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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Feliz 2014!!! Que o novo ano seja cheio da verdadeira prosperidade.



Nelson Soares dos Santos[1]
Há um senso comum de que pobreza é a falta de bens materiais e isso é verdade. Sem que se tenham as necessidades materiais básicas supridas nenhum ser humano consegue, facilmente, desenvolver a criatividade, o humanismo e ou mesmo a espiritualidade. Talvez por isso,  a luta contra a fome se tornou tão forte nestas terras tupiniquins. Entretanto, apenas saciar a fome de comida pode não ser a condição suficiente para se vencer a pobreza e daí por que as políticas sociais do Governo Lula/Dilma tem sido insuficiente como recurso para propiciar um desenvolvimento humano em bases seguras. Nos últimos anos quanto mais se tira gente da pobreza material no Brasil, mais aumenta a violência no trânsito, a criminalidade e tantas outras formas de doenças da sociedade. E mais ainda, está aumentando vertiginosamente outras formas de pobreza contras às quais é imperiosa uma luta constante se quisermos de fato construir uma sociedade com justiça social.

A Pobreza Política

Nos últimos anos tem ganhado corpo uma campanha pelo voto nulo baseado na ideia de que a forma para se mudar a política é votar nulo ou não ir votar. É a tentativa de resolver uma forma de pobreza política já denunciada pelo Professor da Universidade de Brasília, Pedro Demo, por outra forma ainda pior. Até então a pobreza política no Brasil se revela pela venda escancarada do voto, que, aliás, ainda persiste e explica as somas estratosféricas de dinheiro gasto em campanhas eleitorais, que por sua vez, explica a corrupção, as licitações viciadas, os escândalos e tantos outros males. Outra forma de pobreza já denunciada é a incapacidade do eleitor de conhecer as propostas políticas, saber diferenciá-las para então, poder escolher, de forma consciente aquela que acreditar ser a melhor.
A pobreza política da campanha do voto nulo e ou do não votar é tão ou mais cruel que as demais citadas por que feita por pessoas com algum nível de condições materiais e intelectuais. Trata-se de uma forma equivocada de travar uma luta que, de fato, só tem sentido pelo exercício da verdadeira cidadania e da supremacia da sociedade civil sobre o Estado, o que  não é possível acontecer quando aqueles que podem influir nos resultados simplesmente se recusam a participar do processo. Morbidamente, os representantes desta nova forma de pobreza tem grande porcentagem dos seus entre aqueles que tiveram acesso a  educação e aos bens materiais de que desfrutam por meio das políticas sociais implementadas nos últimos anos.

Pobreza Intelectual

Antigamente a pobreza intelectual do povo de nosso país era facilmente explicada pelo grande número de analfabetos. Agora, a questão se tornou mais complexa de se olhar. Os dados recentes revelam que grande parte da pobreza intelectual não se explica mais pelo grande número de analfabetos e sim de uma nova categoria de analfabetos: aqueles que estiveram na escola, uma grande parte dos que estiveram mesmo nas universidades e até nas boas Universidades, mas não são capazes de ler, interpretar ou escrever um bom texto. São os chamados analfabetos funcionais.
As mídias sociais estão cheias deles, e por que não aprenderam a pensar acreditam de forma dogmática  que possuem a verdade e saem por ai propagando as tais verdades nas quais acreditam; e se alguém ousa deles discordar são facilmente agredidos das formas mais vis e antidemocráticas que se pode esperar. Tenho medo da pobreza intelectual. É ela que é a semente do fanatismo, do dogmatismo e de todas as formas de ismos que tem levado a humanidade a guerras tão cruéis como aquelas que se matam em nome de Deus.
A pobreza intelectual já não está mais restrita as mídias sociais, estão nos jornais ( talvez este artigo sé esteja sendo publicado se beneficiando da existência dela), nas universidades, e nestas de forma perversa representada por um grande número de alunos que mesmo tendo sua formação financiada pelo dinheiro público estão terminando o curso superior sem saber ler, interpretar ou escrever. E se gabam, do que, não faço a mínima ideia por que nunca entendi para que Server um curso superior no qual o individuo não conseguir aprender as regras básicas do pensar.

A pobreza dos relacionamentos.

Há uma profunda pobreza dos relacionamentos em nossa sociedade. Os recursos tecnológicos que deveriam aproximar as pessoas têm o efeito contrário. É natural ver casais de namorados jantando juntos, em restaurante com uma dose extra de romantismo e cada um com os olhos fixos no celular navegando na internet. Já quase não existe tempo para o outro, aquele que está bem ali diante de nós. Pais e filhos cada vez mais distantes, esposos e esposas e neste diapasão a sociedade vai se adoecendo, aumentando a violência, a criminalidade e tantos outros males.
A pobreza dos relacionamentos é uma pobreza do amor e de amar. Nunca na história da humanidade o amor foi tão pobre e de tão pobre já não se ama mais sem fazer contas, afinal, o consumo e o desejo desenfreado de consumir tomou conta do conceito de ser feliz e de felicidade. A eterna busca do ser humano pelo ser vai se transformando em sua prima pobre – a busca pelo ter. E tão pobre a situação que mulheres não querem mais serem companheiras ou esposas, querem ter namorados ou maridos; e os homens de forma recíproca, com a diferença de que animados por uma cultura machistas ainda acreditam que tendo dinheiro e poder para consumir podem ter a mulher que sonham.
Nesta arena de gladiadores homens e mulheres se tornam solitários, amargos e infelizes. E quando buscam conforto na religião encontram aos milhares, não os pastores que podem os ensinar o caminho de volta ao ser humano, ao lado divino do ser humano, mas uma seara de falsos profetas cada um com uma verdade, e no final, em todas as verdades falsas lá está o ter sobrepondo sobre o ser, o consumir sobrepondo ao existir. Não é fácil reencontrar o caminho, que, aliás, se encontra no interior de cada ser humano, no lado mais divino e único de cada homem e cada mulher.
Feliz 2014.
2014 será um ano muito melhor se tivermos coragem de enfrentar todas as formas de pobreza que certamente não se restringe às citadas neste artigo. Há inúmeras outras, com inúmeras gradações. A coragem para superar todas as formas de pobreza é o caminho do humanismo, o caminho que coloca o homem, o ser  humano como centro de nossas reflexões. Neste caminho não se pode deixar de valorizar a educação, o professor, os pais, a família. Será no encontro com o outro que venceremos o maior desafio do ano que vindouro – o desafio de nos tornar melhores como seres humanos.
E este desafio será vencido quando formos capazes de transformar em pauta doméstica um debate que envolva a coragem de propor e enfrentar um saneamento moral. Falar de virtudes humanas e viver as virtudes humanas que só é possível quando o outro deixa de ser coisa para ser semelhante. Reconhecer a alteridade, ver no outro um espelho, nas lutas as oportunidades de sermos melhores – Eis as lutas para o ano que se inicia. Feliz 2014. E que todos tenhamos uma no qual lutamos e vencemos diversas formas de pobreza nos tornamos mais humano, e mais divino.





[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, 1º Secretário Geral do PPS goianiense, membro Executiva do PPS-Goiás, e membro da Direção Nacional do PPS

PPS – Um partido renovado para restabelecer a esperança.


Nelson Soares dos Santos[1]

Sob a Insigne “Uma nova Agenda para o Brasil: Nova Política, Nova Economia e Novo Governo”, O PPS, Partido Popular Socialista reuniu mais de 250 delegados entre os dias 06 e 08 de Dezembro, na cidade de São Paulo para a realização do seu 18º Congresso Nacional. Mais do que dirigentes e delegados de todos os estados brasileiros, homens e mulheres comprometidos com o futuro do país e a construção de uma cultura de paz entre as nações. Um espaço onde a democracia pode ser exercitada, as contradições exploradas, a cidadania vivida na busca de caminhos que pudessem permitir olhar o futuro de forma otimista e com responsabilidade.
De minha parte, levei ao Congresso Nacional do Partido, duas propostas de emendas ao documento: Uma moção em defesa da Educação Pública, e o requerimento para a criação de uma Coordenação Nacional de Combate ao Racismo como órgão de cooperação da Direção Nacional e com assento na mesma. Mas do que ter tido a alegria de ter visto ambas as propostas aprovadas por absoluta maioria dos delegados presentes, um brilho nos olhos dos velhos guerreiros realçava a alegria de um partido que se renova que busca os caminhos da igualdade, da democracia e do exercício da cidadania participativa sua marca na história.
Sinto orgulho de ter participado de tal feito memorável, e que certamente a história haverá de se lembrar de um momento no qual um partido se construiu fundado nos mais sólidos valores do humanismo, da defesa da igualdade entres os seres humanos, do combate a todas as formas de preconceito e discriminação, como um marco inicial no processo da construção de um desenvolvimento humano em bases seguras, em um país onde a desigualdade ainda reina, e as políticas de inclusão social repetem os erros de uma sociedade patriarcal.
No artigo segundo do seu Estatuto, o partido declara: “O partido se declara humanista, socialista e ambientalista, conceitos enriquecidos com a experiência dos movimentos operários e populares, resgatando a melhor tradição do pensamento Marxista e do Humanismo libertário. Por sua essência democrática e laica, o Partido exclui dogmatismo e sectarismos, e se concebe como um organismo aberto à renovação de ideias e dos métodos, em um marco de respeito à pluralidade das concepções”. Concebido em tais princípios e nos valores mais sólidos da democracia, o partido não teme enfrentar o debate de formulação de um novo conceito de socialismo, não teme colocar na valorização da cidadania suas esperanças mais profundas, por que entende que é no ser humano e na complexidade de Ser do Humano que estão todas as possibilidades de construção de uma sociedade justa.
A Moção por Educação de qualidade.

Compreendendo a complexidade de tais princípios é que propus ao Congresso Nacional avançar na questão da Educação. No congresso Anterior já havia proposto que  a bancada federal assumisse a luta pela educação, o que foi feito com louvor e responsabilidade. Desta feita, propus que o partido se debruçasse, todos os seus dirigentes, nacionais, estaduais, municipais, juventude, mulheres e todos os simpatizantes do partido em um debate sobre a questão da Educação.
Neste debate deverá evocar questões como: Como promover uma Educação pública de qualidade? Escola Integral? Como o Estado deve controlar e fiscalizar a qualidade das escolas particulares para preservar os ensinamentos que contribua para uma educação humanista e libertária? Como se deve desenvolver um processo de valorização do Educador  que contemple a questão salarial com urgência mas que vá muito além das questões salariais? Como desenvolver a vocação para o magistério em nossos jovens?
A ideia de colocar as questões sem respostas prontas advém de compreender o papel do partido como indutor do debate, de tal forma que permita ao cidadão ser ouvido, ideias serem desenvolvidas e a cidadania valorizada. Para, além disso, significa levar o conceito de democracia e de poder local ao seu ponto máximo, fazendo o cidadão sentir-se responsável pela construção do seu futuro. A colocação da Educação em primeiro plano significa e mostra a crença na capacidade do ser Humano de se renovar, e de que é aprimorando os homens que construiremos um novo modelo de sociedade.
Uma Política Humanista de Combate ao Racismo.

A segunda proposta que fizemos foi levantar a discussão sobre as políticas de igualdade racial que tem sido aplicada no nosso país. Acreditamos que um país como o Brasil, com tão grande diversidade não pode continuar desenvolvendo uma política de igualdade racial que em sua essência começa a insuflar o ódio entre as raças, o rancor, o ressentimento e tantos outros sentimentos ruins que contribui mais para separar do que para unir os povos.
Isso não quer dizer que estamos negando as profundas diferenças que existem entre negros, índios e brancos; mas que a luta pela igualdade deve ser desenvolvida com sabedoria. É chegada a hora de refletir os limites das políticas de cotas raciais – será direito  ter cotas para concurso público? –; É chegada a hora de refletir como estão se desenvolvendo as relações entre negros e brancos na questão das cotas, e mesmo, a distinção entre o que é preconceito de raças e preconceito de classe.
Como resultado da proposta do debate, foi criada a Coordenação Nacional de Combate ao Racismo (CCR), como órgão de cooperação do partido com a mesma responsabilidade de órgãos como a Coordenação Nacional de Mulheres e  Juventude Popular Socialista. O Dever da Coordenação será propor uma política alternativa de combate ao racismo, funda nos valores do humanismo libertário, do socialismo, da sustentabilidade, da democracia e do exercício e valorização da cidadania.
A luta pela educação de qualidade, fundada em valores humanistas e libertários, e a construção de canais para dissolver todas as formas de preconceito e discriminação pode se mostrar como um caminho para a construção de um novo modelo de democracia. Uma agenda que poderá proporcionar a construção de um desenvolvimento em bases seguras, um desenvolvimento humano, criativo, solidário e com um ciclo virtuoso. O PPS caminha a passos largos para cumprir o seu papel na construção de uma sociedade onde o respeito diversidade e a tolerância às diferenças seja primordial. Que o futuro nos espere.





[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, Licenciado em Pedagogia pela UFT, Mestre em Educação Brasileira pela UFG. É 1º Secretário Geral do PPS da Cidade de Goiânia, membro da direção estadual do PPS-Goiás, e da Direção Nacional do PPS.

domingo, 22 de dezembro de 2013

O Natal e ensinamentos políticos do Mestre Jesus.



Nelson Soares dos Santos[1]

“Vai vende tudo que tens, e dá aos pobres.  Jesus”
Nasci cristão e não posso dizer que os princípios humanistas que regem minhas ações não tenham no cristianismo sua maior influência. Hoje, quando olho para sociedade não deixo de ver que se fato seguíssemos os ensinamentos do Mestre Jesus muitos dos problemas que temos não existiriam. Arrisco dizer que na essência a ideia de socialismo e comunismo tem ponto de encontro com aquilo que o Mestre da Galiléia ensinou. Ser humanista, democrata e socialista é ser olhar o mundo, um pouco da forma como o mestre olhou. Ver todos os homens como iguais, como tendo direito às mesmas oportunidades, a igual pedação de pão. Em um ano pré-eleitoral talvez seja interessante, neste natal, refletir um pouco sobre o que mestre diria aqueles que pretendem ser governantes do povo, e, ao próprio povo.

“Bem aventurado os simples e humildes por que deles é o reino dos céus”.

No momento pré-eleitoral está marcando o debate político a questão do financiamento das campanhas. Não são poucos os que dizem que só podem ser candidatos àqueles que possuem muito dinheiro para tocar as campanhas, pagar cabos eleitorais, comprar currais eleitorais. Dizem por aí, que tem um candidato com mais de dois bilhões reservados para tocar uma campanha de governador. Os tais candidatos endinheirados alardeiam por todos os lados o quanto vão gastar, e até mesmo, como vão gastar, colocando toda a fé da vitória sobre o dinheiro como se o povo não tivesse nenhuma consciência e fossem apenas mercadorias, objetos inanimados que podem ser vendidos e comprados em um mercado.
Os candidatos ricos já não possuem humildade ou mesmo sentimento de apreensão. Admitem que gastando milhões na campanha eleitoral, serão ressarcidos pelos cofres públicos, ou seja, todo dinheiro não sairá do bolso deles e sim do bolso dos mais pobres. Totalmente em contradição com os ensinamentos do Cristo, do qual dizem serem seguidores. Em vez de vender tudo que têm e dar aos pobres, eles encontram maneiras astuciosas de tirar tudo que pode ir para o bolso dos pobres. E assim, aumenta a fome, a miséria, a violência e todos os males dos quais a humanidade sofre.

A igualdade e a tolerância.

Jesus era um homem que comia com fariseus, atendia pecadores, publicanos, samaritanos e todos os proscritos da sociedade. Sua lição foi a de que todos os indivíduos são filhos do mesmo pai celestial, e por isso, são dignos de atenção, de cuidado, merecem, portanto, o direito de terem condições de se tornarem melhores homens. Os ensinamentos de igualdade e tolerância já não são mais lembrados pela maioria dos nossos políticos. Eles insistem em ver o povo apenas como uma parcela da sociedade que precisa de “esmolas”. Sim, as casas nas julgam que o povo deve habitar não possui qualidade, não traz conforto. As escolas públicas não possuem qualidade, e os grandes empresários  arrancam tudo que o pobre tem seja na exploração do trabalho, ou na venda a preços caros dos alimentos que este mesmo trabalhador produziu.
Os que querem governar, em vez de incentivar o tratamento igualitário e a tolerância, insuflam o ódio e as diferenças, sejam elas religiosas, de raças ou de gênero. Não são os ensinamentos do Mestre Jesus. Ele ensinou as virtudes, a paciência, a tolerância, a bondade, a verdade, a coragem, a prudência, e maior de todas, a virtude do amor.  O amor é esta virtude que nos faz desejar servir em vez de sermos servidos, que permite ao outro ter a liberdade de escolher, e que faz ver no outro, no nosso semelhante também a nossa imagem, o que nos leva a uma ecologia espiritual, por que nos torna conscientes de que no final, somos todos UM, e o mal que fazemos ao próximo fazemo-nos a nós mesmos.

O Significado do Natal para uma sociedade humanista.

O dinheiro usurpou o aniversariante e o natal significa muito mais comer, comprar, dar, e ganhar presentes do que sentir a divina presença humana do outro que conosco parte o pão. Em uma sociedade humanista é a presença do outro que deve ocupar o lugar do consumo desenfreado. É a convivência pacífica com as diferenças que deve ocupar o lugar da competição que mata e destrói. O dinheiro deverá perder o valor que hoje tem nele mesmo a única razão de existir, e a exploração do homem pelo homem, de forma cruel e vexatória como temos na atualidade deverá dar lugar a solidariedade e ao companheirismo.
No humanismo socialista será tanto um dever lutar pelo pão quanto o será ter a consciência de repartir o pão e dar a cada um de acordo com as suas necessidades. Em tal humanismo é essência humana a senhora de todas as coisas, e o caminho será a evolução da sociedade na construção da valoração do ser humano acima de todas as coisas. A  consciência da radicalidade democrática levará ao desenvolvimento da tolerância e do diálogo em uma possibilidade de um diálogo profundo com os ensinamentos do Mestre Cristão. E as diferenças serão motivo de grandeza e não de mortes e misérias.  Então, que neste natal, possamos refletir se não é o ser humano a verdadeira razão e sentido das palavras do Mestre Jesus.




[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário na Faculdade Delta, 1º Secretário Geral do PPS de Goiânia e membro da direção estadual do PPS Goiás, e membro da Direção Nacional do PPS.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Hipócritas!!! – Deixem Mandela descansar em Paz.


Nelson Soares dos Santos[1]

Quando vejo tantos chefes de Estado indo velar Mandela, sinto-me agredido, por que nada me agride mais que a hipocrisia descarada e sem vergonha. E por que é hipocrisia, os líderes de países desenvolvidos e tanta gente, dizer agora que admira Mandela e os princípios que seguiu na vida? É simples: a luta de Madiba nunca terminou, pelo contrário, está cada vez mais difícil, mais cruel, mais dura.

A hipocrisia dos conservadores.

Quando vejo conservadores e reacionários usando o discurso de igualdade para justificar ser contra as cotas raciais dá um verdadeiro asco. Ora, Madiba nunca deixou de lutar pela emancipação do negro. O que ele fez foi perceber que para além da luta de raças há uma luta mais cruel, a luta de classes e que para vencer esta luta os iguais tem que se unir em busca de soluções. Na prisão, Madiba via nos guardas das prisões, assalariados, explorados pessoas tão prisioneiras como ele e então ele entendeu que para além da questão de raça havia algo mais contra o que lutar, e que a própria diferenças de raças foram utilizadas apenas como meio de manter uma tipo de dominação, que em síntese, repousava no direito de possuir condições materiais de vida com qualidade.
Os conservadores que hoje fazem coro ao discurso do velho Madiba deveriam ser generosos com seus funcionários. Ele próprio era assim. Procurava saber dos problemas de cada um dos familiares daqueles que com ele trabalhava. Procurava ouvir, era sensível aos problemas de todos, e mantinha-se firme contra qualquer tipo de injustiça. Madiba era movido por uma vontade e um espírito de justiça que não está presente em nenhum destes chefes de Estado que hoje o homenageiam.

A hipocrisia dos radicais.

Os radicais usam a imagem de Mandela para insuflar o ódio e ressentimento naqueles que são vítimas de racismo. E esquecem que Mandela não pregava a violência. Ele comandou sim o braço armado do CNA, mas mesmo no comando ele estava o tempo todo preocupado em não usar de violência senão em auto-defesa e quando fosse extremamente necessário.
O argumento de dizer que os negros são racistas, utilizados pelos conservadores, quando dizem que só depois da cadeia Mandela se tornou um estadista é também hipocrisia. Na cadeia, Madiba lamentava cada morte, cada massacre dos irmãos negros que estavam na luta e escrevia carta encorajando, quando podia. Quando saiu da cadeia ele entendeu que o tempo da violência já tinha passado. E assim ele ensinava a lição, que devemos lutar com as armas que o momento exige. Os radicais do outro lado, não entenderam esta lição, por que nos dias atuais a luta não é pela violência, é a luta pacífica do diálogo, da autolibertação.
Em sua biografia escrita na prisão Mandela fala da importância do homem desenvolver a vontade, o espírito de Justiça, mas também a temperança, a tolerância aliada sempre a coragem e a prudência. Segundo ele, se meditarmos todos os dias, por cinco minutos é suficiente para entender que nós e o Universo somos uma unidade. Então a grande lição de Mandela é que temos que lutar com nossas forças e, com que forças temos, para garantir a liberdade, a igualdade e a certeza de que todos os homens somos irmãos indiferentes da raça, da cor da pele, da origem, ou de qualquer outra diferença.

O Tributo a Mandela.

Quem quiser fazer algum tributo a Mandela que siga algumas de suas lições. Um homem que nunca foi dado a autoglorificação não estaria feliz vendo tanto dinheiro sendo gasto em seu velório e enterro enquanto tantos morrem de Aids ( sua última grande luta), de fome, e de tanta violência.
Pior que isso, certamente ele gostaria de ver os homens mais sensíveis à presença e ao sofrimento dos próprios homens. Certamente que a servidão moderna do consumismo que transforma a tudo e a todos em objetos seria uma grande luta do nosso querido líder Sul-Africano. O verdadeiro tributo à Mandela é dar bom dia ao porteiro, como ele fez com os guardas na prisão; ouvir os mais simples, tocar naqueles que estão no nosso meio com seres invisíveis e não aceitar qualquer forma de injustiça.
Podemos sim seguir em frente. A luta não vai acabar. Como ele mesmo disse, quando subimos uma montanha o que descobrimos é que existem muitas outras montanhas a subir, muitos outros caminhos a seguir. E a luta pela igualdade entre os homens, pelo fim das injustiças, pela dignidade humana continuará, por que afinal, Mandela continuará vivo nos corações daqueles que realmente compreenderam a história por ele vivida.









[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Discurso do Presidente Itamar Franco no Lançamento do Plano Real. ( 1º de Julho de 1994)


Senhor  presidente do Congresso Nacional, Senhor presidente da Câmara dos Deputados, Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, Senhores líderes do Governo no Senado e na Câmara, Senhores Ministros de Estado, Senhores Jornalistas, Senhores e Senhoras, moços e moças.
Os homens são construídos pela vontade, e esta mesma vontade reunida pela esperança levanta as nações e as projeta no tempo, em sua necessária aspiração a eternidade. A vontade, mais do que o vento, mas do que as volúveis correntes marinhas, trouxe as caravelas a esta terra para em seguida abrir o caminho aos sertões, empurrar a linha de Tordesilhas, até a muralha ocidental da cordilheira e edificar a mais importante sociedade ao sul do Equador.
A esta vontade tão poderosa, tem faltado ao longo dos séculos, e mais ainda, ao longo deste século, outra e indispensável virtude. A virtude da Justiça. Desprovido do espírito de Justiça os homens podem ser individualmente prósperos mas não fazem ricas as nações, desprovido de justiça, que deve ser o instrumento prático ao dar equidade de valor ao trabalho e aos bens, a moeda perde o respeito dos homens e longe de servir aos povos, corrompe a sociedade, desfaz os valores morais, destroça a esperança e enfraquece a vontade.
Com a chegada do real neste primeiro de julho o Brasil tem a oportunidade de mudar de forma definitiva o curso de sua história. A moeda é o mais concreto dos atos de confiança das nações em si mesmas, por isso, todos os processos inflacionários da história se relaciona com as crises políticas e morais. É a inflação que tem cobrado dos mais pobres, daqueles que não tem como se proteger, o mais pesado de todos os impostos, o imposto da inflação. Por que são os mais pobres, os trabalhadores mais humildes, a grande maioria do nosso povo os que veem o seu salário corroído impiedosamente logo após o primeiro dia do pagamento. São eles que sentem mais de perto, os efeitos de um mercado de trabalho que não acompanha o crescimento da nossa população e nem a sua expectativa de uma vida melhor por que faltam os investimentos produtivos que a inflação canaliza para a especulação.
Ética e responsabilidade, transparência e diálogo são as qualidade que marcam os atos praticados em uma democracia. São estas qualidade que inspiraram o plano real desde sua criação, e são elas que asseguraram o seu êxito, por que fizeram com que o plano fosse conhecido e discutido amplamente pela sociedade, pelo congresso nacional, pelos agentes econômicos, pelo cidadão. Mais de uma vez eu vim a público para expressar sentimentos e inquietações do homem do povo, daqueles que na sua busca de justiça e proteção se voltam para o presidente da república como depositário de suas esperanças. Fui por vez incompreendida ao fazer isso, mas este é um dever indeclinável do governante.
Sei que agora eu interpreto um sentimento de confiança da maioria dos brasileiros. De esperança tão próximas de realizar. Esta confiança deve ser a principal motivação para que o governo continue inteiramente empenhado no êxito do plano real, por que esta confiança é o que está mobilizando cada cidadão que deseja o êxito do plano real. E eu não tenho dúvida de que eles são maioria, uma maioria que cresce e participa, que faz a história do novo tempo que está começando.
Senhor Presidente das casas legislativas, Senhor presidente do STF, Senhores lideres, senhores ministros, senhoras e senhores, moças e moços, o empenho do governo para o êxito do plano de estabilização monetária não se limitará a declarações e  aos atos gerais da administração financeira. Para a moeda seja preservada empregaremos todos os recursos constitucionais de que dispomos. O governo não aceitará e nem permitirá, interesses particulares, nem sempre legítimos, se sobreponham aos superiores direitos da coletividade.
O Governo sabe que poderá contar com a maioria dos empresários brasileiros, que não tendo mais que acrescentar aos seus preços os elevados custos financeiros poderão trabalhar com tranquilidade e contribuir decisivamente para o fim definitivo da inflação. De nada nos adiantará moeda estável se sua estabilidade estiver fundada na recessão econômica. Nosso objetivo é do desenvolvimento em bases seguras com a criação de empregos remunerados com justiça de tal maneira que todos os brasileiros se orgulhem do Brasil e se disponham a defender a sua soberania.
 Repito-lhes que o real é conquista política de todo povo brasileiro exausto das injustiças que a inflação agrava e disposto a fazer a pátria com a qual sonharam os nossos antepassados. Só o povo com a sua vigilância e seu empenho ético poderá assegurar seu êxito permanente. A grandeza dessa conquista transcende a circunstancia do tempo eleitoral. Trata-se,  do esforço de toda a nação, e coube ao presidente da república coordenar e administrar, a fim de no cumprimento do impostergável dever deixar ao seu sucessor quem quer que seja o escolhido moeda sólida capaz de promover o desenvolvimento sem faltar a justiça. Estou certo de que desta minha fé, comunga todos os senhores e todo o cidadão brasileiro de boa vontade. Muito obrigado.
Abaixo o link do audio.
http://www.youtube.com/watch?v=gVdmwRfBYrQ&list=PLA5690E9BE1511E33&feature=mh_lolz



Avançar na luta em defesa de uma Educação de qualidade e de políticas públicas mais igualitárias.


Nelson Soares dos Santos[1]

No Congresso passado fui um dos signatários da proposta segundo a qual o partido deveria assumir de forma propositiva a discussão sobre a qualidade da Educação em nosso país. E por ser um dos propositores acompanhei com atenção o desempenho da direção do partido e de cada um dos nossos parlamentares federais no tratamento da questão. É possível dizer com tranquilidade que avançamos na forma como a questão foi tratada. E o principal avanço foi mesmo o fato de que tanto a Direção Nacional do Partido, quanto os parlamentares federais levaram a sério a questão, entrando na discussão com os outros partidos de forma altaneira e, acrescentando qualidade ao debate hoje dominado pelo Partido dos Trabalhadores.
O ponto alto deste histórico foi certamente a Conferência Nacional realizada pelo Partido na Câmara Federal. Ali, o partido mostrou-se propositivo e não reativo. Para além dos erros políticos da realização do evento, o partido discutiu temas importantes, e na conferência sobre a Educação iniciou uma aproximação com uma figura emblemática da questão educacional que é Cristovam Buarque. As propostas suscitadas naquela conferência, caso tivesse sido levado adiante, certamente teria produzido um documento propositivo sobre a questão da educação o que nos tiraria da situação de reatividade e da denúncia sem propostas.

Avançar no debate, chegar às bases do partido.

A questão que se coloca para o partido é como avançar na construção de uma contribuição real e propositiva no campo das políticas públicas, que a rigor, significa o partido se debruçarem sobre uma proposta de sociedade brasileira, uma proposta de projeto de desenvolvimento, que, pelos princípios emanados no último congresso será uma proposta humanista, democrática e socialista.  Tal debate deve envolver, inicialmente os educadores e especialistas em Educação e políticas públicas, militantes e simpatizantes do partido para em seguida ser levado a todo o partido, o que certamente produzirá um debate rico e construtivo.
Mas como avançar em um debate de tal natureza? Segue algumas propostas que podem ser relevantes.
1.    Orientar todas as instâncias partidárias a discutir a questão da educação, com eixos básicos centrados na qualidade do ensino, valorização do educador, e modelo didático-pedagógico.
2.   Designar um educador que conduza o debate junto às direções estaduais e municipais com a chancela da Fundação Astrogildo Pereira;
3.   Orientar as direções municipais e estaduais a se posicionarem diante dos problemas educacionais enfrentados nos munícipios e nos Estados;
4.   Defesa intransigente de meios de se valorizar o educador;
5.   Defesa de investimento prioritariamente na Escola Pública mantida pelo Estado;
6.   Fiscalizar, por meio dos militantes, dirigentes e ou parlamentares o cumprimento dos gastos constitucionais com a Educação e a forma como   os mesmos tem sido feito.
7.   Realização em todos estados, capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes de seminários de discussão do tema com os dirigentes, militantes e simpatizantes do partido.
8.   Emitir neste congresso moção de repúdio a todos os governantes que não respeitaram o direito de manifestação e de greve dos professores, e, no caso de alguns usaram da força policial repressiva de modo truculento.
Creio que se conseguirmos colocar em prática estes oito pontos teremos ao final da gestão que se inicia com este congresso avançado bastante no objetivo de mostrar a sociedade que o investimento em Educação é o principal caminho para que uma nação tenha um desenvolvimento humano e com democracia. Envolver todos os dirigentes partidários, militantes e simpatizantes no processo de reconhecimento da importância da educação na história de uma nação  será o caminho para fazer germinar ideias inovadoras no processo de gestão e criação de novas políticas educacionais.
Outrossim, o PPS estará cumprindo o seu papel de vanguarda na sociedade, assumindo o lugar de propositor e saindo da reatividade. Todos os países que compreenderam a importância do papel da Educação na construção de uma sociedade mais igualitária avançaram no índice IDH, como pode ser visto facilmente quando analisamos a história recente de Cabo Verde, Coréia do Sul, e o caso mais conhecido que o do Japão. O Brasil pode fazer uma revolução e transformar seu desenvolvimento, hoje canibal, em desenvolvimento humano, mas isso não será feito se não compreendermos com clareza o papel da Educação nas sociedades atuais.







[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro do Diretório Estadual do PPS de Goiás.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Por uma política humanista de combate ao Racismo.


Nelson Soares dos Santos[1]

Não consigo conceber a ideia de um partido humanista, democrata e socialista sem que haja no seu interior e por meio de sua força na sociedade uma luta constante por igualdade de oportunidades. No congresso passado, trouxe a ideia de que era preciso que lutássemos por educação de qualidade e não posso dizer que tenha sido em vão. O Partido esteve presente, na esfera federal, em todas as discussões sobre os avanços na política educacional, embora, internamente e nas direções estaduais a questão parece não ter avançado bem, pois não surgiu como assuntos nos debates dos congressos estaduais os quais acompanhei.
Embora não tenha esquecido a cara questão da Educação, que ao meu ver, o partido deve assumir a responsabilidade de apresentar ao país uma proposta de política educacional inovadora, o que me traz a este momento é uma outra questão, tão cara quanto ao direito de educação para todos: a questão da igualdade racial. Hoje, praticamente todos os partidos sérios possui lideranças engajadas e com propostas no campo da Igualdade Racial, sendo os mais avançados, tanto na teoria quanto na prática, os movimentos ligados ao PT e ao PC do B. O primeiro, por meio do Movimento Negro Unificado ( MNU), e o segundo, por meio do Movimento “ União dos negros pela Igualdade” ( UNEGRO). Tais partidos e movimentos vem dando constantes contribuições a causa da igualdade racial no Brasil tanto no  campo da teoria quanto da prática. Entretanto, nos últimos anos a ação destes mesmos partidos tem feito a luta racial seguir por caminhos tortuosos e limitado o alcance da mesma.
Aficionados por uma ideia de militância politica e defesa do poder, e de se estar no poder os movimentos vem se apequenando e perdendo a característica emancipadora e libertária. A luta do negro não pode ser para vencer o branco, não pode ser uma luta pela ocupação de espaços de dominação do outro, antes, é uma luta que deve trazer em si a libertação de todas as raças, por que fundada em uma ecologia da sustentabilidade onde a tolerância às diferenças seja a chave para o convívio pacífico com todos e entre todas as raças. A ideia da igualdade não pode suplantar o mérito sob o risco de apenas inverter a realidade e continuarmos em uma sociedade tão injusta quanto antes.
São por estas razões que o PPS, um partido humanista, defensor da radicalidade democrática, socialista e libertário não pode se furtar a apresentar a sociedade brasileira uma proposta de política humanista de combate ao preconceito racial e a todas as formas de discriminação. Uma política que traga em seus fundamentos a libertação do ser humano da servidão a que todos estão submetidos na atualidade, desde o consumismo perverso a outras formas cruéis e reacionárias de dominação.
A questão do negro no Brasil.
Os avanços da luta por igualdade racial no Brasil são visíveis até mesmo para aquele mais cruel racista que se nega a ver. Há avanços simbólicos como a criação do dia nacional da Consciência Negra ( 20 de novembro); como uma forma de reconhecimento a grande contribuição de Zumbi dos Palmares na construção de nossa brasilidade; até as conquistas mais efetivas como as leis de cotas que geram a emancipação financeira, social e intelectual de muitos negros.
Podemos citar em poucas palavras a situação atual nos tópicos abaixo.
a)                                  Esgotaram-se as dúvidas e os questionamentos sobre a legalidade e legitimidade das ações afirmativas com o pronunciamento do STF na ADPF movida pelo DEM contra as cotas raciais nas universidades públicas. Para o STF as cotas são constitucionais e legítimas, podemos através delas incluir negros e pobres nas melhores universidades públicas brasileiras, bem como podemos lançar mãos de várias iniciativas com vista a mitigar as desigualdades decorrentes dos agravos do racismo.
b)                                  Foi instituída uma mais densa rede institucional de igualdade racial - essa rede compreende a soma dos conselhos, assessorias, coordenadorias, secretarias de igualdade racial nos âmbitos municipais, estaduais e federal - consolidando a dimensão antirracismo no pacto federativo.
c)                                   Foi aperfeiçoado o ordenamento jurídico brasileiro em matéria antidiscriminatória. A aprovação da Lei 10.639/03 que institui a obrigatoriedade do ensino da África e da Cultura Afrobrasileira nas escolas, do Estatuto da Igualdade Racial e da Lei que institui cotas nas universidades públicas federais somadas aos preceitos constitucionais, leis e decretos presidenciais existentes ou recém-promulgados coloca o Brasil na dianteira em relação a legislação de proteção e promoção social de população racialmente discriminada e marginalizada socioeconomicamente. 
d)                                  Por fim, dos novos membros da classe média brasileira que se constitui nos últimos dez anos, 78% são negros, o que mostra que a política de cotas é um caminho certo para minorar as desigualdades no país.
Apesar de tais avanços o racismo resiste, seus nefastos efeitos como a desigualdade salarial entre negros e brancos (36% segundo DIEESE); sub-representação de negros em espaços de decisão e poder (a população equivalem 50,6% dos brasileiros e 8,3% dos congressistas, segundo pesquisa da UNEGRO de 2011, e, se for feito um levantamento esta mesma porcentagem ou semelhante será encontrada nos partidos políticos e demais instituições, inclusive no nosso partido) e o espantoso índice de homicídio que tem vitimizado a juventude negra (o índice de mortes violentas de jovens negros foi de 72, para cada 100 mil habitantes; enquanto entre os jovens brancos foi de 28,3 por 100 mil habitantes, segundo Mapa da Violência) sintetizam a força do racismo no Brasil.
Acresce-se a isso que a emancipação, quando e onde houve se restringiu ao aspecto financeiro e por vezes, intelectual ( hoje já existe inclusive o Conpene – Congresso Nacional de Pesquisadores negros; grupos de pesquisas nas principais Associações Científicas do país, e programas de mestrado e doutorados  direcionados a negros, bem como tentativa de inserção dos mesmos em carreiras antes totalmente fechadas, como a diplomacia), não alcançando a emancipação política e espiritual. O negro continua sendo extremamente sub-representado no meio político, nos partidos políticos e outras instituições de caráter político; e, sua religião continua não re conhecida pelo Estado.
Uma política Humanista de Combate ao Racismo.
Uma política Humanista, democrática e socialista de combate ao racismos deve ir além da proposição da emancipação financeira e intelectual. Deve primar pela libertação política, pelo aprendizado do uso da liberdade e da libertação de si mesmo para ir de encontro com o ser humano. Parece que afinal era esta a ideia do PPS em um passado recente, quando de forma avançada propôs o fim do conceito de estrangeiro. Uma política de combate ao racismo não deve envolver apenas a emancipação dos negros, mas de todas as raças e a inclusão das mesmas no espectro social promovendo uma ecologia sustentável e coexistência pacífica entre todos.
É claro que jamais deve se perder de vista a luta pela emancipação financeira. Esta deve ser a base e o fundamento de toda as demais lutas. Entretanto, aqueles que já alcançaram esta meta devem seguir adiante em busca de uma consciência humana. Daí por que a proposta não é de criação de um movimento negro no partido, e sim, de uma Coordenação Nacional de Combate a todas as formas de racismo, preconceito e discriminação.
Esta coordenação terá como responsabilidade percorrer o país, discutir as formas de preconceito, racismo e discriminação para apresentar contribuições para a elaboração de uma politica nacional ou que apresente avanços aos arremedos de política nacionais hoje implementados. E desta forma poderemos dizer que não nos omitimos em uma luta que certamente se acirrará nos próximos anos e que poderá trazer consequências a toda população brasileira e aos destinos de nossa nação.



[1] Nelson Soares dos Santos é membro do diretório Estadual do PPS em Goiás, e professor Universitário.