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domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Propósito da Matéria de "O Popular" - Professores longe das salas de Aula.

Algum tempo atrás um grande Educador Brasileiro escreveu um texto, cujo título é "Jequitibás e Eucaplitos". Este texto foi publicado no Livro "Conversas com quem gosta de Ensinar. No referido livro tem diversos outros textos, eu o sugiro como Leitura ao atual Secretário de Educação e Deputado Federal Thiago Peixoto, e, a todos os Jornalistas do Estado de Goiás; e, o motivo, foi ter lido neste domingo uma reportagem, que se não for considerada tendenciosa, não sei mais o que significa as palavras em Português.

O nobre Jornalista parece não entender nada de Educação, ou não entende nada de Jornalismo, ou não é seu desejo informar a sociedade como funciona a máquina pública da Educação Goiana. A matéria, parece ter tido apenas o "nobre" objetivo de enaltecer as atitudes e ações do novo Secretário a frente da Secretaria, sem se preocupar com mais nada. A reportagem, "Professores longe da Sala de Aula", começa com uma ironia vazia ao fato da dificuldade dos alunos goianos de aprenderem matemática. E, ai, começa o primeiro erro do Jornalista. Sua ironia deixa transparecer que a dificuldade dos alunos em saber fazer contas, é por causa dos professores, melhor ainda, devido ao motivo de uma grande parte estar fora da sala de aula. Grande engano. Ao fazer a ironia, na verdade o jornalista manifesta toda a sua ignorância de com se dá a aprendizagem. Não vou aqui ensinar ao nobre jornalista, pois se quisesse aprender procuraria um curso de pedagogia, ou se pelo menos quisesse se informar, buscaria ouvir os professores, mestres e doutores em Goiás, que são muitos, pois tenho certeza, nenhum se negaria a conversar sobre o assunto. No entanto, é preciso dizer a sociedade que a dificuldade de aprender, sobretudo matemática, o professor é apenas uma variável. Na escola pública, por exemplo, alunos que chegam com fome, é muito mais terrível do que não ter professor. Afinal, é mais fácil aprender sem nenhum professor, do que aprender com a barriga vazia. E neste caso, não vi nenhuma reportagem cobrando o fim da suspensão dos programas sociais que afeta justamente os alunos de escola pública.
Em seguida, o Jornalista, justifica que uma porcentagem das suas vítimas, tem uma razão para estarem fora da sala de aula; o fato de estarem em cargos cuja formação exige conhecimento pedagógico. E mesmo, quando julga informar corretamente, ele esqueceu os que exercem cargos de subsecretários, orientadores Educacionais, e, Técnicos Educacionais em geral. E de forma equivocada, inclui a biblioteca como local onde não deve estar lotado nenhum professor. Por questões pedagógica, e para quem quer revolucionar a Educação é extremamente interessante que as bibliotecas das escolas tenha um bibliotecário e um professor de Língua Portuguesa. Creio, que por lapso, o jornalista acaba informando, que na verdade, professores são lotados na bibliotecas por que não existem bibliotecários nas escolas, e que se não for um professor, a biblioteca acaba por ficar fechada.
Ao noticiar o retorno, imediato dos professores, às salas de aula feita pelo Deputado Secretário, o Jornalista informa uma grande quantidade de reclamações, e, como se houvesse uma grande resistência dos professores em estar na sala de aula. Não informa, no entanto, a quantidade de professores que estão fora da sala de aula por problemas de saúde, justamente, devido as condições insalubres encontradas no exercício da profissão. Existem escolas em Goiás que quando chove, tudo se molha, inclusive já noticiado outras vezes pelo mesmo jornal. Escolas há, nas quais faltam livros suficientes na biblioteca, falta segurança aos professores,e tantas outras coisas mais. Falta, ainda, o mais importante, incentivo a formação continuada, e um salário digno da importância que a atividade educacional tem na sociedade atual.

Ao não enumerar todas as razões pelas quais muitos professores estão fora da sala de aula, ou que provoca a falta de motivação dos professores, o jornalista e o jornal falta com o respeito à classe dos professores, o que não é surpresa para quem demonstra no início da matéria, entender quase nada da profissão de professor, muito menos do que é ser Educador. Na verdade, a matéria, a par da ignorância deste educador sobre a profissão de Jornalista, parece nada ter de jornalismo, pois não informa com imparcialidade, não ouve os professores, não apresenta dados corretos.

Muito se fala no PIG, Partido da Imprensa Golpista, nome dado pelos assessores e aliados do Governo Lula ao poder que a imprensa tentou exercer para destruir a estabilidade do Governo. Em Goiás, parece haver um Partido da Imprensa do Poder. Ao publicar a visão da secretaria sem a análise da realidade e sem ouvir o "lado" dos professores afastados, é no mínimo ser tendencioso, ou quem sabe revela interesses mais profundos presentes nas relações entre o Jornalismo e o Poder em Goiás.

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