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sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Congresso da UNE e a dinâmica do Movimento Estudantil: Do que precisam nossos estudantes.

Na semana que se instala o congresso da UNE ( União Nacional dos Estudantes), em Goiânia, duas outras notícias ligadas a Educação chamam minha atenção: a primeira, a decisão do MEC  ( Ministério da Educação) de fechar vagas em diversas Universidades particulares; a segunda, bem mais cruel, o fracasso generalizado dos estudantes de direito na prova da OAB ( Ordem dos Advogados do Brasil). Tais notícias levam a duas reações distintas: de um lado alguns que defendem o fim do exame da Ordem, e, de outro, aqueles que entendem que a educação superior caiu de qualidade após a expansão via ensino particular.
A defesa do fim do exame da Ordem é um disparate. Poderia se falar em aperfeiçoamento, por fim, jamais. O exame da ordem é o que garante o mínimo de qualidade para a formação dos futuros profissionais. Na contramão dos que defendem o fim de tais exames, creio que deveria haver lei que exigisse exame para todas as profissões. Isto, por que é fato: O ensino superior perdeu a capacidade de dar formação de qualidade aos jovens, e tornou-se em sua maioria fábrica de diplomas com notas superfaturadas.
Isto é simples de explicar. Com a expansão do ensino superior as faculdades particulares adentraram no terreno da clientela de alunos que vieram do ensino público. Tais alunos, em sua maioria, possuem imensa dificuldade de leitura e escrita, e no campos das atitudes não possuem as mínimas condições para vivenciar as aprendizagens da Educação Superior. Não raciocinam de acordo com as necessidades de aprendizagens, nem possuem a consciência de que ali estão para aprender a arte de trabalhar para servir, para viver, para conviver. Pensam apenas nas notas, e,  carregam uma idéia obsessiva por terem notas boas.
De outro lado as faculdades particulares, em sua maioria, estão preocupadas em manter um número x de alunos que propicie o lucro, afinal, a grande maioria trata a educação como qualquer outro negócio, onde o que importa é o lucro. Sendo assim, pouco investe em pesquisas, bibliotecas, ou titulação e formação de professores. A maioria dos docentes é especialista e não tem nenhuma experiência na pesquisa. Os mestres e doutores que por acaso existem nas faculdades particulares são aulistas e raramente desenvolve pesquisas ligadas a Instituição. O resultado é que os alunos acabam convivendo com um Ensino Médio melhorado não tendo a mínima chance de ter contato com o Espírito Científico.
Não é a toa que as Universidades Públicas deixaram na poeira as faculdades e Universidades particulares na questão do exame da Ordem. Nas públicas, embora a qualidade também tenha caído nos últimos anos, tem sido ainda o reduto do desenvolvimento de pesquisas e formação do espírito científico. Nelas, o ambiente universitário ainda é preservado e a aprendizagem ainda é mais importante que ter boas notas. Valoriza-se a formação de grupos de pesquisas, seminários, palestras, situações nas quais o aluno pode vivenciar o próprio processo de aprendizagem e experimentar como será o seu futuro profissional.
Nas faculdades particulares agrava ainda mais a aprendizagem dos estudantes a situação pessoal   de cada um. Em sua maioria, são estudantes noturnos que trabalham durante todo dia. Cansados da jornada de trabalho poucas condições possuem de desenvolver um processo de aprendizagem necessário ao que se precisa aprender em cada um dos cursos universitários. Como não possuem tempo disponível pressionam os professores a diminuir o ritmo das aulas, buscarem textos “fáceis”, e, trabalhar praticamente em ritmo de segundo grau ou ensino médio. A conseqüência é que os mesmos não entram em contato com os clássicos de cada área tendo no máximo contato com os comentadores, no mais das vezes, comentadores de uma pobreza extrema.
O resultado disso são alunos que não melhoram a capacidade de leitura ou escrita, não enriquecem a linguagem, tendo uma pálida idéia da profissão ser exercida e vendo-a apenas pelas lentes do senso comum. Não me estranha que tão poucos passem nas provas do Exame da OAB. Estranho seria se todos fossem aprovados. Tenho dito repetidamente que nas faculdades particulares a maioria das notas são superfaturadas por dois motivos: primeiro, nós professores quase sempre não trabalhamos os conteúdos com a profundidade necessária; segundo, ao avaliar as coisas são meio que “facilitadas” para que o aluno consiga a nota necessária a aprovação.
Diante disso, mas do que tenho visto nas manchetes, nossos estudantes precisam de um novo tipo de consciência. Não mais a consciência política, a participação cidadã, mais que tudo isso nossos estudantes precisam compreender que de uma boa formação dependem todo o resto. A própria participação política não terá sentido e nem fará muita diferença se os mesmos não tiverem alta capacidade de leitura e interpretação de mundo nas áreas que escolherem atuar. Nossos estudantes precisam compreender a necessidade de que o primeiro e mais importante do estudante e dominar a área de conhecimento onde pretende exercer a profissão, ou seja, ter acesso a ciência e a verdadeira formação de um espírito de ciência.


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