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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fundamentalistas - O que é? Quem São? Onde estão.



Eu prefiro sempre falar de amor, de paz, de harmonia. Mas o que é a paz? Existe a paz sem a guerra? Há que distância está o amor do ódio? E existe uma forma certa e absoluta de se viver no amor? Afinal existe um bem absoluto?  São tais questões que levam algumas pessoas a buscarem respostas indefinidamente ou a aceitar como respostas algo que do ponto de vista da razão não se sustenta.  E pior, aceitam de forma definitiva, absoluta, sem que dêem espaço a discussão e a possibilidade de outros discordarem e viverem de forma diferente.
Estas são as características das pessoas que são chamadas de fundamentalistas. Por ironia o destino no tempo em que a  palavra  é utilizada de forma pejorativa e aplicada apenas a mulçumanos e terroristas é bom lembrar que a palavra na sua origem tinha um outro sentido e significado. Em sua origem a palavra fundamentalismo estava ligado a idéia de fundamentos firmes em alusão às construções antigas, e portanto, aplicável às pessoas que valorizavam o suporte cultural e filosófico para a construção de suas crenças e valores.
Na religião, a palavra passou a ser aplicada aos protestantes reformistas, por estes valorizarem os ensinamentos do antigo testamento, e a leitura direta da bíblia como fundamento da nova fé. No século XX ( 1920) algumas igrejas adotaram princípios definidos de interpretação de algumas questões bíblicas, tornando-as o fundamento de suas crenças. A Igreja Presbiteriana foi a primeira a adotar tal norma. Os cinco dogmas adotados pela Assembléia Geral presbiteriana ( 1. Inerrãncia da Bíblia, 2. Nascimento virginal de cristo. 3. Morte vicária de cristo. 4. Resssureição corpórea de cristo; 5. Historicidade dos milagres), passaram a ser com pequenas mudanças os fundamentos de praticamente todas as demais igrejas protestantes. Fundamentalista neste momento, ainda representava aqueles que possuíam fidelidade ao cristianismo tradicional ou a luta dos reformistas protestantes do século XVII e XVIII.
Entre a década de 1920/1930 com o surgimento do chamado cristianismo liberal e a polêmico do ensino do Darvinismo nas escolas americanas os protestantes se dividem: um grupo passar a rechaçar o rótulo de fundamentalista ao perceber que tal palavra tomara o sentido de intolerante, intransigente, etc. Surge então o sentido pejorativo da palavra: Fundamentalismo passa a denominar pessoas que seguem uma doutrina de forma absoluta e não aceitam nenhum tipo de contestação, sendo intransigentes, considerando serem herdeiros da revelação divina e as demais que não concordam como hereges.
O puritanismo fundamentalista está ligado a crimes e violência nos Estados Unidos da América. Foi assim que na década de 1970 a palavra passou a ser aplicada a terroristas islâmicos que julgavam no direito de praticar atos violentos para combater o poder americano e manter a pureza dos ensinamentos do corão e da cultura islâmica frente a influência do capitalismo nos costumes dos povos de todo o mundo.
Compreendido assim, podemos dizer que fundamentalistas existem em todas as Instituições ou defensores e uma causa cujos dogmas não se pode discutir, ou não se aceita discutir.  Ou, podemos também simplesmente aplicar a idéia de um modo fundamentalista ou dogmático de viver. Desta forma podemos dizer da existência de Fundamentalistas Católicos, Protestantes, mulçumanos, comunistas, ambientalistas, etc. O que caracteriza o fundamentalista é a crença na pureza da idéia que defende ou da norma que segue como verdade absoluta e que deve ser seguida por todos.
Nos dias atuais, com o aumento da diversidade tem aumentado muito o modo fundamentalista  de viver com o aumento das seitas e códigos morais de vida que chocam-se de forma frontal. É o caso, por exemplo, no debate entre cristãos e homossexuais quando a concepção de família; ambientalistas e ruralistas quando ao conceito e preservação do meio ambientes e diversos outros exemplos que permeiam o nosso cotidiano.
Qualquer que seja a verdade que qualquer um possui, a tentativa de universalizar, ou pela força, obrigar as demais pessoas a aceitar o mesmo estilo de vida é um atentado contra as liberdades individuais, e a origem da violência, da intolerância, e de todas as formas de tragédias das quais muitas já de nosso conhecimento. É mister que cada um escolha a crença e o estilo de vida que lhe aprouver, mas não é saudável para a sociedade.

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