros vivem de pires nas mãos.

A verdadeira solução.

A educação brasileira vai  mudar quando o brasileiro tornar-se um cidadão. As famílias descobrirem que é interesse das classes dominantes manterem os pobres na ignorância, no analfabetismo, e que estes governos que estão ai governam apenas para os ricos. E não se trata de ser marxista, trata-se apenas de uma questão de justiça. O que está ocorrendo e sempre ocorreu no Brasil é que tira a vida e a força vital dos pobres para suprir a preguiça e a leniência dos ricos que não possuem nem um pendor para as virtudes. Infelizmente, no Brasil temos uma elite vaidosa, egoísta, e hipócrita. Não querem o crescimento do país, querem apenas refestelar sobre a vida sustentada pelo suor alheio.
Os estudantes que estão na Universidade, sobretudo aqueles que vieram da escola pública e que hoje pagam muitas vezes por uma faculdade de qualidade duvidosa é que podem mudar tal situação. Não aceitar para si, nem para os seus filhos, nada mais que uma educação de qualidade. Desconfiar dos saberes fáceis, dos diplomas quase gratuitos, dos discursos camaradas que insiste em dizer que a escola não ensina e sim a vida. Desconfiem dos mercenários do ensino, dos palhaços de circos travestidos de professores, dos ladrões disfarçados de empresários.
A solução definitiva é desconfiar de toda a informação fácil, de todo conhecimento simplificado, de tudo que não é complexo. Todas estas coisas não passam de senso comum, preconceito e ideologia que visa promover mudanças com o objetivo de nada mudarem. Thiago Peixoto na Educação em Goiás é isso. Muita mudança para nada mudar.


[1] Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais ( Inep) Fundação Cesgranrio; Fundação Montenegro/Ibope;
[2] Não encontrei a pesquisa na página do IBOPE e nem tão pouco na página do INEP;

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Por que nos matamos? Somos todos suicidas?



Há alguns dias tenho pensado em como escrever um texto sobre a vida, a morte, o suicídio. Confesso que tive dificuldade e esta é talvez a décima vez que sento em frente ao PC para começar a escrever. Então resolvi tentar pensar de forma fragmentada expondo aos poucos os motivos de tal empreitada e procurando não ser cansativo. Na verdade, fui afetado pela morte de um filho de colega de trabalho e ex aluna de poucos anos atrás. Diferente do que se pode esperar, tratava-se de um jovem de bons princípios, que acreditava nas leis, na justiça, em Deus e na vida. Então fica a pergunta: por que se matou?

Razão para falar sobre a morte

A morte como a vida está diante dos nossos olhos todos os dias. Todos os dias pessoas morrem e pessoas nascem. Nas ruas, acidentes de carros, motos, tragédias naturais, sempre existe em algum lugar do planeta em cada minuto da existência humana alguém morrendo, e por incrível que pareça alguém nascendo. Olhando assim, temos tantos motivos para falar da morte como teríamos para falar da vida. No entanto, existem algumas formas de morrer que nos chocam mais, deixa-nos mais afetados no ego, isso por que nos assombramos com o que o homem é, às vezes, capaz de fazer contra a vida. É assim, quando nos defrontamos com a guerra, o roubo seguido de morte, enfim, o suicídio.
O problema destes tipos de morte é que os vemos como fora do ciclo natural das coisas. Também nos afeta a morte de uma criança, para um pai a morte de um filho, pois parece ser a ordem natural das coisas que os pais morram antes dos filhos. Então, ao conviver com eventos que parecem fugir da ordem natural das coisas ficamos aturdidos. Entretanto parece ser necessário colocar isso que chamamos de “ordem natural” entre aspas. A chamada ordem natural não nos parece ser nada mais como sendo fruto de preconceitos construídos com base na ignorância dos homens. Na medida em que vamos crescendo em conhecimento muito do que antes nos parecia natural deixa de ser, e um exemplo disso é o nascer e o por do sol, a relação existente entre o sol e a terra, que muitos acreditaram até bem poucos séculos que era o sol que girava em torno da terra, pois os sentidos assim o indicava como sendo natural.
Então, na verdade, nossa reação diante da morte, ou nossas razões para falar sobre a morte, depende na verdade, do conhecimento que temos da vida, pois existem muitas formas de viver, e ainda, muitas formas de morrer. Já se disse e com muita propriedade que todos nós começamos a morrer assim que nascemos. Na verdade, a vida constitui uma luta contra a morte  desde o momento em que chegamos ao mundo.

A visão que temos da morte.

A morte é vista no ocidente como interrupção da vida. Assim, muito do que no oriente é considerado morte, como a falta de cuidado com o próprio corpo, por exemplo, no ocidente não é visto como mortificação. Em todos os casos e em todas as regiões do planeta a questão da morte está profundamente ligada as questões religiosas. No mundo judeu era proibido falar com os mortos, vide a situação de Saul que foi punido por Deus com a perda do reino por que consultou os mortos por meio de uma Pitonisa. Entre os gregos, era normal a existência de Pitonisas, embora as mesmas fossem relegadas como párias da sociedade.
No mundo atual e nas religiões atuais, é quase senso comum a admissão de vida após a morte. No cristianismo católico romano acredita-se que após a morte a alma do morto vai ou para o inferno, ou para o purgatório, ou para o céu. O inferno é reservado aos incorrigíveis. O purgatório é para aqueles que embora não tenham tido uma vida digna do paraíso pelo mérito das orações dos seus queridos ou da santa Igreja, recebem uma segunda oportunidade.
No cristianismo Protestante ou Evangélico ( o que é uma redundância, por que todo cristianismo é evangélico, uma vez que as boas novas  foram trazidas por cristo e estão escritas nos Evangelhos), a morte é vista como interrupção da vida que pode ser retomada com o encontro com o salvador no Juízo final. Com poucas diferenças entre umas e outras denominações, no geral, todas preconizam que haverá um juízo final onde os justos herdarão o paraíso.
Uma nova forma de cristianismo e denominado Cristianismo Espiritista surgida no segundo milênio de nossa era, propagou uma nova forma de ver a morte. Segundo Kardec, seu fundador, e que afirma ter recebido a referida doutrina de espíritos evoluídos, o espiritismo se constitui com a revelação do Espírito Santo prometida nos evangelhos, e que representava um novo passo no processo de evolução da humanidade. Segunda esta doutrina, homens com dons especiais podem receber dos espíritos mensagens divinas,(os chamados médiuns desenvolvidos ou missionários), e que estas mensagens teriam como objetivo auxiliar os demais homens no caminho da evolução rumo ao bem. Para o Espiritismo Kardecista, a morte não é senão um processo de transição, onde a alma deixa o corpo material e prossegue sua jornada em outro plano de acordo com o merecimento.
A doutrina espírita retoma em novos moldes a doutrina da reencarnação ou a idéia de que a alma pode se reencarnar várias vezes nesta terra em corpos diferentes. Na morte o espírito apenas deixa o seu envoltório corporal, e, que a vida depois da morte é na verdade infinitamente mais rica que a vida no planeta terra ou na existência terrena. Veja, que a morte perde em muita sua importância, uma vez que deixa de ser algo definitivo e passa a ser apenas um portal entre duas dimensões de uma mesma existência.
Em todas as religiões e filosofias que admitem a reencarnação, a morte é vista quase sempre desta maneira: um portal entre duas dimensões. O desafio então, destas religiões é ensinar o homem a adquirir a consciência da vida, pois apenas a consciência absoluta da vida pode ensinar o homem a lidar com a morte, e, em outro instante levá-lo a evolução espiritual e ao contato com as esferas superiores. Enquanto não alcança este objetivo, o homem reencarna indefinidamente preso em seus próprios pensamentos, palavras e atos.
Em comum, em nenhuma desta formas de religião o suicídio é aprovado como instrumento para deter os sofrimentos da vida. No entanto, nas religiões reencarnacionistas o suicídio apenas retarda o processo evolutivo, pois ninguém está pré-destinado a danação eterna seja lá por qual crime for. No Kardecismo, os suicidas, assim como os impenitentes das mais variadas formas são lançados na escuridão chamado de umbral ou zonas umbralinas e inferiores onde padecem de sofrimentos terríveis até tomar consciências da necessidade evolutiva ou receber uma chance de reencarnar para vivenciar na terra oportunidades de evolução.
A ciência pouco trata da morte, e na filosofia diz-se que não é possível filosofar sobre a morte, pois o pensamento filosófico exige a consciência e uma vez que ninguém pode afirmar ter tido consciência da morte, ela está além das possibilidades da filosofia. Não podendo filosofar sobre a morte, não foram, no entanto, poucos os filósofos que ousaram pensar o transcendente, ou seja, aquilo que está para além da matéria, que pode ser chamado de espírito, imaterial e além da razão.
Na sociologia moderna, Emile Durkreim em sua obra o Suicídio, tratou do tema como sendo uma anomia social. Entendido aqui como um desequilíbrio da sociedade. No caso deste sociólogo o aumento dos suicídios em uma dada sociedade denuncia que a própria sociedade está doente, uma vez que os acontecimentos sociais estão ligados de forma orgânica e mecânica.
No moderno senso comum, o suicida é visto como alguém desestruturado, doente, marginalizado que não consegue se ajustar as regras sociais, e por isso, vive as angústias da culpa geradas pela covardia de se admitir desajustado da sociedade. Engraçado é que tal acepção está próxima da ciência pos-moderna que vê nas chamadas doenças da mente formas de desajustamento social.

Somos todos suicidas

Um jovem de bem, bons princípios que possuía uma visão mais ou menos consciente do que acima está explicitado sobre o suicídio, por que se mata? A resposta não é fácil de dar, no entanto, como alguém que conviveu com o jovem em questão arrisco a dizer que ele não puxou o gatilho sozinho. Talvez aqui esteja certo a sociologia moderna, e ao puxar o gatilho ele denunciou um mal latente na sociedade, um sinal de que todos estamos caminhando para o suicídio inevitável.
Vivemos em uma sociedade na qual tudo é passageiro demais. Um pensador afirmou em uma de suas obras que vivemos a época das coisas liquidas; outro afirma, que vivemos em uma época onde tudo que é sólido se desmancha no ar; outro ainda, afirma que vivemos um tempo de profundo relativismo de valores e culturas e que já  não existem mais verdades duradouras e universais.  O individualismo, a força, o interesse levaram o homem de nosso tempo a distanciar da humanidade que existe nele. Matamos o homem por que não nos reconhecemos nos outros homens e nos matamos por que já não temos mais consciência de que somos humanos.
A questão é quando nos matamos. Fazemos isso quando distanciamos de nossos semelhantes, dos nossos familiares, amigos e etc. Quando não somos mais capazes de nos comover com o sentimento alheio, com a dor alheia, por que a insensibilidade já tomou conta de todos nós. No mundo da informação não conseguimos pensar sobre nós, conhecer os sentimentos que existem em nós, e por isso, matamos o nosso poder pelo desejo de ter tudo que pulula a nossa  volta. Sim, somos todos suicidas. Os jovens que se matam não estão puxando o gatilhos sozinhos, estão fazendo com a nossa ajuda, quando já não somos mais gratos pela vida, quando somos hipócritas ao ponto de nos sentirmos como deuses; ao usar da deslealdade para saciar os nossos mais pérfidos desejos. Eis por que somos todos suicidas.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O complexo de Vira-lata e os Consultores dos Governantes de Goiás.



Vira-lata é o nome dado a cães que não possuem uma raça definida, segundo a enciclopédia livre da internet, Wikipédia. Os tais cães recebem estes nomes por que quando abandonados ficam vagando pelas ruas revirando as latas em busca de algo para matar a fome, diferente de cães de raças que caçam, atacam e matam para saciar a fome. A palavra complexo tem sua origem no pensamento freudiano, e diz respeito a um problema psicológico produzido pelas relações que diversos acontecimentos mantém entre si na mente do paciente.
A expressão complexo de vira-lata foi cunhada pelo autor Brasileiro Nelson Rodrigues. Diante da situação em que ficou o futebol brasileiro ao perder em pleno maracanã para a seleção do Paraguai, que segundo os historiadores, os jogadores brasileiros só foram se recuperar no ano de 1958; e, para alguns analistas, até  hoje, a seleção brasileira é vitima do medo da derrota quando joga no maracanã, especialmente se for contra o Paraguai. Os estudiosos, desde então, se debruçaram sobre este complexo de inferioridade que os brasileiros tem em relação a outras nações, embora seja um país com grandes feitos em todas as áreas.
Alguns estudos dizem que tal acepção vem de longe, coisa que não interessa discutir no curto espaço deste artigo, já que a intenção é cutucar  o complexo de inferioridade dos goianos. Importante este breve relato para mostrar que se temos um complexo de inferioridade em relação ao resto do pais, o complexo de vira-lata é uma coisa que está em toda nação brasileira. Eu me deparei pela primeira vez com o complexo de vira-lata quando recusei uma bolsa de estudos do Instituto Adventista de São Paulo. Naquela época todo goiano que saia do IABC – ( Instituto Adventista Brasil Central), tinha como sonho ir para São Paulo. Depois, recusei a tentativa de um amigo de conseguir uma bolsa para que eu fosse estudar nos Estados Unidos, México ou Argentina. Desta vez, muitos começaram a achar que eu era louco, e eu não era. Só não queria sair do meu Goiás.
Para piorar a situação voltei para minha cidadezinha no nordeste Goiano, e optei por fazer vestibular na faculdade mais próxima, a Universidade Estadual do Tocantins ( Unitins) em Arraias. Chegando lá, ao me apresentar no primeiro dia de aula comuniquei a todos que o meu objetivo era ser doutor em Educação. A sala inteira deu risadas, inclusive alguns professores. Para eles, era um pensamento de louco alguém estudar em arraias e pensar em ser doutor. No segundo ano eu consegui tornar-me pesquisador de iniciação científica do CNPQ ( Conselho Nacional de Pesquisa Científica), ainda assim, a maioria não acreditava que eu pudesse conseguir meus objetivos. Alguns aconselhavam a transferir para Palmas, Goiânia, para então, ai sim, conseguir continuar os estudos no mestrado ou doutorado.
Ao terminar o mestrado na UFG, ( Universidade Federal de Goiás), comuniquei a algumas pessoas que em breve eu tentaria o doutorado, mas que não tinha planos de sair de Goiás. Muitos disseram que fazer doutorado em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais seria uma forma de enriquecer o currículo. Eu não fui. Estou fazendo Doutorado na PUC – Goiás.  Mas o complexo de vira-lata não é apenas no campo científico. É em todas as áreas. No futebol, na política,  na educação, nos demais esportes. O goiano não acredita em seus pares, e quando vê um outro goiano se destacando logo começa a destratar de tal forma e a fazer piadas, que parece repetir a história de Carlos Chagas e o prêmio Nobel que ninguém recebeu em 1921.
Quando cheguei na Direção Central do Partido Comunista em Goiás, perguntaram-me em uma reunião quais eram minhas ambições políticas. Eu disse que queria ser presidente do Brasil. A grande maioria dos presentes deram boas gargalhadas, incluindo a então deputado Denise Carvalho, o na época Secretário de Ciência e Tecnologia, Gilvane Felipe, o vereador Fábio Tokarski, dentre outros. Duas pessoas ficaram em silêncio, e não descreram da possibilidade: Marcos Araújo e Adalberto Monteiro. Após a reunião disseram-me que a vida é feita de sonhos e de  homens que lutam por seus sonhos. O Adalberto ainda me disse que não importa onde eu quisesse chegar eu não deveria jamais se esquecer de onde era minha origem. E me apresentou um poeta que eu não conhecia até então: Pablo Neruda. Bom, apesar de todos os reveses da tentativa de iniciar uma carreira política, eu ainda quero ser governador de Goiás e presidente do Brasil.
Antes que o leitor pergunte, o que me fez falar mesmo do complexo de vira lata dos goianos, foi as vitórias dos nossos times nos campeonatos nacionais. Fico triste quando vejo goianos torcendo contra times goianos. Não se trata de bairrismo, trata-se de respeito próprio. Temos de nos respeitar, valorizar o que é nosso se quisermos ser valorizados. No campo da ciência, aqui não é diferente. Na academia, as pessoas faltam deixar escorrer baba pelo pescoço diante de um palestrante paulista, carioca, ou do sul, quando na maioria das vezes temos os nossos ilustres daqui que não são valorizados. É incrível a falta de respeito com que são tratados grandes doutores Goianos, como José Ternes, Ildeu Coelho, José Carlos Libâneo, e outros que são deixados no canto, mesmo conhecendo Goiás. Em vez de aproveitar o conhecimento rico que estes homens têm os governantes vão buscar consultores em outros estados, que na maioria das vezes aprenderam o assunto lendo alguns dos nossos goianos.
Eu não tenho complexo de vira-lata. E não quero sair do Meu Goiás. Não por bairrismo, mas não vejo necessidade nenhum de sair daqui. Tive várias oportunidades de sair, mas é aqui que quero ficar. Ajudar meu povo a crescer, vencer a pobreza, erradicar o analfabetismo, a fome, e, construir um lugar de paz para se viver. Eu acredito que podemos sim ser um estado forte, que podemos eleger um presidente da república que saída do governo de Goiás para o palácio do Planalto. Recentemente vi uma sugestão burra de que se o Marconi quiser dar vôos nacionais deve tentar governar outro estado – complexo de vira-lata. Não é saindo de Goiás que Marconi pode dar vôos maiores, é governando bem Goiás, valorizando seu povo, sua gente, enfim, tornando aqui um lugar melhor para viver.  No entanto, quanto aqueles que sonham com um goiano na presidência, não se preocupem: se o Marconi  não conseguir, eu conseguirei.  + Prontofalei.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os movimentos de Dilma e Lula que os analistas não viram




Uma das coisas mais engraçadas nos dez anos que observo a política são os erros cometidos por os chamados analistas. Na época de Fernando Henrique, muitos chegaram a acreditar e afirmar que o então presidente sairia do Palácio pelas portas do fundo, e, parte da oposição acreditou, parte da mídia embarcou, mas no fim o “Fora FHC”, não deu em nada. Nos tempos de Lula, por inúmeras vezes os analistas acreditaram que o Governo tinha chegado ao limite. A imprensa se uniu inteira em uma cruzada que no final fez aumentar a popularidade do presidente. No final do primeiro mandato, até mesmo o presidente chegou a duvidar de que seria reeleito.
No meio de tudo isso, o erro dos analistas são explicados pelo simples fato de que existem movimentos na política que passam despercebidos, e o seu teor e conteúdo não chega a ser público nunca. No tempo de Lula ocorreu um fato que a muitos passou despercebido: em outras histórias de corrupção quase sempre alguém acabava morrendo, ou desaparecendo da cena política; foi assim com Pedro Collor, o mesmo com os anões do Orçamento, Severino Cavalcanti, Sérgio Mota, dentre outros. No governo Lula ao se deparar com os escândalos foi feito um movimento sutil: primeiro, Lula assumiu que não sabia de nada e o Partido assumiu a responsabilidade de punir os culpados, antecipando o julgamento das urnas; Segundo, manteve os prováveis autores dos delitos em cena sob o pretexto do direito a presunção da inocência.
Tal movimento permitiu entrar em um debate com a oposição, e, ao garantir o direito de defesa ganhou tempo para tirar da oposição a autoridade de fazer acusações. Está nítido em minha memória, diversos discursos do presidente afirmando que a oposição não tinha autoridade moral e ética para acusar a ninguém do PT. Veja, o que estava em discussão não era mais se os envolvidos nas investigações eram culpados ou não, e sim, se aqueles que acusavam tinha ou não autoridade para tal. O sucesso de tal movimento foi tanto que calou a oposição, uma vez que toda a oposição se viu envolvida em esquemas parecidos, como o mensalão de Minas do PSDB, Mensalão do DEM de Brasília ( o único que acabou levando alguém de fato para a cadeia), e tantos outros escândalos espalhados pelo país. O que restou foram vozes solitárias de dissidentes do próprio PT como Heloisa Helena e outros, que afinal, foram massacrados pela máquina pública.
Agora, na crise que Dilma enfrenta, os analistas cometem novamente alguns erros ao não perceber os movimentos mais sutis.: 1. Acreditam que Dilma está rompendo com o modelo de governar montado por Lula; 2. Estimulam a chamada “faxina” na esperança de desestabilizar a base aliada; 3. Não percebem a importância que as cúpulas partidárias tem no processo de construção da maioria governista.
O primeiro ponto é o erro mais ingênuo. Não é verdade que Dilma rompe com o modelo de administrar de Lula, pelo contrário, ela amplia o leque de forças que permitirá ao PT concluir seu objetivo de ficar 30 anos no poder, na medida em que fortalece outros campos e tendências do Partido, despaulistizando a cúpula do poder em Brasília e mantendo, ao mesmo tempo, um forte diálogo futurista com o mesmo grupo. Lula, no PT, é identificado com o grupo majoritário, Dilma não. Ao fortalecer outras tendências, a presidente não enfraquece o campo majoritário, pelo contrário, fortalece o PT como todo, abrindo possibilidades de com outras tendências levar o Partido a assumir discursos, hoje monopólio do PSDB, PSB, PDT e PMDB. O resultado de tal movimento será sentido após as eleições de 2012, quando o PT será um partido ainda mais social democrata e menos dos trabalhadores.
O segundo movimento, de tão sutil, foi noticiado e não foi percebido. Na queda dos três primeiros ministros Dilma fortaleceu seu próprio núcleo de poder, e fortaleceu o PT; na queda de Vagner Rossi, Dilma estabeleceu um novo modus operandi de como lidar com os partidos políticos de sua base, começando pelo PMDB. Antes do Ministro cair, chamou no palácio todas as lideranças partidárias e, infelizmente não sabemos o teor da conversa, mas eu imagino que foi mais ou menos assim: Olha senhores, de agora em diante cuidem cada um do quintal de vocês. Se vocês não fizerem uma faxina em seus partidos, eu mesma farei. E é simples, não temos mais nenhuma alternativa a não ser diminuir o nível de corrupção no país. Ou seja, passou a bola da faxina para os presidentes dos partidos. O PMDB entendeu, e logo em seguida, Rossi se demite e o próprio partido encarrega de fazer a substituição, coisa que o PR não deu conta de fazer por  não ter um  comando unificado.
O terceiro movimento, é o mais interessante e ainda mais sutil, justamente pela pouca credibilidade que tem os partidos políticos. Dilma fortaleceu as cúpulas partidárias. Não funcionou com o PR, está funcionando com o PMDB, e vai funcionar com os demais por uma simples razão: hoje, o mandato é do partido e não dos parlamentares. Ao fortalecer as cúpulas partidárias, Dilma coloca em pratica uma regra de Sun Tzu – Conquiste os fracos e os fortaleça. Dilma está conquistando as instituições partidárias, e ao fortalecê-las fará delas parte do projeto do PT de modificar o modo de crescimento e de desenvolvimento do país. Além disso, Dilma retira de suas mãos a responsabilidade de fazer faxina ou se responsabilizar pelo desempenho, pois este passa a ficar nas mãos das cúpulas partidárias. Silenciosamente, ao forçar a saída do Partido da República da base aliada, a presidente enriqueceu o republicanismo brasileiro.
De outro lado, com tais movimentos, a presidente deixou a oposição ainda mais sem discurso, e sem vozes. Afinal, para onde irá o PR? Alguém da oposição Irã defendê-los? A presidente e seus aliados assumiram o discurso do combate a corrupção com um discurso que quando percebido pela população será tido como heróico – a capacidade de cortar na própria pele, de correr riscos pelo bem do país. Mas uma vez, erram os analistas e perde a oposição por olhar apenas o imediatismo. O lado bom é que ganha o país, logo a luta contra a corrupção será um caminho sem volta.

Não é crise financeira – é crise ética e moral, Amigos.



Não, não sou marxista. Na verdade não me denomino como nada. A única coisa que faço é tentar entender a realidade. Se para alcançar tal objetivo sou obrigado a estudar todas as correntes de pensamento e para tal, tenha que levar a vida inteira que seja. Não importa que óculos você use a realidade que está-ai será sempre a mesma realidade. Conhecimento verdadeiro será sempre conhecimento se for verdadeiro, por que se não for, não será conhecimento da realidade, portanto, não será mais conhecimento. Portanto não me chamem de nada. O desafio do momento é compreender as raízes da crise que varre o planeta e que na aparência tem sido identificada como crise financeira.
No oriente médio, assistimos as multidões sair as ruas em diversos países – Egito, Arábia Saudita; na Europa, a Grécia, Suiça; ou seja, em todos os cantos do mundo algo parece acontecer. Na terra do grande Irmão (EUA) os dois maiores partidos parecem se preparar para um embate que por esperado não acontece, e, não acontece por que no final ambos estão de acordo com o rumo das coisas. No Brasil, os dois grandes partidos PT (Partido dos Trabalhadores) e PSDB, ( Partido da Social democracia Brasileira), vivem as turras na aparência, quando na essência também parece concordar com os rumos que de delineiam aos nossos olhos. Então afinal o que mesmo pode estar acontecendo? Se os grandes partidos, grandes corporações, e as grandes Instituições parecem estar de acordo com os rumos que mesmo está insatisfeito?
Manuel Castells analisando os movimentos de jovens que ocuparam as praças da Espanha recentemente[1] aproximou bastante do que tento colocar nestas linhas. Ele diz no artigo citado que a questão do confronto com o sistema só tem sentido se buscarmos as raízes da crise atual, que para ele é financeira e política. Financeira na medida em que o estado tem escolhido salvar as instituições bancárias, seguradoras, em vez de salvar o cidadão; política por que tal situação vem causando uma ruptura entre o cidadão e seus governantes. Esta é uma tese que o autor já anunciar em sua obra “A sociedade em Rede – a Era da informação”, e que a complexidade desta ruptura estava sendo dada tanto pela forma como os governantes utilizam o poder do estado quanto com a forma que as novas tecnologias da informação e da comunicação têm afetado e modificado o modo de vida dos cidadãos.
David Harvey desde a sua obra “Condição Pós-Moderna”, vem tratando a crise financeira como tendo seus fundamentos na imoralidade dos políticos ampliando de forma subliminar esta imoralidade a imprensa que segundo ele escamoteia a verdade criando uma realidade ilusória das coisas; e ao judiciário que sendo nomeado pelos políticos e tornou na verdade uma forma dos políticos e auto-absolverem. Em artigo recente, o autor escancara esta tese como quem busca um “réstia de esperança” como o caminho para que os novos revolucionários ( jovens que saem as ruas na atualidade), entendam que é o sistema capitalista[2] que precisa ser julgado.
O professor Romualdo,[3] Marxista revitalizado pelo esforço de tentar fazer justiça a Marx depois das tantas injustas interpretações de sua obra, arrisca uma explicação extremamente coerente retomando a análise da Comuna de Paris, e do Dezoito de Brumário de Luis Bonaparte. Compreende-o que como foi lenta a transição entre o feudalismo e o capitalismo, durando três séculos, também poderá ser muito lenta a transição entre o capitalismo e o novo sistema, que esperançosamente ele ver nascer das cinzas do velho. Nem o avanço da comunicação e das tecnologias demove o velho marxista de que tais transformações não se explicam por uma comparação com a transição entre o feudalismo e o capitalismo, e, que ali duraram três longos séculos; mas que ser formos beber um pouco da água deixada por Weber veremos que na verdade o feudalismo foi apenas uma pausa no surgimento do capitalismo, que para o velho burocrata alemão já se germinava durante a decadência do império romano.
Na verdade, vejo na Leitura de Weber[4] como o ascetismo cristão ajudou a dar uma pausa no surgimento do capitalismo, à medida que impediu o motor do capitalismo ( o egoísmo e o interesse próprio), ganhar força. Incrível e de forma contraditória é perceber também que este mesmo ascetismo, ao incentivar uma busca pelo conhecimento nos mosteiros auxiliou o desenvolvimento das novas tecnologias que impulsionaria a revitalização do capitalismo, o rompimento com o próprio ascetismo e surgimento do espírito capitalista, que segundo Weber, constitui um fundamento fulcral da ética Protestante.
Daí, onde percebo existir uma falha nas análises atuais do capitalismo. Diferente do tempo de Marx onde o cálculo das operações financeiras acontecia levando em conta a vida cotidiana, na atualidade parece ter se tornado natural uma dissociação completa entre as finanças e o mundo da vida, para utilizar uma expressão cara a  Habermas. A questão que fica é: a vida financeira está mesmo totalmente dissociada do mundo da vida? Ou poderia haver uma explicação justamente se nos debruçássemos mais sobe o que significa esta dissociação alienadora entre o mundo da vida, o cotidiano e a as operações financeiras que cada cidadão pratica? Veja que parto do princípio de que até mesmo as grandes corporações financeiras não existem sem a existência do homem individual, e, que de fato até mesmo o capital financeiro não é possível existir sem o chamado pequeno capital, ou seja, o capital dos homens simples cidadãos. Se no tempo de Marx ele pode ver os trabalhadores sendo explorados em sua mais valia pelos donos do capital, agora é o capital financeiro possível dos trabalhadores que é explorado pelo capital financeiro dos donos do grande capital.
Ora, no final a crise é o resultado de uma relação entre homens  concretos movidos pelo desejo, que compram, vendem, especulam das mais variadas formas, movidos que são pelo velho egoísmo e interesse próprio. O problema é que o capital sofisticou tanto suas armas e instrumentos de sobrevivência transformando tudo que existe em mercadoria, quantificando valor em tudo que é possível ser visto e sentido pelos sentidos humanos que a existência do homem concreto na concepção marxista quase não é possível mais ser visto. Quem nunca calculou o valor que tem os amigos, os familiares em um projeto de vida e ou financeiro de longo alcance? Quem nunca dedicou algum tempo em busca do chamado network? Não é apenas da alienação que estamos falando, é de algo bem mais profundo, mais cruel e que parece irreversível.
Não é a toa que nas últimas décadas ganhou força, inclusive no Brasil, as religiões fundamentalistas. Tais religiões prometem aos seus fiéis, ao mesmo tempo, o sucesso no mundo capitalista e a paz interior dos mosteiros. Felizmente, ou  infelizmente, tais religiões com a gana que cresceram vão desabando justamente por não conseguir explicar aos seus fiéis por que criticam a ganância capitalista e todos os seus males e ao mesmo tempo utilizam dos mesmos instrumentos, inclusive na relação com os seus membros. Interessante, é que desde então tem surgido uma outra espécie de religiosos e protestantes ( que preferem serem chamados de evangélicos), é um grupo que considerando-se evangélicos não se ligam a nenhuma igreja ou religião, e que no Brasil, segundo dados do IBGE, cresceu de 4% para 14% nos últimos dez anos.
Parece-me que o pano de fundo deste crescimento e que está ligado a toda insatisfação com a vida e, portanto com o sistema, é uma questão ética. O que move as pessoas e uma percepção vaga de que já não existe uma ética para todos, universal, e que sirva de norte e modelo para as ações. É como se o capitalismo na sanha do lucro fácil tenha destruído a própria ética capitalista e nada foi posto em seu lugar. Não tenho a pretensão de que esta seja a resposta definitiva para a questão, mas é preciso que se chame a atenção para o fato de que é o homem que faz a história. São as ações humanas, e, portanto, ações que tem fundamento moral  e ético que, no final, movimenta todas as crises financeiras. A crise imobiliária americana não teria existido se tivesse havido consciência dos homens concretos de não comprar mais do que aquilo que coubesse em suas capacidades de pagamento. Comprar sabendo que não vai conseguir pagar é uma questão ética, questão que está no centro de todas as crises financeiras.


[3] Capitalismo na Berlina – Crise estrutural ou conjuntural. http://www.gramaticadomundo.com/2011/08/o-capitalismo-na-berlinda-crise.html
[4] Webber Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Editora Martim Claret, 2001.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A filosofia, a moral, a ética e a Morte da Norma



Cheguei ao meu lar as 22 horas e 30 minutos. Estava ainda latente em minha memória a aula onde eu tentava explicar aos meus alunos o objeto de estudo da Ética e  da Filosofia e a importância que as mesmas têm para um aluno do curso de administração, que logrando êxito será um executivo em um país em franco crescimento econômico. No final da aula alguns alunos seguraram-me com algumas perguntas sobre a realidade que vivemos, nossas responsabilidades, as dificuldades que se tem de viver de forma digna e honesta nos dias atuais; na saída do prédio, um incidente envolvendo dois alunos mantinha preso ao estacionamento alguns alunos e professores. Resolvido o problema, que por sinal só ocorreu por carência de virtudes, cada um retornou ao seu lar.
Como iniciei dizendo, eu cheguei ao meu lar pouco mais de meia hora depois. A televisão estava ligada, e Gilberto Braga era o senhor do meu lar. O deus, o demiurgo, o único, aquele que sabe a verdade sobre as coisas. E hoje era um dia importante – o dia da morte de Norma. Não vou me alongar sobre quem é Norma, na verdade não assisto novela, e  os melodramas são o lixo da indústria cultural. Pior que o melodrama só êxtase inconsciente daqueles que se entregam as drogas ou as bebidas alcoólicas. Minha filha de seis anos, logo foi me perguntando  por que novela era tão importante para a mãe: respondi de forma nada pedagógica que novela é o lixo da humanidade, aquilo que separa a mãe dos filhos, cria atrito nos lares e não tem nada de real a não ser quando o real é uma ilusão de ser.
Resposta dada, fiquei pensando na morte da Norma. E pensar que o tal acontecimento levou a audiência  ao limite. Abro o facebook e lá está um post com inúmeros comentários, engraçados até, mas ali, ocupando espaço, agredindo – a morte da Norma. Até parece os pôneis malditos. Também me lembrei de outros assuntos que tomou os noticiários nos últimos dias: o sexo anal da Sandy já comentado neste blog; a corrupção nos ministérios; a camisa; o cabelo moicano do Neymar; a gordura do Ronaldo Fenômeno; e tantos outros que podem ser enquadrados no quesito ilusão do real.
Como já comentado sobre o caso do sexo anal da Sandy, a popularidade da novela tem o seu significado. É uma forma de nos conhecermos, buscarmos um pouco de nossa intimidade naquilo que não temos coragem de aceitar existir. É ver aquilo que fazemos escondido e não assumimos ser assistido pelos outros. Quantas Normas existem nos dias de hoje? Quantos Leos? Quanta gente fazendo do outro um “esquema” para viver melhor? Quantos usando os subterfúgios da lei para se dar bem, tirar vantagem, esconder os próprios defeitos e escândalos? A verdade é que a vida tem se transformado supra-realidades, uma ilusão, uma quimera. Não separamos mais o que é real do que é imaginário.
Eu digo sempre que a grande sacada dos capitalistas foi criar um sistema cujo fundamento é o egoísmo humano. As vezes, penso que é essa a essência do ser humano e que por isso o capitalismo tenha sido tão duradouro. No capitalismo tudo se transforma em mercadoria que tem um valor e pode ser vendido; transformado em moeda que pode ser trocada por outra moeda, nem mesmo a ilusão, a quimera, escapa disso; e, tudo só acontece por que o homem não consegue não desejar. É o desejo humano que dá valor aquilo que se torna mercadoria. Vivemos em uma sociedade dos desejos. Todos querem. Querem demasiadamente, querem insistentemente, querem desesperadamente. Querem, no final das contas, pelo menos a ilusão de querer. Quase ninguém se pergunta se pode; quase ninguém se pergunta se deve. O importante é querer.
No mundo da polidez, da hipocrisia e do desamor queremos tudo dos outros, e não oferecemos quase nada de nós. Queremos inclusive ver punido nos outros o mal que existe em nós, e por que este mal já nos dá prazer, não queremos mais abrir mão dele. As doenças atuais é o sinal do desequilíbrio que vivemos. Quando só queremos sem nos perguntar se podemos, ou se devemos, o caminho inevitável é a doença do corpo, da mente e da alma. Fico pensando quantos já se perguntaram por que a novela tem como titulo “insensato coração”. Parece que a mensagem subliminar é quase liminar: quem vive entregue aos desejos e as paixões do coração sempre acabam mal. É o querer irracional, aquilo que Platão chamou da vida nos limites da anima; no nível do apetite.
A velha pergunta da filosofia – “ De onde venho, quem sou e para onde vou” – que levava a busca do auto-conhecimento e em conseqüência o que devia e podia ser feito já não existe mais. De um mundo  do-poder-dever fomos entregues a idéia insensata de que podemos atender nossos desejos, que nossa vontade é o nosso único guia. Embriagados pelos apetites perderam a noção de racionalidade; irracionais, passamos a sentir prazer no vício, na dor e na fugacidade. Infelizmente a morte da Norma, o sexo anal da Sandy, o cabelo do Neymar, a gordura do Ronaldo não pode nos ensinar nada disso; não a quem se embriaga de forma a sentir palpitar o coração, emocionar e chorar junto. A vida já não é mais que regida por um insensato coração.