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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lágrimas do meu ser.

Nelson Soares dos Santos

Esta noite chorei algumas lágrimas
As lágrimas não caiam dos olhos meus;
Elas saiam direto, do meio, da essência da alma.
Rasgando a minha pele como o relâmpago ao céu.

Esta noite chorei copiosamente.
As lágrimas não eram de água e sal.
Pareciam ser resíduos da minha mente
pedaços do meu coração estendido no varal.

Esta noite meu coração estremeceu.
E uma dor intensa invadiu todo o meu ser.
Tudo por pensar que o nosso amor morreu.

Minha mente, angustiada desfaleceu.
Meu coração, de gelo começou a enrijecer.
Quando minha alma, alada, viajou nos sonhos teus.

Entrevista concedida ao Jornal dos Estudantes de Administração da Faculdade Delta.


AdmDelta:  1°- Fale de si mesmo, onde estudou, se formou, quando começou na carreira política.
Nelson Soares dos Santos. Sou do nordeste Goiano, descendente de Kalunga, nascido no povoado de Ouro Minas e tendo vivido a maior parte da minha infância e Adolescência na Cidade de Divinópolis de Goiás. Minha primeira formação foi em Técnico em Magistério no Instituto Adventista Brasil Central, depois cursei Pedagogia na Universidade Federal do Tocantis, Mestrado em Educação Brasileira na Universidade Federal de Goiás, e agora o Doutorado em Educação na Pontíficia Universidade Católica de Goiás. Comecei na política como Presidente do Grêmio Cívico Escolar da Escola Estadual Germana Gomes, então com 12 anos de idade. Registre-se que o Colégio era de primeiro e segundo Grau. Ai, não parei mais.

1) O Senhor é filiado no PPS há quanto tempo?
Nelson Soares dos Santos. Eu fui filiado em três partidos até hoje. O primeiro foi o PP, Partido Progressista, quando fui candidato a vereador na cidade de Divinópolis de Goiás. O segundo foi o Partido Comunista do Brasil, onde fiquei durante a graduação e o mestrado no ano de 2003. Tentei desistir da política e seguir minha vida, mas, não funciou bem direito. (rs). Então no ano de 2008. aceitei o desafio de ajudar a reconstruir o PPS em Goiás. Agora em 2011, nos tornamos membro da Executiva Estadual do Partido, assumindo as responsabilidades de Cuidar da Secretaria de Formação Política, de Criar um Instituto de Pesquisa e Estudos Políticos e Da seccional de Goiás da Fundação Astrogildo Pereira.
  1. Quais as propostas para políticas públicas do PPS?

    Nelson Soares dos Santos. O PPS é um partido humanista, socialista e libertário. Nossas propostas tem no seu eixo principal a luta por uma sociedade mais igualitária , ou seja, com menos desigualdade social. No momento, as áreas mais prementes para o partido tem sido Saúde, segurança, Educação, Bem Estar social, e, o combate a corrupção, pois estamos vivendo um momento preocupante de Institucionalização da corrupção.

    3) O Senhor é candidato nas próximas eleições?

    Nelson Soares dos Santos. Não. Até 2014, nossa preocupação será dialogar com a sociedade por meio da Fundação Astrogildo Pereira, buscando elaborar um projeto de gestão da sociedade fundado no poder local, e nas reais necessidades da população mais sofrida.

    4) O partido PPS vai apoiar um nome para prefeitura de Goiânia? Qual?

    Nelson Soares dos Santos. Por ora, ainda trabalhamos com a perspectiva de candidato próprio. Fazemos parte da base aliada do Governo Marconi e é claro que estarmos no projeto maior será levado em consideração na hora de decidir a candidatura ou a quem apoiar. O certo é que participaremos levando até a sociedade nossas propostas.

    5) Qual a plataforma política do partido?

    Nelson Soares dos Santos. Desenvolvimento com qualidade de vida e justiça social, resumiria bem o que queremos construir para o nosso país. E como disse, queremos discutir com a sociedade a razão de tantos desvios morais na coisa pública, cuidando para não cair no moralismo abstrato.

    6) Quais secretarias de estado seu partido tem comandado no atual governo estadual

    Nelson Soares dos Santos. Hoje, estamos no Governo Marconi representados por Gilvane Felipe na Secretaria de Cultura. Aliás, uma grande conquista que foi a normalização da Lei goyazes, a transformação de agência em Secretaria

    7) O que o Senhor acha que deveria mudar na politica brasileira?

    Nelson Soares dos Santos. As práticas. Temos que vencer o patrimonialismo, o clientelismo e os desvios morais que são muitos e que está se institucionalizando de forma perigosa. O Brasil precisa preocupar com todos os brasileiros e não apenas com uma pequena elite. Por mais que tenha avançado no Governo Lula, ainda tem muito a ser vencido no combate a miséria e as desigualdades sociais.

O que precisamos é aprender a ser feliz – "Há tempo para tudo debaixo do céu".



Nelson Soares dos Santos

A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira.
Léon Tolstoi

Gosto muito do pensamento de que podemos ser felizes, e que a felicidade é algo que possa ser aprendido. Sendo possível aprender a ser feliz qual é o caminho da felicidade? De todos os caminhos postos o que mais chama minha atenção é o do Auto-conhecimento, por que neste está incluso o cuidado de si; afinal, não acredito existir alguém que conhecendo o caminho de evitar a dor decida infligir dor a si mesmo. Os casos existe de auto-mutilação e outras formas de impingir auto-sofrimento já indica o individuo doente, neste caso já não existe mais consciência de si, ou mesmo, consciência da razão de viver, de estar aqui neste lugar, nesta hora e com as pessoas com as quais está.
Hoje, está cada vez mais difícil o caminho do auto-conhecimento. Seja qual meta-narrativa, teoria, religião, filosofia, ou qualquer forma de conhecimento pelo qual se buques explicações é comum a todos, o fato de que o homem distanciou-se de sua essência. Alienado por ideologias, utopistas, distopistas, todos carecem da compreensão do por que estamos aqui. E é a falta de compreensão do por que, da razão de estarmos neste planeta que nos torna perdidos, angustiados, e por vezes tristes. Vou lhe constar algumas histórias para me fazer compreender.
Comecei a praticar exercícios em uma academia. O instrutor chegou até próximo a máquina onde eu estava e disse: - Que isso rapaz, olha só, só 30 quilos? Vamos malhar pra valer. Eu mais do que depressa respondi: Amigo, agradeço seu incentivo, mas depois de duas ou três semanas prometo malhar com 50 quilos, agora, por ora, vou desintoxicar o organismo com no máximo 30 quilos. Afinal, eu quero aumentar minha felicidade e não o meu sofrimento. Poucos minutos depois ele voltou e disse: - sabe você está certo, com 30 quilos você desintoxica e não sente dor, tem gente que quer resolver tudo em um mês e acaba adoecendo. Eu disse a ele que a nosa felicidade, muitas vezes, depende apenas de nós, não podemos transferir para as máquinas a resolução do problema que a nós cabe, e, nem tão pouco desrespeitar o tempo da natureza.
De volta para o caminho da casa fiquei pensando que esta é um dos motivos de tanta infelicidade. Quase sempre e pelos mais variados motivos desrespeitamos o tempo da natureza. E o tempo social está se distanciando velozmente do tempo natural. Nosso desafio é ajustar nosso tempo social ao tempo natural. O tempo natural é o tempo biológico. Não podemos desobedece-lo sem pagar um preço extremamente alto. Nosso corpo em toda sua complexidade anseia viver em harmonia com natureza,e com ela se confunde, e dela é feito.
Outro tempo que temos desrespeitado muito é o tempo do coração. Quase ninguém mais respeita as próprias emoções. São muitos os casamentos que em vez de se viver como família vivem-se como dois estranhos por que o coração nunca foi respeitado. Não é, no entanto, apenas no casamento que se desrespeita os sentimentos, o coração e as emoções. Esquecemos que somos seres humanos e que precisamos de tempo para digerir sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Muitas vezes sobrecarregamo-nos sem nenhuma necessidade, e o resultado é sofrimento e tristeza, por vezes, doenças mentais.
E, tem ainda o tempo da mente, da razão, do intelecto. Não tem como respeitar o tempo da razão sem antes nos entender com coração. Podemos até aprender a pensar sem equilíbrio emocional, sem a educação das emoções, mas o resultado nunca é satisfatório. A história é cheia de intelectuais, pensadores quer terminaram a vida, ou terminaram com suas vidas de forma trágica por não entender as razões do coração detendo-se apenas em tentar compreender tudo pela racionalidade. Do intelecto, razão, mente encaminha-se para o conhecimento e o contato para o espírito/alma; e que por não entendermos como esta/este influencia nossa vida natural nos perdemos em ilações, ilusões e por vezes, na loucura frenética da ação pela ação.
Sim, podemos ser felizes, se entendermo que existe tempo para tudo debaixo do sol, e que cabe a nós esperar o tempo, e no tempo, agir sem medo de errar ou sofrer. O sofrimento é inerente ao erro, seja em agir no tempo errado, ou agir da forma errada. O caminho é olharmos para nossas possibilidades e jamais exigir de nós mesmos mais do que podemos fazer. Não podemos ajustar o nosso tempo ao tempo cósmico, ou ao tempo de nossa alma se não trabalharmos diturnamente no processo de harmonização com a natureza, respeitando nosso corpo, nosso intelecto, e, o nosso coração.

domingo, 20 de novembro de 2011

UM PROJETO PARA GOIÁS (I) – INVESTIR NO SER HUMANO E APROFUNDAR A DEMOCRACIA


Nelson Soares dos Santos
(Este texto foi escrito no ano de 2010, ainda na pré-campanha eleitora. Republico como introdução a discussão sobre a questão da UEG)

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE, publicados nesta última semana nos mostra que de fato existe uma área que necessita de investimento no Estado de Goiás, é o investimento no ser humano. Diferente das demais regiões do país onde a desigualdade diminui sensivelmente em Goiás a desigualdade resiste. Isso em um momento alvissareiro de chegada de novas indústrias e do aumento da oferta de emprego. Mas é justamente neste ponto que se encontra a armadilha. O aumento da oferta de emprego e desenvolvimento em Goiás não tem sido acompanhado de maior distribuição de renda porque vem acompanhado do aumento da população por meio da imigração.
Longe de ser um defensor bairrista, mas a questão é que se não investirmos no ser humano os imigrantes de outros Estados e por que não de outros países irão ocupar os espaços do povo goiano na perspectiva de melhoria de qualidade de vida. Em decorrência disso acreditamos que para Goiás o melhor projeto político é aquele que vier a propor investimento no ser humano e a aprofundar a democracia. É preciso atentar para o discurso dos políticos para perceber quem de fato pode ajudar Goiás e o povo goiano.
Aqueles que defendem o fim das cotas podem ajudar Goiás? Dados do IBGE mostraram que em um ano diminui o número de brancos e aumentou o número de pardos. As análises dos especialistas afirmam que uma das razões que explica tal mudança foi a existências das políticas afirmativas que combatem o preconceito, e, portanto as pessoas estão se sentindo confiantes para se dizerem negras ou pardas. Dentre outros dados do IBGE, podemos afirmar que o discurso do fim das cotas não serve ao aprofundamento da democracia em Goiás, ao contrário, se seguirmos nesta linha aumentará ainda mais a distância entre ricos e pobres. Concentrando riqueza nas mãos da minoria não é o caminho para aprofundar a democracia.
O discurso do baixo investimento em educação, a diminuição do atendimento às crianças e adolescentes, a desativação de programas de atendimento a juventude, e a diminuição do investimento na rede de proteção social pode ajudar Goiás? Um outro dado do IBGE nos ajuda a responder. Dentre tantos vamos utilizar os dados sobre Educação. Em Goiás a maioria absoluta dos estudantes estão na rede particular, e, são esses que sofrerão com a duvidosa qualidade pois com menor poder aquisitivo foram os que estudando a vida inteira na rede pública, onde os salários dos professores é ruim, e, que os governantes insistem em não fazer sequer o plano de carreira e pagar o piso nacional acabam por se tornar os alunos do ensino privado. O percentual é 71,3% dos estudantes goianos estudando na rede particular, e o restante na rede pública. Nestas condições como diminuir a bolsa universitária? A quem serve este discurso de diminuição da bolsa universitária? Ou mesmo a quem serve esta idéia de diminuir os investimentos na UEG? A Julgar pelos dados deveríamos urgentemente começar a defender a criação de uma terceira Universidade Pública nos Estados e investimentos agressivos na Educação Básica.
Em Goiás temos ainda uma alta taxa de analfabetismo, e o que é pior, uma taxa de 20% de analfabetos funcionais com curso superior, o que somado aos analfabetos funcionais com ensino médio e fundamental, e os analfabetos de fato, temos uma parcela de quase 30% da população que não dão conta de escrever um bom texto, ler e interpretar. Se quisermos enfrentar a situação e transformar Goiás em um estado desenvolvido, temos de investir em ciência e tecnologia, aumentar as vagas nas universidades públicas, criar mais universidades públicas em Goiás investir em pesquisa básica e aplicada senão não deixaremos de ser colônia de São Paulo e Minas Gerais.
Temos em Goiás apenas duas Universidades Públicas com ensino gratuito, ( a Universidade Federal de Goiás, e Universidade Estadual de Goiás), a Fundação Universidade de Rio verde que é Pública e Municipal, porém cobra mensalidades, e na mesma condição da FESURV outras três fundações municipais ( Fundação de Ensino Superior de Goiatuba, Fundação de Ensino Superior de Mineiros, Anicuns,) – tais fundações o preço das mensalidades é diferenciado da rede particular de ensino e possuem uma política de bolsas que permite o acesso de um número considerável de estudantes ao ensino superior. No entanto, na questão da pesquisa, praticamente apenas a Universidade de Rio Verde, UFG, e UEG já possuem uma política de pesquisa e pós-graduação consolidadas, ainda assim, são poucos as opções de doutorado e mestrado, levando em consideração a demanda que o estado precisa.
Outra questão que não pode esperar é o fortalecimento da pesquisa básica em Goiás. Hoje os estados que estão crescendo são justamente aqueles que estão investindo em ciência e tecnologia. As fundações de amparo a pesquisa são instrumentos importante nesta política. Embora tenha havido avanços com criação da UEG e da FAPEG, Goiás tem feito muito pouco para formar recursos humanos para pesquisa básica e aplicada; hoje, a FAPEG em Goiás não tem recursos específicos e nem autonomia para desenvolver uma política de investimentos de que o estado precisa; a cada edital é preciso ficar esperando a boa vontade do governante. É preciso que a FAPEG tenha orçamento próprio, definido no plano plurianual e com autonomia para execução, do contrário ficaremos ainda por muito tempo, mas muito tempo, como um estado conhecido pela produção agropecuarista com alta concentração de renda, desigualdade social e muita pobreza. Um projeto de desenvolvimento para Goiás na atualidade passa por uma política de investimento na Educação, na rede de proteção social, na ciência e na tecnologia que faça destas áreas a locomotiva do desenvolvimento do estado. Como escreveu Antônio Ermirio de Moraes: “Educação, minha gente, educação pelo amor de Deus”.

sábado, 19 de novembro de 2011

A era da Estupidez: Do sabe tudo ao completo estúpido.



Nelson Soares dos Santos

Tenho visto muita reclamação de professores e intelectuais relacionado aos problemas que se enfrenta nos nossos dias. Muitos tem repetido que um dos problemas de nossa época é por que já não podemos mais corrigir as pessoas. E o que é pior, já não se pode mais corrigir o aluno em sala de aula. Criou-se uma ideia extremamente terrível de que corrigir o aluno pode deixar traumas, e, por não poder corrigir aceita-se qualquer coisa como resposta certa para uma determinada questão mesmo sendo absurda e incoerente. Isso é verdade. Entretanto tem também um outro problema que está crescendo de forma séria, muito séria e que é tão ruim quando não poder corrigir, pois se de um lado o respeito aos pontos de vistas mais absurdos cria o estúpido diplomado, de outro, o sabe-tudo cria o dogmático. O Estúpido é aquele que nada sabendo pensa que sabe de tudo. E o sabe tudo que é tão estúpido ou mais que o estúpido, pensa que a verdade dele é verdade absoluta, por isso não aceita discussão e nenhum tipo de discordância.

A equivocada ideia de que não se pode corrigir o aluno.

A primeira coisa que precisa ser esclarecida é a tal história de que existem correntes teóricas do campo de conhecimento da Educação que afirmam não poder corrigir o aluno. Não conheço nenhuma corrente teórica que defenda tal ideia. Algumas ( a pedagogia Escolanovista, libertária, libertadora, humanista), defendem, com suas peculiaridades que deve ter o cuidado de, na metodologia de aprendizagem preocupe-se com os danos psicológicos que possa vir causar ao aluno determinadas formas de correção, sobretudo, tais correntes procuravam se contrapor a uma época regida pelo excesso de autoritarismo. O erro de interpretação se dá justamente, pela interpretação também errada do que é a democracia e de como se constrói a formação de um estudante dentro do processo democrático.
A idéia absurda de que todo ponto de vista do aluno deve ser respeitado se resvalou para a ideia de que o mesmo deve ser aceito como verdade por ser um ponto de vista do aluno, de sua cultura e de sua formação psicológica. Nada mais absurdo e falso. Tanto que a pedagogia conteudista capitaneada pelo professor Libânio defende claramente a necessidade de uma organização da escola com regras claras, processos organizativos claros e com limites bem definidos para cada um dos atores do processo pedagógico ( professores, alunos e técnicos-administrativos do setor escolar).
A defesa de que o aluno precisa da aprendizagem de conteúdos é básico, uma vez que estes são os instrumentos pelos quais ele poderá interpretar a cada vez mais complexa realidade que vivemos. Um exemplo, ao um aluno ler um livro de Machado de Assis, ao interpretar de forma equivocada a característica moral da época e como aparece na obra, não sendo ele corrigido, levará para a vida uma visão equivocada da própria forma de interpretar a realidade, pois carregará consigo conceitos equivocados. Uma aluno que não sabe as regras básicas de construção de um texto precisa ser corrigido para que consiga não apenas escrever um texto, mas por que a base do saber escrever é saber ler, e sobretudo saber ler o mundo.
Desta forma não é difícil entender por que a não correção dos erros do aluno é um dano extremo para o futuro dele como cidadão, pois isto o torna estúpido, alguém que pensa que sabe e que na verdade não sabe. Tenho visto muitos alunos na Educação superior que não conseguem ler e compreender obras da literatura brasileira, unicamente por um motivo básico: não alcançaram um vocabulário erudito suficiente para ler tais obras. A grande desgraça é que este aluno sequer sabe que é um estúpido, por que ninguém disse a ele até que completasse o Ensino Médio, e, não sei por que ele acabou conseguindo entrar em um curso superior, e muitas vezes em boas universidades. Ignorando sua condição de estúpido sofre cada vez que se depara com os obstáculos colocados pela ignorância de questões elementares negados no seu processo de formação.

O Sabe Tudo ou o Estúpido Dogmático.

Do outro lado do aluno que não pode ser corrigido, ou no que se transforma o aluno que não é corrigido está o estúpido dogmático. Por que estúpido dogmático? Dogmático vem de dogma, e quando procuramos a o significado no dicionário encontramos que é “pertencente ou relativo a dogmas, que se apresenta com caráter de certeza absoluta, que exprime uma opinião de forma categórica, um sectário do dogmatismo”. O dogmático constrói ou adere a uma forma de interpretação de mundo, e dela faz, de forma categórica a única forma de encontrar e lidar com a verdade ou do que se pode considerar verdade na interpretação da realidade. Quando comecei a estudar filosofia na Universidade tive a sorte de ter um professor que vacinou-me contra o dogmatismo. Quando ele viu meu interesse profundo pela filosofia convidou-me para participar de um projeto de Iniciação Científica e a primeira coisa que ele pediu foi que eu fizesse um estudo histórico das principais correntes filosóficas. Tal estudo levou-me a perceber que cada ciência tem um método e instrumentos diferentes de investigar a realidade, e que um mesmo objeto pode apresentar diversas possibilidades de ser conhecido. Era meu primeiro contato com a Epistemologia. Como eu era cristão, logo fui levado a enfrentar meu dogmatismo, e, lidar com as possibilidades de que fosse possível Deus não existir.
No ano seguinte fui ao Congresso da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e, orgulhosamente apresentei o trabalho intitulado: As determinações ideológicas entre Público e privado: Um estudo sobre as Políticas de Financiamento da Educação no Estado do Tocantins. O referencial teórico do trabalho era o pensamento de Habermas, sobretudo “A esfera Pública Burguesa”, e “Conhecimento e Interesse”. Quando voltei do Congresso inquiri ao orientador que não entendi por que as pessoas que se identificavam como pesquisadores da Teoria Crítica admiravam tanto o trabalho, e outros, Marxistas, Fenomenólogos, Idealistas Hegelianos, Positivistas, dentre outros, viam tantas críticas dava lugar para pensar que tudo no trabalho estava errado. O professor riu, e disse, - Você acabou de entender o que é dogmatismo. O Dogmatismo não aceita a possibilidade do conhecimento por outro caminho que não o dele, assim como na religião/teologia o dogmático acredita que apenas os dogmas que ele defende levam ao céu, na ciência, o dogmático acredita que apenas os próprios critérios metodológicos levam ao verdadeiro conhecimento.
Acalentado e confortado em sua igrejinha metodológica, teórica e instrumental, o dogmático passa a ver tudo que discorda de suas próprias conclusões como o mal encarnado, o demônio que precisa ser destruído. Quando se sente fragilizado em suas considerações e conclusões o dogmático ataca a pessoa que dele discorda. Chama-o de ressentido, de esquerdista, direitista alienado ou qualquer outra coisa que leva a condição de o discurso do outro não ser ouvido. A pior miséria é que o dogmático sabe tudo de todas as coisas, principalmente nas ciências humanas. Ele tudo interpreta, tudo compreende, tem sabedoria sobre tudo, e, pior ainda, rapidamente consegue seguidores, pois a maioria deles já se tornaram professores universitários de Universidades Federais conceituadas.
O dogmático pode ser encontrado em todos os campos do conhecimento, em todas as ciências, em todos os lugares. Na política, na economia, na filosofia, na sociologia, e, no senso comum. Aliás, uma coisa interessante é que o dogmático quase sempre sente-se com competência para explicar de forma simples qualquer coisa que seja complexa. Coisa maluca é ver um dogmático lendo Kant, Platão, Hegel ou qualquer grande filósofo. Ele não se preocupa em antes entender como ou que tipo de metodologia foi utilizada para construir um sistema; ele já começa por criticar a metodologia que construiu o sistema de pensamento a partir do seu próprio método. Ao analisar a realidade, banaliza o que já é banal e consegue transformar em senso comum o que muitas vezes já é senso comum. O dogmático, no entanto, não aceita ser criticado, afinal, ele está bem fundamentado, usou todas as categorias de sua corrente, e as vezes, de forma genial criou novas categorias. O dogmático torna-se estúpido por que julga capaz de compreender toda a montanha olhando de forma quase cega para apenas um dos lado da mesma.

O dogmático cria o estúpido diplomado.

Sendo o estúpido aquele que não aceita mais ser corrigido, sofre, magoa-se ao perceber que está equivocado, ele tem uma razão de existir. E tal explicação encontra-se na existência do dogmático. É o dogmático que cria o estúpido. Como isso se dá? Não é difícil de entender. O dogmático é aquele que conhecendo algumas possibilidades de se chegar a verdade ou ao conhecimento escolhe uma determinada forma e passa a aplicar como caminho absoluto e único de encontrar a verdade, e as conclusões encontradas sobre as coisas, a vida e a realidade ( a redundância é de propósito), passa a tomá-las como verdades absolutas saindo a desqualificar qualquer conclusão que tenha diferenças.
O estúpido é aquele que apaixonando-se por um dogmático passa a segui-lo como mestre absoluto, quase como um deus, um gênio sobrenatural. Assim, já não racionaliza nada mais que ouve, apenas acredita. Todo estúpido tem um professor que admira, segue, cita, elogia e em troca o professor dogmática afirma que o tal aluno é inteligente, sabido, e que se não está compreendendo outra matéria qualquer, a culpa é do professor que utiliza o método errado de ensinar. O pior é que o estúpido só se sente na necessidade de assistir aula do seu dogmático preferido, uma vez que não vê possibilidade de encontrar nada verdadeiro em outras ciências e ou disciplinas. Assim, utiliza da liberdade acadêmica para matar aulas, entrar e sair quando bem quer da sala, não respeitar a metodologia dos demais professores, e, pior, não se dá ao trabalho de ler as fontes, por que acredita no seu querido e célebre professor. Pior ainda é quando o dogmático tem livros publicados, por que ai o estúpido compra todos, pega autógrafo e não lê nenhum outro autor mais.
O problema é que estamos chegando em uma época em que já não se sabe que veio primeiro, se o estúpido ou o dogmático. Quase que se cai na história velha do ovo e da galinha. O certo é que o estúpido alimenta e sustenta o dogmático, pois caso tivesse coragem de pensar por si mesmo desmascararia os dogmas pelo exercício da própria razão; de outro lado, o dogmático vai criando mais estúpidos com aulas shows, pouco conteúdo, festa e verdades absolutas. O grande problema é que ambos, na medida em que proliferam, alimentam o fracasso, a violência, as guerras, e todos os tipos de atitudes mesquinhas que são produzidas pelo crescimento da Ignorância no seio da humanidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Morte - Somos todos mortais


Esta é a lei da vida; no amor ou na fidelidade;
A vida é assim: uns vivem menos, outros vivem mais.
No ódio ou na traição; na bondade ou na maldade;
Quando diante da morte, nós somos todos iguais.

A vida é assim. Somos o que temos de ser.
Estamos onde devemos estar.
Só uma escolha poderemos sempre fazer;
Deixar ou não nossa luz brilhar.

Em um mundo de escuridão;
Quando as virtudes parecem não mais existir;
O silêncio das batidas de um coração;
Faz-nos parar, pensar, e olhar para o porvir.

Quase toda a morte é sentida;
Mas se um grande homem se vai;
A cidade fica desguarnecida
E o sol parece que não vai brilhar mais.

Grandes homens que  deixam mundo,
Não esqueçam jamais a dimensão da matéria.
Ajude-nos a entender o sentido mais profundo;
A entender que a vida só tem sentido combatendo a miséria.

Faça-nos aprender que somos todos irmãos;
E que não vale a pena a vaidade e poder;
Que é desprezível afundar na corrupção;
Por que bons ou maus, ricos ou pobres todos iremos morrer.

O que levamos daqui, são as virtudes e a esperança;
O que deixamos, de verdade, o exemplo vivido.
Então seremos lembrados pela maldade ou bonança;
Ou por que fomos pequenos, seremos bem esquecidos.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Policarpo Quaresma e o Político que não sabia de nada.



Nelson Soares dos Santos

Triste fim de Policarpo Quaresma é um romance pré-modernista. O pré-modernismo não é considerado por muitos estudiosos da literatura exatamente como uma escola literária, e sim como um tempo de transição com autores diversos, tendo algumas características em comum que prepararia o terreno para o modernismo e seu total rompimento como Realismo/naturalismo do Século anterior. Entre os autores que admiro no Pré-Modernismo tem Augustos dos Anjos na Poesia, tendo como minhas preferidas “Versos ìntimos” e, “Idealização da Humanidade Futura”. Na prosa, e em tempos de caças a bruxas e do politicamente correta que se contrasta com a corrupção que impera, podemos citar Monteiro Lobado, Euclides da Cunha e Graça Aranha.
Em quase todos eles uma tentativa de ruptura com o passado, um pessimismo em relação ao futuro, denúncia da realidade brasileira e tentativa de se buscar uma identidade nacional. E é engraçado de ver os nossos contemporâneos condenar Monteiro Lobato, justamente ele que usou a pena com maestria para tentar construir uma identidade nacional e defender as riquezas do Brasil. Está presente, portanto, de forma forte e relevante a presença do comportamento político entrecortado pelo comportamento moral de homens que tornam-se cidadãos.

Major Quaresma – Ingênuo?

A história se passa em torno do Major Quaresma. Homem nacionalista, amante do seu país que ajudar a resolver os problemas do Brasil. O autor trata de pelo menos três problemas da realidade brasileira: a agricultura, a língua e na política. Não consegue sucesso em nenhum dos seus projetos. Interessante é o contato de Quaresma e Floriano Peixoto uma vez que embora seja bem tratado pelo presidente, este nada se interessa pelos seus projetos de melhoria da pátria. Quase nada parecido com os políticos populistas da atualidade que qualquer coisa fazem para agradar as massas em uma eterna política de pão e circo.
De outro lado, chama a atenção a atualidade da obra pelas tentativas malfadadas de um neo-nacionalismo brasileiro de deputados que esperam proteger a língua fazendo leis que proíbem o uso de estrangeirismos. Que espera se não uma figura grotesca em tempos globalizados tentativas de proteger uma língua fazendo leis que no final o grosso do povo jamais ficará sabendo da existência das mesmas. Policarpo Quaresmas não teve sucesso, não terá em nosos dias os novos nacionalistas extremados que pensam construir uma identidade brasileira proibindo a leitura de Monteiro Lobato, ou coisa do Gênero.
Na agricultura, Policarpo lutou auxiliado por seu empregado Anastácio contra as saúvas. Também fracassou. Hoje, talvez as saúvas sejam mesmo a corrupção, e se, no passado Floriano Peixoto não deu ouvidos a Quaresma, na atualidade o mandatário da nação de nada soube da existência das saúvas que tomou conta da vida pública na política brasileira, praticamente institucionalizando a corrupção na política nacional. Pior é saber que embora o Brasil tenha conseguido controlar as saúvas, a agricultura do país ainda tem muito a ser feito. Na terra existem conflitos que provocam mortes, trabalho escravo e tantos outros males que enfeiam a beleza do país.
No campo Político, Quaresma para auxiliar seu país alista-se no exército sem nenhuma experiência prévia do exercício militar. E, como diz o Coronel Nascimento no filme atual “Tropa de Elite”, isso só podia dar M... Coração bondoso, logo Quaresma percebe soldados matando prisioneiros, alguns inocentes e seu coração de nacionalista não podia permitir tal coisa. Tenta fazer uma denúncia direto ao presidente, e, mais uma vez como bem disse o Coronel Nascimento, denunciar a M... para um presidente que nada sabia e não queria saber, só podia dar em M. Os tentáculos da corrupção já se alastrara por todo o sistema político, e era mais fácil para Floriano livrar-se de Quaresmas a ter de livrar-se de todo o Sistema. O que fez com que Quaresma passasse de investigador a investigado, de homem em busca de justiça a traidor da pátria a um condenado que não encontrou ninguém a não ser sua sobrinha para ficar em sua defesa?
Nos dias atuais que se tornou cair um Ministro por semana, dossiês existentes por todos os lados, ( e falando nisso, goiás acaba de entrar na onda com a denúncia de males feitos na UEG), nunca é muito se perguntar quais são as motivações dos denunciantes, quais razões, afinal, seria nacionalismo? Profundo interesse em defender a pátria contra a roubalheira? Quantos homens bem intencionados pode existir em um meio onde o moralismo abstrato rivaliza com o realismo político, onde o público se mistura com o privado havendo uma absorção do público pelo privado? O que pode existir de verdadeiro no meio de tantas denúncias, denunciados e denunciantes?
Há muito que se refletir sobre a vida política do nosso país se nos entregamos a uma leitura tranquila das obras pré-modernistas. Lima Barreto é uma das possibilidades, mas muitas outras podem ser aproveitadas. Os Sertões de Euclides da Cunha é um exemplo de um estudo do comportamento religioso, um estudo sociológico profundo como poucos já se foi visto na história do nosso país. Há ainda que se falar de Monteiro Lobato, este quase renegado da atualidade, que tentou entender o homem simples de nosso país, o caboclo, de forma criativa, inventiva e original.

Comportamento Moral e comportamento Político em “Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Há três formas predominantes de comportamento na obra analisada – o trato social, o político e o moral. Entendido que o moral depende da nível de consciência adquirida pelo sujeito, considerando os estudos de Piajet, Freud e Kolberg, talvez seja possível afirmar que uma das coisas que fica possível ler em Lima Barreto é que toda tentativa de exercer alguma forma de comportamento quando nos falta as condições adequadas pode acabar em um triste fim. Quaresma demonstra desde o inicio da história uma dificuldade de relacionar-se, socializar-se. Não consegue perceber as nuances que estão presentes nas relações humanas e ignora as razões que levam, por exemplo, Floriano Peixoto a não dar valor aos seus projetos reformistas.
Na ignorância e na falta de liberdade não há comportamento moral. Tomando tal como premissa não podemos considerar o comportamento de quaresma um comportamento mora. Ele ignora as redes que fazem o sistema funcionar. E é isso, que o leva a não perceber os riscos da sua denúncias das injustiças cometidas. Seria possível perceber de outro lado, um certo determinismo na obra barretiana, até mesmo pelas influências sofridas pela sociologia positivistas de Augusto Comte e pelo cientificismo tão presente na literatura pré modernista.
Quaresma é o protótipo do homem que não alcançou as possibilidades de ser livre em um mundo complexo, por que não foi capaz de viver e servir da própria inteligência. Não alcançou o esclarecimento necessário para compreender a realidade onde estava inserido, seu tempo, sua época, seu meio e os homens com os quais convivia. Carregava em si uma das piores misérias humanas: a ilusão de conhecer o suficiente para transformar a realidade quando a ignorava de forma quase absoluta.

Brás Cubas e Os mistérios da Vida.




Nelson Soares dos Santos

Texto II, também rascunho, sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas e   questão da ética e da moral.)

Não existe dúvida de que Machado de Assis foi e é um dos maiores escritores do nosso país. Suas obras, desde as poesias, contos e romances trazem uma interpretação da vida, da existência humana e da realidade de forma tão vívida que mais de um século depois parece nos ensinar a apreciar os mistérios da vida, e mais, mostrar-nos que é pela admiração dos mistérios da vidas que nos tornamos sábios. Machado de Assis foi cronista, contista, dramaturgo, e romancista. Neste último, três obras se destacam aos meus olhos: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, e Dom Casmurro.
Não tenho lembranças de qual de suas obras li primeiro. Parece-me que foi o conto Relíquias da Casa velha, e depois, segui com Esaú e Jacó. Qual foi minha surpresa ao ver que a história nada tinha da história bíblica a não ser o título e a analogia. Quem sabe foi ali que sorvi meu primeiro aprendizado de Psicologia, Psicanálise e outros estudos de comportamento humano, inclusive o comportamento moral. Ler Machado era diferente, era suava, e ao mesmo tempo frenético; doce e ao mesmo tempo amargo. Era como se a vida se apresentasse em suas formas mais vivas, mais duras e reais.

Brás cubas e a Filosofia.

Penso que foi em um verão. Era férias e levei comigo para Olaria um exemplar de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Homens brincando em voz alto ao raiar do sol enquanto amassavam barro para dali sair os tijolos que faziam tornar realidade as novas casas na cidade. Nove horas da manha e tudo parava na Olaria. Era hora do café. Enquanto os homens feitos aproveitavam para fumar o cigarro e contar histórias e piadas, comecei a ler Memórias Póstumas. Não esqueço as palavras de Zé de Corcino gritando: Seu Domingos, este seu filho se não ficar doido vai acabar doutor, por que nunca vi ninguém com tanta vontade de estudar ao ponto de trazer livro para Olaria e ler com os pés cheio de barro, daqui a pouco ele leva o livro para dentro do buraco. Meu pai, orgulhoso da possibilidade de ter um filho, um dia doutor, prometeu que se fizéssemos mil e quinhentos tijolos naquele dia, não trabalharíamos no sábado,e eu teria o fim de semana inteiro para ler o livro.
Foi assim que li Memórias Póstumas de Brás Cubas. Em um sábado e domingo, li o livro por três vezes. Fascinava-me a ideia de um defunto autor. Eu menino, sétima série, sonhava escrever minha biografia. Não depois de morto, mas ainda vivo. Era interessante ler como se escreve uma biografia depois de morto. Foi a primeira vez que cravou em minha consciência a ideia da vida após a morte, bem eu, que tentava por todas as religiões renegar as crenças paternas da Humbamda e do Candomblé, das almas penadas e dos Pretos Velhos.
Brás cubas era um outro tipo de alma. Não era penada pois sabia muito bem por que assistia ao seu próprio funeral. Também não era um guia, ou coisa que o valha, era apenas um homem, um homem escrevendo depois de morto sua própria biografia. Machado de Assis que já havia me introduzido no estudo da psicologia, da psicanálise e da sociologia, lançava-me agora no campo da filosofia e do ocultismo. Eu, no domingo a tarde, quase por volta das 17 horas cheguei arfando na casa do seu Joel. Seu Joel, ou Joel Pinto de Barros, foi o grande professor particular que tive em minha vida. Todas as dúvidas que meus professores não conseguiam responder, ele respondia, ou colocava livros em minha mão dizendo: no conhecimento temos de ter humildade de quando não sabemos reconhecer nossa ignorância, e, dizia – um dia você vai ser meu professor, a vida é assim, sempre gira. Um dia aprendemos, no outro ensinamos.
Cheguei naquele dia já com mil perguntas. Ele calmo, tranquilo, levou-me até a biblioteca particular que tinha. Lá, pela primeira vez deparei-me com uma coleção completa de “Os pensadores”, e olhando para aqueles mais de vinte livros ele disse: Sabe as citações que você encontrou no livro, muitas delas são pensadores, pensadores que mudaram a história da humanidade. Naquele dia, tive uma longa aula sobre Templários, maçonaria, Rosa cruzes, Martinistas, e tudo que representava os mistérios presentes em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Schopenhauer, dizia meu velho e querido professor particular, é um dos mais completos, densos e profundo filosofo do ocidente. Um dia, quando for adulto, entenderás toda a riqueza desta obra machadiana.
Tanto ouvi sobre o candelabro aquele dia. Sobre a estrela de Davi, o pantáculo de salomão. Hermes Trimegistus, Moisés, segredos, mistérios. A conversa descambava sempre para o papel dos homens na história e caía na independência do Brasil, na Inconfidência Mineira e todas as outras histórias fantásticas contadas pelo prisma de um ocultista isolado em uma cidade do Nordeste Goiano. Aos olhos do meu professor querido, tudo estava predeterminado pelo Grande Arquiteto do Universo, e que todos nós tínhamos uma missão neste mundo. E, terminava ele, Machado se eternizara, por que pelas suas obras homens aprenderiam por séculos os mistérios do Universo.

Brás Cubas e a Moral.

Li Brás Cubas pouco tempo depois de ter chorado lágrimas compulsivas pelo heroísmo dos personagens românticos, sobretudo, de José de Alencar. Não esqueço jamais, como Peri arrancou o tronco com as mãos para salvar sua amada do Naufrágio iminente. Brás Cubas destruiu em todo o ardor romântico do meu ser desde sua dedicatória: “ Ao verme que roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico estas memórias póstumas”. Como pode alguém dedicar um trabalho aos vermes? Ah, sim. Era um defunto autor, não um autor defunto. E ali, tempos depois eu aprenderia que nesta frase está o mistério de desta vida nada levamos, de que pouco importa o que é feito da nossa carne depois que desta vida partimos. Brás Cubas é um ser que soube transcender.
Outra dor cruel causada por Brás Cubas foi quando a questão do amor. Traspassou-me como a adaga no peito do cristo crucificado quando li: (...) Marcela amou-em durante 15 meses e onze contos de réis”. Quanto diferença do amor romântico de Alvares de Azevedo desejando a morte impertinente a preferir viver longe de sua amada!! não há amor, sim, e assim é escrito. (...) “ não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos”. O amor que se apresenta é comprado pelo dinheiro, falseado, realidade hipócrita que aos homens é dado fingir para suportar a vida crua e com pouco sentido.
Brás Cubas ( Machado de Assis) não se preocupa em colocar nenhuma levez na pena para descrever a moral do seu tempo, dos seus amigos. Como se pode esquecer da comoção do defunto autor ao ver seu amigo declamar elogios em seu túmulo, o suficiente, diz ele, para não arrepender das apólices deixadas. Não existe amor, não existe amizade. Tudo tem um preço nesta vida, e tudo, se compra com dinheiro. A vida é um repertório de desejos animalescos e se não fosse algo tão Schopenhaueriano poderia se dizer embrutecidos pelos sentidos em uma concepção aprendia de Platão, onde todos são escravos dos apetites. Ou talvez Aristóteles, onde os vícios reinam em detrimento das virtudes como no parágrafo seguinte:
Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelada e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, - nada menos que a quimera da felicidade, - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão."- Capítulo VII;
Nada descreve melhor a moral do homem burguês. Olhando para os nosso dias, tudo parece tão atual que o defunto autor parece rondar fazendo-nos ouvir as palavras recônditas de verdades e ironias. O capitalismo só fez crescer o individualismo, a competição desenfreada, o amor pelo lucro, a ambição, a inveja desmedida, e, a fome, a vaidade, a melancolia parecia ser a descrição das doenças modernas daqueles que tudo tem e nada são. Profetizava a alienação do ser humano, a instrumentalização da razão, as barbaridades do nosso século, - tudo feito em nome da liberdade dos povos. No caldo moral dos nossos dias, a felicidade se tornou a mais doce quimera para aqueles que vêem no ter a possibilidade de compreender o sentido da vida.


E por fim, por que a vida é cheia de mistérios, Brás Cubas descobre que os mistérios não acabam com  a morte. Pelo contrário, eles continuam de outras formas, ainda mais misteriosos. Daí por que o defunto autor apresenta suas ultimas negativas  para com a vida.
"O acaso determinou o contrário; e aí vos ficais eternamente hipocondríacos. Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."- Capítulo CLX;

É preciso repetir. “ - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Uma frase e verdade tão profunda. Existe uma miséria humana, uma miséria moral. E todos que temos filhos, como não transmitir a descendência os elementos ( a miséria, a inveja, a ambição, etc) da miséria humana. Brás Cubas estava feliz, não tivera filhos. O defunto autor até hoje ri de nós que acreditamos no mundo da democracia liberal e capitalista, na ideia da descendência, na importância que temos para o destino da humanidade. E quisera pudéssemos aprender com o autor-defundo/defunto autor de que nos mistérios da vida, no processo real das coisas nunca somos o personagem principal, até por que na vida não existe espaço para um personagem principal. Somos sempre humanos imersos em uma grande miséria cuja libertação a morte nos premia com outros mistérios.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O preconceito e as questões morais – O diálogo possível entre a vida e a literatura.



Nelson Soares dos Santos

(Texto rascunho para exemplificar aos alunos como podemos  pensar a moral por meio da literatura) 

Eu tive contato com o preconceito, pela primeira vez, aos dez anos de idade. Era folia de reis e pintava na mente e no coração os primeiros olhares para as meninas. O pouso da Folia era na casa do Seu Licândio, compadre do meu pai. Ele tinha três filhas mais ou menos na mesma idade que eu e meu Irmão José Soares; era a Hildene, Elisdene, e a outra não me lembro o nome agora. Eu tinha olhares para a Elisdene que entre um e outro olhar disse para que eu ouvisse,  não namoraria aquele neguinho feio, que era eu.
Meu segundo contato com o preconceito foi aos doze anos. Eu estava na sexta série e apaixonei perdidamente por uma moça loira de nome Andréia Tavares. Era filha da professora de Português. Não preciso dizer que a história teve um fim terrivelmente triste, deixando traumas dos quais só fui me livrar fazendo psicanálise já no ano de 2003, quando concluía o mestrado em Educação. Os traumas estavam impedindo que eu conseguisse escrever a Dissertação de Mestrado. Esta é uma das razões pelas quais penso que pensar é psicanalisar a vida. Uma outra loira a que se chamava Ana Cordeiro, e que todos tratavam pejorativamente de Ana Pombo, deu-me aceitação para que o estrago não fosse maior, e, até mesmo a Silvana, irmã da dita cuja que machucou terrivelmente meu coração, era amiga e solidária – não sei se a minha dor, mas era amiga e solidária.
O preconceito que eu enfrentava não era apenas por ser negro, era também por ser pobre, por que meu papai bebia e sempre era visto bebâdo, nas ruas, nos fins de semana, e por que não tinha roupas. Sim, não tinha roupas. Amigos que ajudavam-me a enfrentar a dor do preconceito eu tinha dois, cujas lembranças são especiais: Wagner, exímio jogador de futebol, que não fosse o mal que as religiões causam as mentes juvenis, teria sido um dos maiores profissionais de futebol do nosso país; E Manoel Alves, cuja talento para jogar futebol era proporcional a pouca vontade que tinha para estudar. Felizmente, ambos venceram na vida e são exemplos de cidadania. Eles não apenas colocavam-me para jogar em seus times, com minha cabeça grande, pernas tortas, e totalmente perna de pau; como faziam todo esforço para que eu fosse aceito em todas as brincadeiras. Um dia ganhando na mega sena não esquecerei deles, nem tão pouco de tantos gols que perdi, só eu e a trave. Ao Wagner carrego a doce lembrança de ter tornado-me, em solidariedade a ele, torcedor do Vasco e que hoje tem me dado muitas alegrias.
No internato sofri pouco com o preconceito, devo admitir. Tinha amigas maravilhosas, admiradoras, das quais tenho as mais doces lembranças. Entretanto, foi o preconceito não dos outros, mas que existia dentro de meu ser que separou-me do meu grande amor. Eu não consegui aproximar-me por que não acreditava que merecia uma pessoa tão linda, tão doce, tão suave. Era uma deusa aos meus olhos e eu sentia-me  um farrapo humano no mundo. Todas estas dores e angústias interiores eram agravadas pelo tratamento preconceituoso de dois professores em especial: O professor Jairo, e o Professor Osvaldo, um funcionário, o Chefe da Manutenção, - Danilo, e o professor de Educação Física – Willer Cavalcante Prego. Tempos depois a esposa do professor Prego, a que eu admirava muito, disse-me que foi coisa construída na minha cabeça, e que ele jamais teria preconceito contra um aluno. Não sei se é verdade, nunca conversei com ele.
Outra perda causada pelo preconceito foi a possibilidade de ter construído uma bela amizade com uma colega, filha do professor que eu  admirava no colégio. Eu pensava que ela era racista. Anos depois, descobri que ela nunca foi, até tinha e tem preferência por negros, e que tinha medo de aproximar e sofrer preconceito, pois já havia namorado um negro e muito sofreu por tê-lo feito.
Foi no ano de 1993, que já professor do Ensino Médio e Fundamental começei a perceber que o preconceito de raça era algo social, cultural, mais forte que as pessoas. Comecei a perceber que algumas pessoas eram racistas sem querer sê-lo; outras, negavam ser quando na verdade o eram muito. Aprendi a conviver com o racismo e a ter orgulho da minha origem, e mergulhei em uma busca espiritual a qual só encontrei razoável satisfação no ano de 2004, quando conclui o curso de Mestrado em Reiki, quando finalmente aprendi e convenci-me de que somos todos iguais. Desde então abandonei a militância do movimento anti-racista, por que entendi que todo movimento de afirmação separa as pessoas e que meu dever é ajudar a todos a perceber o quanto são iguais e, por que devem viver em harmonia. Tornei-me um humanista radical.
Observo todos os dias o racismo e o preconceito de todas as formas. Negros, índios, gordos, magros, baixinhos, mulheres, e tantas outras formas. O preconceito é a negação do ser humano, a negação de nós mesmos, pois quando negamos ao outro o direito de ser feliz é a nós que estamos negando o direito a vida plena, pois estamos tão interligados a todos que é impossível não sentir a dor, cedo ou tarde, causada a alguém pela negação de seu aspecto e essência humana.

O preconceito na Literatura – O caso de O Mulato.

Também encontrei nos livros, muito cedo, o preconceito. Não entendia por que Gonçalves Dias exaltava tantos os índios e nada dizia dos negros. Apenas com Castro Alves e os abolicionistas senti-me contemplado com a bravura dos meus anscestrais. Já não precisava sentir-me um pouco índio, para ser contemplado nos versos: Não chores, meu filho/ não chores. A vida é combate que os fracos abate, que aos fortes e duros só pode exaltar. O poema “Navio Negreiro”, e “Vozes da África” falaram alto em meu coração. Decorei e declamei infinita vezes até que ressoou em minha alma.

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar... 

O meu coração tremeluzia cada vez que meus lábios pronunciava tal poema. Sentia a dor do poeta, repetia, com lágrimas e dor honesta a história no poema cantado. E como doía-me a dor das mulheres negras:

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael. 

Eu encontrei o clamor a Deus, eu que me perguntava por que Deus permitira tal desgraça a uma tão grandiosa nação. E encontrei, encontrei em “Vozes d” a Afríca” a mesma súplica, a mesma dor, a mesma desgraça, o mesmo suplicio vão. E a dor que rasgava meu peito juntava a história vivida. As brincadeiras que se ouvia, as esperanças eram depositadas no surgimento de heróis como Zumbi dos Palmares, Martim Luther King e Nelson Mandela. A literatura poesias aumentava minha dor, pois não contava vitórias, apenas as dores do mundo, as dores do sofrimento e da escravidão.
Foi assim que aos 14 anos recomendaram-em Aluísio de Azevedo. Comecei a ler o Mulato de forma frenética. Contava a história do Crioulo ou Mulato Raimundo. Dizia seu Joel que era exemplo de um vencendo na literatura. Qual foi minha decepção quando comecei a sentir as dores de Raimundo, o crioulo mulato. Raimundo, mulato, que sai de sua cidade cedo, estuda, fica letrado, volta e se apaixona por Ana Rosa e quem era Ana Rosa? Mulher volúvel leitora de Madame Bovarry, Primo Basílio, etc; e eu, que desgraçadamente já tinha lido tais livros logo que deduzi que tudo terminaria em desgraça. Madame Bovarry, e Luisa, da obra Primo Basílio, eu as tinha como verdadeiras prostitutas da alta sociedade, mulheres sem nenhuma moral ou pudor, que traem seu amores e amantes pelos prazeres da carne e apenas pelos prazeres da carne.
Raimundo, coitado, estava loucamente apaixonado por uma mulher dissoluta, hipócrita, capaz dos piores desatinos, do assassinato ao adultério. Depois de diversas leituras nunca consegui decifrar se Raimundo era um apaixonado ingenuo ou inocente ou se era mais um vencido pelo desejo desenfreado da carne. Talvez o autor, naturalista que é quis ilustra o aspecto sensual da raça negra, tentando mostrar ser uma fraqueza do homem negro o amor pelas mulheres. Talvez, é difícil crer em tal hipótese. Quem se dá ao trabalho de ler a biografia de Aluísio tem a impressão de que ele contava a própria história. Sua mãe traia abertamente o pai, e ele, teve diversos problemas ao longo da vida, dividindo sua história entre o Rio de Janeiro e São Luís do Maranhão.
Afinal, o mais dolorido na obra é quando no desfecho fica claro que o principal impedimento para que o amor acontecesse foi mesmo o fato de Raimundo ser um mulato, embora de olhos azuis, mas era um mulato. A obra, por naturalista que é, acaba mostrando, e dando a entender que a perversidade das classes baixas são determinadas pelas raças, pelo meio nos quais as pessoas vivem, quase que repetindo a sociologia de Auguste Comte e Hipolyte de Tayne. O preconceito, a perversidade, a hipocrisia, o adultério, aparecem de forma cabal em toda obra, que pode nos levar a entender não apenas o que a época e o autor tentou-nos mostrar, mas que o preconceito está na raiz de muitos males da nossa sociedade.

Sobre a moral e o preconceito em “O mulato”

Quando nos detemos no estudo do comportamento moral do ser humano não tem como deixar de perceber as fraquezas, e, estas aparecem até com mais forças do que as boas qualidades e virtudes. Na obra “ O Mulato” uma descrição naturalista da sociedade burguesa da época fica claro os vícios da burguesia e os desatinos do proletariado. A burguesia apresenta-se como uma classe cheia de Hipocrisia, ganância, inveja, ambição, dados a viver das aparências; e o proletariado, uma classe dada a luxúria, e, submetidos a luta pela sobrevivência entregam-se aos piores vícios.
Raimundo é um personagem em busca de si mesmo. Não consegue se colocar nesta sociedade. Letrado, já não consegue viver no meio do proletariado; mulato, não encontra espaço no meio da burguesia. Perdido entre um e outro espaço social, revela toda a sua fraqueza de espírito, cedendo, deixando-se enganar por uma mulher dissoluta, hipócrita e cruel. Não é difícil perceber que a estima de Raimundo é baixa. Não é difícil perceber as marcas que o preconceito e o racismo imprime em seu espírito. Raimundo é um modelo de uma época onde a luta do negro por emancipação era terrivelmente cruel.