Pesquisar este blog

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ruas vazias



Gosto de caminhar por ruas vazias. Ruas e avenidas vazias são sempre ruas e avenidas vazias. E é totalmente diferente de uma estrada deserta que corta as matas sob a escuridão da noite, a luz do luar ou a força do calor do sol. Ruas vazias são sempre ruas vazias. Ruas vazias só se encontra nas cidades, e, portanto, as ruas vazias estão sempre cercadas por prédios, casas, praças, e vielas com seus becos escuros e malcheirosos.
Ao caminhar por ruas vazias é possível sentir o poder que elas possuem quando os transeuntes estão ativos no calor do dia. Ali, está a rua, orgulhosa, dona de si, consciente de que sem ela não existe ir e vir. Sabe ela que todos estão dependentes dela e que todas as vidas que existem na cidade precisa transitar por ela. Cada rua luta por sua importância, por seu espaço, por sua existência. Ruas, avenidas, vielas, algumas sem saída, como é sem saída alguns aspectos da vida.
Quando chega a noite e todos se recolhem em suas casas, todas as ruas ficam vazias, desde a mais importante das ruas, a mais in-significativa das vielas. Quando caminhamos pelas ruas vazias sob o olhar da lua é que vemos o quanto pode ser pequeno se apegar ao fato de tantas pessoas dependerem da gente. Na noite, enquanto as ruas estão vazias o mundo ao redor adormece. Nas calçadas, nas casas, nos apartamentos. Nem mesmo os bichos ousam ficar caminhando, mesmo nas noites enluaradas. Nas noites, a ruas ficam vazias.
Quando chove as ruas vazias são possuídas de ainda mais tristeza. A água que corre carrega consigo o lixo deixado pelos transeuntes e quase nada interrompe o barulho da canção solitária que toca para quase ninguém ouvir. As águas que caem encontram apenas o vazio da noite. Aliás, quando chove, mesmo sob a luz do sol as ruas ficam vazias. Todos fogem para algum lugar a se proteger do inesperado. A chuva, como a escuridão, faz com que as ruas fiquem vazias.
Ruas vazias parecem para uma metáfora do poder temporal. É assim a vida dos homens que lidam com o poder dia após dia. Como as ruas estão com suas agendas lotadas, quase sempre sem tempo para os entes queridos e muitas vezes impedindo que nasça alguma relva ao seu redor. Quando chega a noite, quando a escuridão invadem suas vidas, ficam vazios. Quando a tempestade cai, quando o vento mais forte sopra todos desaparecem, a agenda desaparece, o telefone não toca mais. Homens e poder são como ruas, avenidas,e vielas. Todos de alguma forma pensam possuir alguma importância até a hora que a noite chega, o vento sopra ou cai uma tempestade.
A grande alegria é que o vento passa, a tempestade acaba, a escuridão se esvai e  o sol volta a brilhar. E volta tudo de novo, e recomeça a mesma rotina. A agenda, os transeuntes, a gritaria, o senso de importância anônima que muitas vezes impede nascer a grama, o trigo ou a flor que possa abrilhantar a vida. Ruas vazias, avenidas vazias, vielas vazias, vidas vazias. Nenhum poder tem sentido quando a escuridão da noite é capaz de transforma em uma rua vazia.

Uma agenda positiva para o Governo dos sonhos



Quando Marconi estava em campanha prometeu aos goianos um governo dos sonhos – o  melhor governo da vida dos goianos em toda a história. Eu não duvido de que isso seja possível, mas passado alguns meses de governo é necessário que o Governo ajuste as velas do navio, defina papéis, observe os ventos sobe o risco do navio não velejar na velocidade que se deseja. Colocado esta questão é preciso ler os sinais, compreender as estações, compreender o tempo, respeitar a natureza das coisas.
A primeira coisa que tem de se fazer compreender é que a responsabilidade para que Goiás avance é de todos os goianos, e, sendo assim, a responsabilidade por liderar este avanço é do Governador e seus partidos aliados. Isto significa que os principais partidos Aliados – PSDB, DEM, PTB, PPS, - compreenda o papel de cada um e aprenda a se tratar como aliados. E, mais ainda, cada partido trabalhe para manter a unidade interna em torno do projeto de fazer Goiás avançar.
 Não é a realidade do momento. Alguns partidos com fortes divisões internas não percebem que divididos internamente não enfraquecem apenas a própria legenda, mas todo projeto dos aliados do Governador. Dividido, aqueles que estão a sair não compreendem que fazem parte do mesmo projeto, e que trocar farpas, com os futuros  ex-companheiros acabam atingindo também o projeto de grupo – realizar o melhor governo da vida dos goianos.
Outros, parece querer antecipar o debate eleitoral. É claro que compreendemos que todos precisam se movimentar e se fortalecer, no entanto, movimentos agressivos, por vezes bruscos, podem comprometer alianças futuras e, que na verdade, o ideal seria o grupo aliado manter um discurso de projeto, e, aliar as vitórias municipais, a idéia de se realizar o melhor governo da vida de todos os goianos. O momento para se discutir 2012, ainda não chegou e antecipar o debate produz disputas acirradas por espaços, desnecessários em  um momento de dificuldade e de início de governo.
E não se pode negar que existam os fisiológicos. Discutir política para alguns, parece ser apenas discutir cargos. É claro que reconhecemos que a repartição de espaços de poder é necessária em um governo de coalizão, mas fazer disso o motivo da existência e da vida política é apequenar os sonhos, e abandonar totalmente os ideais. É tornarem-se mercenários e piratas do poder.
Por tudo isso, falar de uma agenda positiva é antes de tudo definir o papel e as responsabilidades daqueles que compõe  o governo. Neste sentido, embora sempre tenha valorizado o que se chama de meritocracia, preocupa-me a forma como se tem implantado o processo em nosso estado. Parece que corremos o riscos de constituir uma forte burocracia estatal com servidores efetivos e estáveis, fazendo-os adquirir direitos de chefia e em seguida o de definir as políticas estratégicas; o que pode levar o governo a perder totalmente o controle dos rumos da administração do ponto de vista das prioridades de realização.
Apesar disso podemos pensar uma agenda positiva onde:
1.   Um forte projeto de melhoramento da gestão pública seja aplicado sem perder de vista a lógica de um governo democrático, onde seus representantes são eleitos pelo voto, e portanto, os partidos devem ter uma forte cota de responsabilidade para com a máquina pública, isso poderia significar, por exemplo, que o processo meritocrático poderia acontecer, pelo menos uma parte dele, na estrutura interna dos partidos aliados nos processos de indicação política e não ter todos os cargos de gerências e chefias ocupadas por servidores efetivos desvinculados da ação política partidária;
2.   Investimento alto nas áreas de segurança, saúde, educação e na rede de proteção social. Um governo que se pretende ser progressista deve governar para todos, mas sobretudo para aqueles que mais precisam da proteção do estado. O ensino superior em Goiás, ainda há muito o que ser feito. O fortalecimento da UEG, com a realização de concursos para docentes, melhoria dos processos de gestão, plano de carreira, são apenas algumas das medidas urgentemente necessárias;
3.   Realização de forte parceria com os municípios para fortalecer os sistemas municipais de educação, saúde, segurança, e defesa dos direitos humanos nas suas variantes ( Conselho Tutelar, Conselhos de Saúde, Educação, etc); procurando estabelecer forte diálogo com a sociedade civil organizada e dando voz aos  diversos setores da sociedade;
4.   Elevação dos gastos com educação, procurando aumentar o máximo possível o salário dos professores aliados a uma qualificação continuada que propicie o quanto antes efeito sobre o cotidiano da escola.
5.   Por fim, estabelecer uma relação transparente com a oposição e  sociedade em geral, combatendo o negativismos do quanto pior melhor, procurando fazer avançar as relações democráticas e o processo civilizatório.
Sabemos que algumas coisas em um processo democrático parecem mais um sonho. Mas o que faremos de nossas vidas se não continuarmos sonhando? Existem aqueles pragmáticos, os centralizadores que acreditam que tudo pode ser resolvido com uma decisão de cima para baixo, quase sempre, estes não conhecem as realidades diversas do nosso estado, e por isso, elaboram políticas que quase sempre não funcionam. Goiás possui um povo alegre, trabalhador e com coragem para sonhar e lutar por seus sonhos; possui ainda uma juventude que acredita no futuro e vive cheia de desejos de aprender o melhor da vida. Certamente os sonhos de união, harmonia, paz, progresso serão mais fortes que o negativismo egoísta que acredita ser o poder público uma coisa privada que pode ser usada para o prazer daqueles que o detém. São com estes sonhos e liderados pelo Governo Marconi a unir todos os goianos que teremos os melhores dias de nossa história.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A beleza do seu rosto.


Gosto de ver o rosto das mulheres. Gosto, sobretudo, de contemplá-los. Um rosto de uma mulher é para mim como um jardim cheio de delícias infinitas. Muitos homens apreciam o corpo da mulher, perdem-se olhando as curvas que se formam do pescoço para baixo, eu, ainda prefiro o rosto. Outros se deliciam olhando uma mulher pelas costas, dizem que nada mais belo que observar uma mulher desfilando sua beleza corporal, vendo os movimentos que fazem o quadril  andando suave pelas ruas. Eu, ainda prefiro o rosto.
Quando estou diante do rosto de uma mulher sou como uma criança maravilhada. Os olhos parecem luz, luz de uma estrela fulgurante, faróis que iluminam os caminhos da minha alma. O rosto de uma mulher é lugar onde se encontra a única luz capaz de guiar a alma de um homem. Sou daqueles homens que vivo unicamente pelo amor de uma mulher, sou daqueles, cuja alma, é guiada pelo sonho de uma mulher.
Gosto de ver os cabelos longos, suaves madeixas dando forma ao rosto de uma mulher. Os cabelos trazem a energia da divindade, aquela força que dá a mulher uma proteção, o sentido do amor, da alegria de viver. Mulheres de cabelos loiros, castanhos, perfilado de olhos vivos trazem-me uma alegria indescritível de tal forma que faz da minha existência uma suavidade no caminhar da jornada da vida.
Gosto de olhar a suavidade do rosto de uma mulher. Os traços da mulher jovem trazem a alegria e a força. Na mulher madura o símbolo da sabedoria transpassa-nos com a força de ser, de ver, de estar, de ouvir, de sentir. No rosto da mulher amada a suavidade nos traz uma visão do nosso caminho. Não existe homem que ao olhar no rosto de uma mulher amada não veja ali os passos que deve seguir na vida. Diante da mulher amada um homem não é preciso falar, nem  ouvir. A simples presença dos traços suaves do rosto, o olhar amoroso, o sorriso acalentador, é suficiente para aliviar a dor do cotidiano e renovar as forças para novas lutas.
Ah!! A beleza de suas bochechas róseas, com seus lábios, doces lábios, cujas lembranças faz meus sonhos reais, minha vida doce, e meu sofrimento uma diversão de viver. Ah! A beleza do seu sorriso, o brilho do seu sorriso, que faz do teu olhar um encanto, de tuas palavras, amor, e, de tua voz o canto suave dos anjos trazendo paz ao meu mundo turbulento. Não, não há nada mais belo que o rosto de uma mulher. Nada é mais prazeroso do que sentar ao lado da mulher amada e contemplar seu rosto seja em lágrimas ou sorriso.
O rosto de uma mulher amada não é algo que possa ser contemplado por partes. O rosto de uma mulher amada é algo que perpassa a sua existência. Nele encontra-se sua alma, e o futuro do homem que ama. Contemplar o rosto da mulher amada é como tomar o vinho dos deuses,e deleitar-se em um prazer eterno vivendo um instante fugidio. O  homem que teve este prazer jamais deixará a vida, jamais esquecerá que vale a pena viver.

Tuas lembranças


Não penses que te esqueci, o querida minha!
Eu não te esquecerei jamais.
São nas noites mais frias, mais escuras e solitárias
Que tuas lembranças ficam tão fortes em mim,
Que já não sei se sou eu que me lembro de ti,
Ou se és tu que passas a viver a mim.

São devaneios sombrios nas caladas da  noite.
Sonhos noturnos que a mente delega  lembranças tolas;
Desejos latentes que não foram vividos;
Vontades imaginárias ouvidas à voz de um passado que ressoa.

Tudo, escravos da técnica, do concreto, da realidade.
Todos, amantes do erro, da mentira da falsidade.
Ficamos  nós, no profundo desejo de seguir adiante;
Presos, porém, na vontade tola de possuir uma consciência radiante.

Não, não te esquecerei jamais.
Teu conceito de grandeza, teus sonhos de  menina de olhar profundo;
Tuas quimeras sonhadas, abandonadas, nos seus desejos de mudar o mundo;
Tudo, tudo é meu alimento nestes cafezais.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

O papel dos pequenos partidos no desenvolvimento da democracia em Goiás



Que a política em Goiás é marcada pelo coronelismo, fisiologismo e corrupção é senso comum para todas as pessoas. No entanto, nos últimos anos um fenômeno está se desenvolvendo de forma alarmante. Os pequenos partidos se tornaram um instrumento de compra de votos nas eleições e a engenharia de como isso é feito é dar inveja a célebres antropólogos que teriam em Goiás um fecundo campo de estudo.
Parece que tudo começou quando com o processo de democratização nos anos 80, deputados que sequer eram conhecidos em algumas regiões resolveram “negociar” apoio de pequenas lideranças locais para “invadir” a base eleitoral dos adversários. Para conseguir tal intento, ofereciam pequenas vantagens e “estrutura” para as pequenas lideranças realizar a campanha de divulgação do seu nome.  Logo, tal estratégia evoluiu para “negociação” de apoio de prefeitos e vereadores que viram nas pequenas lideranças uma ameaça á sua hegemonia local. Com isso, nos municípios, os prefeitos aprenderam a “liberar” as bases. Assim, criava-se uma confusão onde na atualidade ninguém sabe direito quem apóia quem, e favorece a manutenção das hegemonias locais.
Quando apertou o cerco na questão da fidelidade partidária, a saída de algumas lideranças foi então “pegar” siglas partidárias, organizar comissões provisórias municipais para em seguida “negociar” com candidatos a  prefeito ou nas eleições majoritárias deputados estaduais e federais o “apoio”, que sempre vem acompanhado de despesas, despesas, despesas. Cada pequena liderança sai então, no desespero em busca de uma sigla que lhe dê garantia que ele vá depois morder um pedaço do bolo. Isso criou outro fenômeno: as disputas internas por poder dentro dos partidos sem nenhum componente ideológico.
Creio que quando o Deputado Vilmar Rocha e seus companheiros afirmam que no Brasil não existe mais direita ou esquerda, na verdade, eles estão querendo dizer que os Partidos Políticos no Brasil perderam suas identidades ideológicas e passaram a ser um agrupamento de pessoas, cujo motivo que os une e a conquista e a repartição do poder ou da perspectiva do poder. O exemplo do PSD, em Goiás, é claro, um ajuntamento descontentes que  não acreditam ter perspectiva de poder nos partidos onde estavam. Neste sentido, os pequenos partidos que poderiam se tornar instrumentos do desenvolvimento de uma democracia radical, acabam sendo instrumentos apenas de luta pelo poder, sem embasamento de nenhum projeto de sociedade.
Deste fenômeno padece tanto a coligação do Governo no Estado de Goiás, quanto a coligação que está na Oposição. Ambas são vítimas de um fisiologismo desenfreado, que muitas vezes, é alimentado pelas lideranças intermediárias, que vê nesta situação uma maneira de se manter no poder e no círculo de influência do Poder. Em Goiás, eu desafio que me seja mostrado pequenas lideranças que vieram a ocupar espaço político e prestar serviços ao estado sem se aliar incondicionalmente a fulano ou ciclano. Alguns chamam isso de ter grupo, eu chamo de estranho fisiologismo, por que simplesmente tira a possibilidade de pensarmos de forma independente, exercer o pensamento crítico, e pior, retira mesmo a liberdade de expressão. Caso houvesse nos partidos uma discussão de idéias, e se aproveitasse os melhores quadros para prestar serviço à sociedade, concordaria que é preciso respeitar a idéia de grupo, mas não é esta a questão e por isso desafio que me seja mostrado algum grupo político em Goiás, cujo mecanismo de crescimento dos quadros é o mérito de serem quadros qualificados e não aliados incondicionais do principal líder do grupo.
Desta forma, os pequenos partidos se tornam cada vez mais caros para as coligações e os governantes, uma vez que estes são obrigados a “negociar” no varejo, pessoa por pessoa, quando na verdade, seria o papel destes pequenos partidos aproximarem os governantes da população, dos grupos minoritários para que pudesse levar o atendimento do estado às demandas requeridas pelo povo. Perdidos em suas próprias lutas por migalhas de poder, os pequenos partidos deixam de atender e representar uma grande parcela da sociedade que confia a eles o papel de representá-los e não de vendê-los, como gado, seja na estrutura do estado em troca de cargos, ou na estrutura interna dos partidos em troca de espaço para futuras negociações.  Macktub.

O PT e o seu velho dilema em Goiás: Oposição? Como assim?



Para o Brasil, o Partido dos Trabalhadores é um partido que luta contra a pobreza, que cuida do povo, que investe na melhoria da rede de proteção social. Em Goiás, o Partido dos Trabalhadores não conseguiu alcançar esta marca. Em Goiás, quando passou pelo governo de municípios importantes o Partido dos Trabalhadores não conseguiu imprimir sua marca de um partido diferente, inovador, ligado às massas populares e voltado para a proteção social; e por isso, não conseguiu até o momento unir os partidos de esquerda em torno de si, e tão pouco unificar a base aliada do governo Federal no Estado. E isso acontece devido a identidade de sua principais lideranças e seu modo de fazer política. O dilema do Partido dos Trabalhadores em Goiás, é não saber ser oposição, e no governo, não saber ser governo.
No momento atual, o PT administra as duas maiores cidades do Estado, e  tendo como aliado o PMDB, administra ainda a cidade de Aparecida de Goiânia. Sendo assim, o PT e os seus aliados detêm o governo das três maiores cidades do Estado. Incrivelmente, em nenhuma destas cidades existe uma marca que possa ser lembrada pelo povo, como sendo uma marca que faça a diferença em relação ao Governo Estadual. E na época contemporânea quem não possui marca própria não consegue se estabelecer no mercado. As notícias dos jornais ( em todos os jornais), se bem lidas mostram problemas administrativos em todas estas cidades cuja única explicação é um problema de gestão administrativa e política daqueles que detém o poder. Veja a questão da saúde e educação, para ficar em duas áreas nas quais o município tem grande participação e então veremos que não existe muita diferença entre a gestão estadual e a gestão municipal. Não há criatividade e tão pouco, inteligência.
E, se na gestão os problemas da oposição são visíveis, na política não é diferente. Primeiro, os partidos de oposição não conseguem  se entender quando a uma linha de procedimento em relação a gestão política e administrativa ao Governador Marconi Perillo; segundo, não possui argumentos ideológicos capazes de estabelecer um discurso próprio. Na primeira questão, é visível o desentendimento quando a gestão política e administrativa, pela forma claudicante como se porta os líderes do PMDB, desnorteados que ficaram com decisão de Thiago Peixoto de migrar para a base aliada do Governador Marconi. Como não conseguiram se desligar do Deputado Thiago Peixoto, e não tiveram força para desligá-lo do partido com demonstração de independência, estão na espera que o próprio deputado saia para que consigam então analisar as baixas e reaver rumos. No PT, não é muito diferente. No caso ideológico, a dificuldade do PT é estabelecer diferenças entre o pragmatismo do Governo federal e do Governo Estadual. Não conseguindo estabelecer diferenças nítidas as lideranças se perdem na insegurança quando tenta estabelecer um diálogo com a população.
Quando se volta então, para a engrenagem social que os mantêm representantes da mesma sociedade, a questão fica ainda mais complexa. Os interesse divergentes de classes não desapareceu como quer pregar o ainda não fundado PSD; não acabaram as ideologias, não acabaram as lutas no interior da sociedade. Os ruralistas irão continuar em defesa dos seus interesses e em choque com os agricultores familiares e movimentos dos Sem Terra. Os trabalhadores continuaram em choque com seus patrões em busca de melhor qualidade de vida; e os governantes do Estado que tem o desafio de governar para todos irão continuar tendo que buscar o equilíbrio entre as diversas partes em luta no interior da sociedade.
O velho dilema do PT é encontrar um discurso e um projeto que consiga estabelecer um diálogo com a sociedade e capaz de dizer a maioria do povo goiano que é capaz de governar para todos, buscando justiça social e equidade. Por não conseguir resolver o seu velho dilema o PT corre o risco de ir para a disputa de 2012 e não conseguir dizer ao povo que merece continuar governando as maiores cidades do estado, e, ampliar sua representatividade nos municípios. Este velho dilema é acompanhado pela realidade que também no PT, e nos partidos aliados, a idéia de partido não convém ao que se espera do conceito de Partido Político em uma democracia. As eleições não constituem um tempo e um espaço de se discutir idéias, mas uma disputa cega por cargos e poder, conchavos, acordos que sempre deixa em segundo plano um projeto de desenvolvimento para o Estado de Goiás. 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O papel do PMDB e seu significado no jogo político atual



O começo do jogo político para as eleições de 2012 coloca em questão o papel dos principais jogadores. Tenho dito que vejo duas variáveis e três grandes times que podem vir fazer a diferença nos resultados das urnas, pela força de suas lideranças ou pela historicidade dos seu programas. Neste texto, nosso objetivo é pensar um pouco o papel do PMDB, e especular quais são as possibilidades que possui este time e seus jogadores.

Não é segredo que o PMDB padece de algumas questões, dentre elas o fato de ter o seu principal líder – Iris Rezende Machado, já tendo discutido se este aposenta ou não; o golpe sentido pela perda de um de seus principais quadros ( Thiago Peixoto) para a base do Governador Marconi Perillo, e, uma terceria variável a dificuldade de renovar os seus quadros aliado a manutenção da aliança com seu principal parceiro, o Partido dos Trabalhadores.

A primeira variável, temo dizer aos otimistas ou pessimistas, Iris não se aposentará. Pela sua história, pela sua característica o ex-governador não sairá da política nem mesmo quando seu corpo descer aos cemitérios. É ilusão achar que um homem da estatura de Iris Rezende deixará de influenciar a política goiana por ausentar-se ou aposentar-se. Caso isso aconteça a influência sentida será o vácuo da sua ausência. Marconi como anti-iris precisa de Iris para crescer, existir, ser grande para governar melhor goiás

O PMDB sofreu o golpe da perda de Thiago Peixoto. Disso não se tem dúvida. Entretanto, a quantidade de quadros jovens não justifica a celeuma feita em torno do grande quadro jovem perdido, nem pelos perdedores, nem por aqueles que o ganharam. O que falta ao PMDB não são quadros jovens e promissores, falta-lhe uma filosofia política que faça da renovação um instrumento de aproximação com grupos sociais ainda não alcançados pelo partido. Outrossim, renovação não é apenas de pessoas, mas de ideias pois são estas as que realmente vale a pena em um processo de renovação. Aqueles que apostarem que a perda de Thiago Peixoto transformou o PMDB em um time ou jogador menor, pode ter uma terrível surpresa no final do jogo.

A dificuldade de renovar os quadros do PMDB passa por uma maneira de ver a sociedade. Os novos quadros não representam senão as mesmas ideias que os velhos quadros representaram, e pior, os mesmos grupos sociais. Ao aliar-se ao PT, o PMDB complicou mais ainda a possibilidade de lançar novas lideranças com ideias sustentadas em base popular, uma vez que, com políticos profissionalizados ou não, o PT, por sua história e origem ocupa o espaço de maior proximidade com o povo, com o popular.

Dito isso, resta-nos admitir: O PMDB é um grande time e um grande jogador para 2012, que caso consiga repensar suas práticas, aumentar sua democracia interna, e renovar suas ideias poderá apresentar possibilidades de trazer consigo o lançamento de novas lideranças nos espaços dos muncipios.



O Xadrez político de Goiás - Duas variáveis e três grandes times.


Quem quiser pensar o xadrez político em goiás tem de levar em conta duas variáveis importantes na atualidade: a primeira a de que Marconi Perillo ainda terá no mínimo 30 anos de vida pública, e a segunda, a de que Iris Rezende ainda não se aposentou.
A segunda variável explica a dificuldade encontrada pelo PMDB. Não se sabe se a situação atual é uma estratégia do velho cacique, ou se o PMDB encontra-se mesmo sem comando. Penso ser mais uma estratégia do velho líder, pois pessoas com condição de assumir o bastão não faltam no Partido. É também, esta segunda variável que movimenta outro time importante, o time do PT. Hoje, a verdade é que o PT encontra-se dividido; uma parte vai lutar para manter a aliança com o PMDB, até para manter as cidades mais importantes do estado na batalha de 2012; e, outra parte já de olho em 2014, não seguirá sem compensações o mesmo caminho.
Quanto a variável Marconi Perillo, tem tudo para liderar uma grande revolução municipalista se entender o papel de cada um dos partidos aliados ao seu projeto, e a partir deles, conseguir ampliar ainda mais sua base, e, aproximar com mais força do povo. De forma lenta, mas gradual e consistente, o Governo tem sinalizado para ações que possam atender a grande massa da população, levando o governador a fortalecer sua identidade de um governo disposto a governar para todos.
Dito isto, é preciso compreender o papel dos aliados, mapear onde estão às forças, fragilidades, e, reforçar os flancos onde existe uma compreensão menor do projeto de se fazer o melhor governo da vida dos goianos. A construção da unidade, harmonia e diligencia na base aliada é uma necessidade que passa pela construção da unidade de cada um dos partidos e o fortalecimento dos mesmos.
As lideranças aliadas precisarão de sabedoria para expandir-se cada  um delas sem entrar e disputas entre si, de tal forma a criar cisões, divisões e enfraquecimentos futuros. As eleições municipais é um xadrez traiçoeiro pois esconde pequenos interesses locais que no futuro podem ser transformadas em esperanças não medidas. Cuidar bem dos rumos de 2012, pode ser começo de muitos anos de progresso para Goiás. Os passos dados por estes três grandes jogadores ( PT, PMDB, PSDB), podem ser uma forma de se entender quais serão as grandes jogadas da política goiana nos próximos anos.

domingo, 22 de maio de 2011

Mercenários, piratas, pecadores e os políticos de hoje.



Mercenários existem desde os tempos mais antigos. Eles eram conhecidos por lutar apenas por dinheiro. Não tinham pátria, não tinham uma causa. Lutavam apenas pelo vil metal, lutava por quem pagava mais. Os piratas tinham, para  mim, um ar mais romântico que os mercenários pois viviam uma vida de aventuras, romances e conquistas. Em comum com os mercenários, viviam em busca de riquezas, ouro, tesouros e tudo pudesse levá-los a glória. Os momentos de crise e decadência de um império ou de uma época sempre foram cheios deles: mercenários, piratas, mas também um terceiro tipo: os pecadores, os profanos; aqueles para quem a vida se resume a satisfação dos prazeres imediatos e os mais fugazes possíveis.
A pergunta que me faço é o que traz a existência o predomínio dos piratas, mercenários e pecadores em uma dada época em detrimento dos homens de bem, ou homens de ideais? Os grandes impérios, as grandes obras da humanidade por mais que tragam em si as marcas do sofrimento humano e da desigualdade de conforto para viver entre os homens, não foram construídas por piratas, mercenários, e pecadores e sim, por homens que tinham um sonho. As grandes conquistas da humanidade foram frutos de sonhos compartilhados por milhares de pessoas e liderados por homens que tinham um sonho, um sonho de tornar o mundo um lugar melhor para viver.
Foi assim em todos os grandes impérios. Em Roma, o exemplo de Júlio César me enternece. O sonho de que Roma poderia ser uma luz para o  mundo, um espaço de ilustração o fez travar mais de vinte anos de guerras procurando sempre vencer a barbárie e tornar o mundo um lugar melhor para viver. Quando Roma entrou em decadência e as virtudes deram lugar aos vícios, Roma desapareceu. O que nós conhecemos como pais mais poderoso do mundo – os Estados Unidos da América – tornou-se realidade pelo sonho de milhares de europeus que sonharam com uma nação onde fosse possível ter liberdade religioso, liberdade de expressão, e tolerância para com todas as formas de diferença. Os Estados Unidos que conhecemos hoje, está muito distante do sonho que foi sonhado tanto quanto a Roma de Constantino estava longe da Roma de César.
No Brasil, o sonho de uma nação não aconteceu. O que tivemos foi concessão de exploradores cansados e que não sabiam direito o que fazer com uma colônia grande e que ser tornava cada vez mais poderosa. Os idealistas brasileiros foram derrotados desde a gênese de nosso país. Os inconfidentes, os farroupilhas, os cabanos, todos se perderam nas lutas contra um sistema estabelecido que não tinha os ideais como fonte de alimentação do poder.
Não consigo também apostar que abolição, a proclamação da república, dentre outros movimentos tenham sido uma vitória dos idealistas, dos homens que sonhavam com o Brasil uma nação grandiosa. Na abolição, os verdadeiros idealistas sequer chegaram a viver para ver a libertação dos escravos; na república,  nada mudou a não ser o fato de o poder sair das mãos da família imperial e ir para as mãos de uma elite. Na revolução de 1930, tivemos um sinal de que os sonhos de uma nação mais igualitária e livre poderia se tornar realidade, um sonho adiado várias vezes por alianças cujo sentido profundo era a manutenção ou a conquista do poder e não o sonho de uma nação justa.
O enfrentamento da ditadura foi um momento auspicioso em nosso país. O desfecho porém, significou uma composição com as forças conservadoras e retrógradas, e o processo de democratização seguiu o mesmo caminho. Tive esperanças de que quando Lula chegasse ao poder pudesse acontecer uma virada na história de nosso país. Lula, negociador nato, uma vez eleito pela força de um sonho poderia negociar uma estabilidade com os perdedores e realizar um governo revolucionário. Não foi o que aconteceu. A carta aos brasileiros mudou o rumo do sonho e nos fez mais uma vez refém de uma história que não ser tornou boa para ninguém, e que nos fez mais uma vez perdedores no jogo da história.
Vítimas que somos da falta de sonhos chegamos a um momento que pode ser considerado cruel. Chegamos no momento da decadência. Com uma democracia ainda frágil o que vemos é um amálgama de partidos políticos cujas ideologias não possuem a força unitária necessária para que possamos discutir um verdadeiro projeto de país. Mais do que nunca se faz necessário uma depuração dos partidos políticos, separação de interesses, sob o risco de cairmos em um jogo perigoso, onde os interesses individualistas de grupos minoritários se tornem tão poderosos que nos leve de volta a uma ditadura invisível.
Sim, nossos políticos em sua grande maioria não passam de piratas, mercenários e pecadores. Não temos idealistas mais em numero suficiente para construir um  projeto de país, de nação que possa contribuir para a construção de um mundo melhor. Um governante tem de conviver com a realidade de ver um deputado como uma mercadoria. Um deputado custa cargos, financiamento de campanha, favores, e quando não acordos que forçam os governantes a desviar verbas públicas por meio de “mensalão”, “caixa dois”, “dinheiro não contabilizado”. Nenhum governante aprova mais nada em uma casa legislativa sem o mecanismo da troca. O cargo de deputado virou moeda de troca e tem valor e não se tem mais nenhum ideal a não ser o desejo de privatizar os bens públicos. Nos partidos, a guerra interna é feroz. O controle do partido passou a se tornar mecanismo de negociação de cargos, vantagens e valores. Sim, vivemos em um tempo de piratas, mercenários e pecadores.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

A ideologia do Mercado e o Mercado das ideologias



Bom foi o tempo em que teóricos se preocupavam com a busca pela libertação do  homem da exploração de outro homem. Na revolução francesa a luta pela igualdade, pela liberdade e fraternidade representava esta idéia. No meio do caminho inventaram a propriedade privada e os novos idealistas ao compreender que a maioria do povo nada tinha como propriedade a não ser o próprio corpo que passava a ser vendido como mercadoria ( força de trabalho); através do que o maior teórico de todos os tempos chamou de extração de mais-valia que se sustentava pela força da ideologia; estabelecia então uma luta de classes como nunca antes havia existido na história da humanidade.
Pela primeira vez as armas eram as idéias. A ideologia dominante ou a chamada ideologia do mercado tornou-se a marca dos tempos modernos. Da ética a religião tudo é permeado pela idéia de mercadoria, valor de troca e valor de uso. Os novos revolucionários, (conhecidos como socialistas, marxistas, comunistas) tinham agora o desafio não de pegar em armas, mas de fazer elevar a consciências dos trabalhadores explorados no limite de fazê-los entender e compreender que toda  a riqueza produzida é fruto do trabalho de mãos humanas. Nascia a luta duradoura entre trabalho e capital.
Apesar da história, da queda do muro de Berlim, do fracasso da União Soviética, das mudanças de rumo na china; e, que muitos consideram como a derrota final do socialismo e das possibilidades revolucionárias, não foi o fracasso de tais experiências que determinaram, como alguns querem crer, o fim da luta entre exploradores e explorados. Os capitalistas sempre foram extremamente sagazes na forma de reformular sua ideologia para manterem-se donos do poder, e conservar seus espaços. Nos dias atuais eles têem se superado, agora não pela afirmação, mas pela negação de todas coisas, todas as ideais, todos os valores.
Vamos explicar e exemplificar. Na medida em que se estabeleceu a luta pelo controle das mentes do povo por meio do que se chama ideologia, e, os partidos de esquerda e instituições progressistas começaram um processo de formação humana que poderia construir um mundo mais igualitário, os senhores das desigualdades entraram em ação. Descobriram que o que a classe explorado tinha demais valor não era mais a força de trabalho, e sim a capacidade de produzir novas idéias. Então, primeiro tratou-se de tornar-se donos destas novas idéias produzidas pelos trabalhadores. Isto aconteceu por meio do que chamaram de Teoria do Capital humano, e  em seguida na prática, nos modelos Toyotistas, Fordistas e Acumulação Flexível no mundo da gestão. Chegaram ao ápice com a idéia do trabalho em equipe e a chamada gestão de qualidade total. Não era suficiente.
Os trabalhadores continuavam dirigentes de sindicatos, escolas, pequenas empresas, partidos políticos. Eis que ganha força os profissionais das idéias. Nós que estávamos acostumados a ir a feira comprar verduras, no supermercado comprar frutas e mantimentos, começamos a aprender que era possível ir ao mercado comprar idéias; os capitalistas descobriram que podiam comprar por atacado. Não precisavam mais lutar pelo poder, poderiam comprá-lo. Então, primeiro divulgou a idéia de que o mundo mudou tanto que já não existe mais socialismo, de que o sonho de um mundo igualitário foi uma quimera. Muitos, nas trincheiras dos trabalhadores, acreditaram e começaram a vender suas ideologias, seus sonhos, suas esperanças, e  o pior, começaram a vender o sentido e propósito de suas vidas.
Transformou-se em assunto corrente a questão de que não existe mais ideologias. Todos os partidos são iguais – dizem cheios de autoridades como se esta fosse uma verdade tão clara e distinta que não necessite de nenhuma demonstração. As perguntas que faço são: acabou a exploração do homem pelo homem? Acabou-se as desigualdades sociais? Pessoas deixaram de morrer de fome? Acabou a violência? Se não existe resposta positiva para nenhuma destas perguntas então não posso acreditar que acabou a possibilidade da existência da ideologia.
Criou-se no Brasil ou tenta-se criar um partido que diz não acreditar na existência de ideologias. Esta é a característica mais liberal deste partido, a maior marca da ideologia que professam. Professam um conjunto de idéias segundo as quais não é preciso ter uma causa para estar na política, precisa apenas serem pragmáticos; professam a idéia de que o mundo nunca vai mudar, de que sempre vai haver pessoas passando fome e que isso não pode e não deve mudar. Para justificar suas ideais utilizam do argumento de que no Brasil, todos os partidos fazem a mesma coisa, todos estão envolvidos em corrupção, todos estão no poder de alguma forma; e, esquecem que afinal não é esta a definição de ideologia. Por que os partidos de esquerda se corromperam não significa que tenha acabado a desigualdade; por que os partidos de esquerda se corromperam, não significa que não exista mais pessoas passando fome, afinal, apenas no Brasil são mais de 16 milhões.
Para justificar a desigualdade social, a fome, a violência e o conservantismo criou-se o mercado das ideologias. Quanto custa um partido socialista nas eleições municipais? Quanto custa um comunista? Quanto custa um centrista? Tudo virou moeda no novo reino do mercado das idéias. Fomos reduzidos ás nossas necessidades mais básicas e animais e o estado foi o instrumento, com seus cargos e vantagens para que as ideologias virassem mercadoria no mercado da dissimulação. Com isto, a estrutura partidária no Brasil, apodreceu. E isso que explica a razão por que a oposição não consegue fazer oposição. Não são oposição, não defendem os mais fracos e oprimidos, são vendilhões do templo no mercado das almas e no reino das idéias.
Os partidos perderam sua unidade interna. Transformaram-se em um instrumento de como conseguir um cargo na estrutura do estado, um amontoado de interesses divergentes marcados todos pela busca da sobrevivência e dos prazeres fugazes. A sociedade foi esquecida, o povo foi esquecido, os ideais se transformara em mercadorias vendidos no mercados das ideologias. Chegará o tempo em que terá que implodir os partidos políticos no Brasil, e construir um  novo instrumento de canalização da vontade democrática. Macktub.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fundamentalistas - O que é? Quem São? Onde estão.



Eu prefiro sempre falar de amor, de paz, de harmonia. Mas o que é a paz? Existe a paz sem a guerra? Há que distância está o amor do ódio? E existe uma forma certa e absoluta de se viver no amor? Afinal existe um bem absoluto?  São tais questões que levam algumas pessoas a buscarem respostas indefinidamente ou a aceitar como respostas algo que do ponto de vista da razão não se sustenta.  E pior, aceitam de forma definitiva, absoluta, sem que dêem espaço a discussão e a possibilidade de outros discordarem e viverem de forma diferente.
Estas são as características das pessoas que são chamadas de fundamentalistas. Por ironia o destino no tempo em que a  palavra  é utilizada de forma pejorativa e aplicada apenas a mulçumanos e terroristas é bom lembrar que a palavra na sua origem tinha um outro sentido e significado. Em sua origem a palavra fundamentalismo estava ligado a idéia de fundamentos firmes em alusão às construções antigas, e portanto, aplicável às pessoas que valorizavam o suporte cultural e filosófico para a construção de suas crenças e valores.
Na religião, a palavra passou a ser aplicada aos protestantes reformistas, por estes valorizarem os ensinamentos do antigo testamento, e a leitura direta da bíblia como fundamento da nova fé. No século XX ( 1920) algumas igrejas adotaram princípios definidos de interpretação de algumas questões bíblicas, tornando-as o fundamento de suas crenças. A Igreja Presbiteriana foi a primeira a adotar tal norma. Os cinco dogmas adotados pela Assembléia Geral presbiteriana ( 1. Inerrãncia da Bíblia, 2. Nascimento virginal de cristo. 3. Morte vicária de cristo. 4. Resssureição corpórea de cristo; 5. Historicidade dos milagres), passaram a ser com pequenas mudanças os fundamentos de praticamente todas as demais igrejas protestantes. Fundamentalista neste momento, ainda representava aqueles que possuíam fidelidade ao cristianismo tradicional ou a luta dos reformistas protestantes do século XVII e XVIII.
Entre a década de 1920/1930 com o surgimento do chamado cristianismo liberal e a polêmico do ensino do Darvinismo nas escolas americanas os protestantes se dividem: um grupo passar a rechaçar o rótulo de fundamentalista ao perceber que tal palavra tomara o sentido de intolerante, intransigente, etc. Surge então o sentido pejorativo da palavra: Fundamentalismo passa a denominar pessoas que seguem uma doutrina de forma absoluta e não aceitam nenhum tipo de contestação, sendo intransigentes, considerando serem herdeiros da revelação divina e as demais que não concordam como hereges.
O puritanismo fundamentalista está ligado a crimes e violência nos Estados Unidos da América. Foi assim que na década de 1970 a palavra passou a ser aplicada a terroristas islâmicos que julgavam no direito de praticar atos violentos para combater o poder americano e manter a pureza dos ensinamentos do corão e da cultura islâmica frente a influência do capitalismo nos costumes dos povos de todo o mundo.
Compreendido assim, podemos dizer que fundamentalistas existem em todas as Instituições ou defensores e uma causa cujos dogmas não se pode discutir, ou não se aceita discutir.  Ou, podemos também simplesmente aplicar a idéia de um modo fundamentalista ou dogmático de viver. Desta forma podemos dizer da existência de Fundamentalistas Católicos, Protestantes, mulçumanos, comunistas, ambientalistas, etc. O que caracteriza o fundamentalista é a crença na pureza da idéia que defende ou da norma que segue como verdade absoluta e que deve ser seguida por todos.
Nos dias atuais, com o aumento da diversidade tem aumentado muito o modo fundamentalista  de viver com o aumento das seitas e códigos morais de vida que chocam-se de forma frontal. É o caso, por exemplo, no debate entre cristãos e homossexuais quando a concepção de família; ambientalistas e ruralistas quando ao conceito e preservação do meio ambientes e diversos outros exemplos que permeiam o nosso cotidiano.
Qualquer que seja a verdade que qualquer um possui, a tentativa de universalizar, ou pela força, obrigar as demais pessoas a aceitar o mesmo estilo de vida é um atentado contra as liberdades individuais, e a origem da violência, da intolerância, e de todas as formas de tragédias das quais muitas já de nosso conhecimento. É mister que cada um escolha a crença e o estilo de vida que lhe aprouver, mas não é saudável para a sociedade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Lembrar é combater - divulgação.


Denise Colin
Sec. Nac. Assistência Social e Combate à Fome


Frente à realidade brasileira e mundial que, apesar de notáveis avanços científicos e tecnológicos, ainda convive com episódios de violação de direitos de crianças e adolescentes, o Dia 18 de Maio vem convocar a todos, poder público, sociedade civil organizada e cada cidadão brasileiro, ao compromisso com o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e à reafirmação do compromisso com a proteção de cada criança e adolescente de nosso país. 

A violência contra crianças e adolescentes se expressa de diferentes formas, sendo que a violência sexual configura-se como uma de suas mais graves manifestações, capaz de provocar sérios danos a sua saúde física e psíquica, podendo, até mesmo, representar risco de morte nos casos mais severos. O abuso e a exploração sexual provocam lesões de ordem física e emocional, representando a negação de direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes assegurados na legislação brasileira. 

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura que nenhuma criança ou adolescente deve ser objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão. O Dia 18 de Maio nos instiga, portanto, ao questionamento de valores construídos socialmente que ainda se manifestam na prática opressiva e violenta do abuso e da exploração a crianças e adolescentes, sujeitos em desenvolvimento que deveriam ser protegidos por todo e qualquer adulto, indistintamente, imbuído de seu compromisso enquanto cidadão com a proteção dos mais vulneráveis.  

O enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de meninos e meninas convoca a todos ao compromisso de fortalecer a construção de uma sociedade mais protetora e garantidora desses direitos. Convoca esforços e o desenvolvimento de ações articuladas entre poder público e sociedade civil organizada para a formação de redes eficientes, capazes de operar na prevenção dessas graves situações e na atenção a crianças e adolescentes vitimizados, visando sua imediata proteção e a interrupção da violência vivida. Esse trabalho em rede deve assegurar pontos de conexão e complementariedade entre as ações das diversas políticas públicas, sem perder de vista a importância das iniciativas da sociedade civil e da participação da sociedade como um todo. 

O compromisso da política pública de assistência social no enfrentamento às situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes materializa-se em diversas ações empreendidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), dentre as quais se destacam os serviços ofertados pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Cras). Enquanto os Cras ofertam serviços que atuam junto à prevenção de diversas formas de violência contra crianças e adolescentes, os Creas ofertam o atendimento especializado a crianças e adolescentes vitimizados e a suas famílias, representando um importante elemento da rede de proteção e promoção dos direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

No Brasil, o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes foi incluído definitivamente na agenda pública, nos anos 90, em um contexto de luta nacional e internacional pela afirmação dos direitos humanos desse público. Direitos estes preconizados na Constituição Federal Brasileira, na Convenção Internacional dos Direitos da Criança (ONU) e no ECA.

Estabelecido por Lei, o Dia 18 de maio é um dia de luta, conscientização e mobilização para o combate ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes. Que neste dia cada cidadão brasileiro renove seu compromisso com o enfrentamento a esta questão, exercendo seu dever de contribuir para a construção de uma sociedade mais protetora e justa. Faça Bonito! Proteja nossas crianças e adolescentes.
Publicidade

ESTÁ DIFÍCIL VIVER!!! – De quem é o Monopólio da verdade?



“Está difícil viver”. Ouvi esta frase hoje pelo menos umas dez vezes. Logo de manhã atendi a um telefonema, nele, o interlocutor argumentava da dificuldade que as pessoas têm de assumir as responsabilidades devidas; a dificuldade que se têm de se abrir ou pelo menos  dar-se a conhecer visões diferenciadas de mundo. “vivemos em um tempo em que todos parecem ter suas verdades e ninguém quer sequer considerar a possibilidade de discuti-las”.
No açougue o dono argumentava angustiado de como é difícil de viver. “Ninguém mais cumpre o combinado e a gente agradece a deus quando as pessoas pelo  menos assume que deixou de cumprir” – dizia ele. A vida está ficando difícil  - continuou – tudo é uma falsidade, um imaginário, uma realidade que não se concretiza, veja estas pessoas que compraram carros a prestação, outros que compraram apartamento, isso é loucura – dizia ele atordoado.
- É tanta coisa que as pessoas querem nos convencer de que temos necessidade, e, sempre nos cobrar bem mais caro do que promete cobrar. Não precisamos de nada disso, podemos viver sem muitas coisas – argumentava ele para si mesmo no sonho de se convencer de que é possível vencer a força desta modernidade consumista.
Pensando em tudo isso, e em outras tantas reclamações, post nas redes sociais, vejo que é mesmo muito difícil viver. O Twitter explica um pouco esta questão. Tem muita gente tentando ser guia espiritual, tentando ter seguidores a qualquer custo e para isso é preciso ter uma verdade a ser ensinada. Não, não há problema na multiplicidade. O problema é que se multiplicando as crenças e não se multiplicando na mesma proporção os habitantes do planeta começa uma verdadeira guerra por fiéis. Sim, fiéis. É isso que cada um dos novos guias espirituais da humanidade almeja. Fiéis que não questionem jamais as verdades apresentadas por mais absurdas que elas sejam.
É verdade. Não está nada fácil viver. Com tantos guias espirituais, com tantas verdades, com tantos caminhos, com tantos fiéis fundamentalistas seguidores de tantos mestres puros e intocáveis não está fácil viver. Não se pode mais pensar, informar-se. Mesmo a história começa a ser questionada, distorcida, degradada para servir como fundamento de novas verdades, de novos caminhos que precisam urgentemente de legitimação. Outros elementos da história precisam ser escondidos. Não se ousa falar mais da inquisição sem ser molestado; não se pode mais falar de autoritarismo sem receber olhares pouco amigáveis.
Os homens de poder novamente se sentem representantes de Deus na terra. Tem-se que cumprir o evangelho, e, agora dentro dos moldes capitalistas. A liberdade de expressão é utilizada para buscar  avidamente a construção de um império de um código, de uma moral, ou da moral da religiões cujo fundamento divino torna deus o Capitalista maior dono de toda a propriedade privada chamada terra.
Tudo é colocado no nível dos sentidos. Os prazeres, só os mais fugazes possuem o direito existência. Milhões  e  milhões se entregam todos os dias aos rituais do futebol, do carnaval  ou da religião da prosperidade, cujo principal objetivo é arrancar forças para construir, consumir, sumir. A sabedoria  dorme silenciosa esperando o anoitecer. Os sofistas fazem da vida um show pirotécnico animando platéias com seus discursos técnicos em troco de mísero salário que lhes garanta a sobrevivência. Os fundamentalistas vigiam por todos os lados. Não se pode questionar, perguntar, analisar.Os filósofos, em silêncio nas suas cátedras, ouvem os discursos vazios, as verdades enlatadas, inertes, calmos, imperturbáveis com o que esperando o anoitecer.
A correria continua por todos os lados. Os homens de ação dos quais se espera  a  justiça, a solução reverberam ataques em todos os lugares, de todos os modos,  procurando saídas nos  labirintos por eles mesmos construídos, e agora, sem saída pois todos os caminhos os levam de volta ao mesmo lugar: a necessidade de reconhecer a própria loucura.
De quem é o monopólio da verdade? Em quem devo acreditar? – pergunta o jovem desesperado em busca de um caminho para sua vida, consciente de que é preciso ter um norte para se viver nesta terra, como se obedecendo a uma voz interior que insiste em não ser sufocada pelo barulho estridente da ignorância. É preciso ter uma fé, é preciso seguir alguém, é preciso professar alguma coisa.
Parece difícil viver. Afinal qual é o propósito de nossas vidas? Quem somos nós? Por que existe tanto sofrimento no mundo? Por que pessoas honestas sofrem, e pessoas que não parecem tão honestas vivem em um aparente conforto? Tudo aparência. Ninguém ousa ir além das aparências para o mundo das essências. As verdades são ditas em auditórios por animadores treinados. As informações são transmitidas por jornalistas domesticados.
Será difícil viver? Retorno a minha casa e no silêncio do meu lar olho para a história da humanidade. Tantos meses, tantos dias, tantos anos, tantas décadas, tantos séculos, tantos milênios. Em minha memória povoa as leituras dos heróis da Grécia antiga, da antiga Roma, da Fenícia, de Tebas, do Egito, da Babilônia, e tantos outros lugares e culturas tão diferentes onde sempre houve vidas, revidas, vividas. Olho para o céu e vejo a lua, abro o jornal e um novo planeta é localizado sendo que existe perspectiva de ali existir vida. Será mesmo tão difícil viver?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O futebol e o carnaval – O ópio da democracia



Ontem foi dia de final no futebol Brasileiro. Na maioria dos estados federados dois times disputaram o direito de sagrar-se o melhor do ano e guardar consigo a faixa de campeão estadual. Em Goiás, assistimos os dois principais times digladiarem-se durante noventa minutos em busca do grito de campeão. E nas arquibancadas do estádio milhares de pessoas em um frenesi incomum. O êxtase não acontece apenas nos estádios, ele se repete em todos os lares onde exista uma televisão ligada, alguém ligado na internet, onde quase sempre, até quem não gosta de futebol é obrigado a compartilhar a paixão nacional. O que aconteceu em Goiás se repetiu em todos os grandes estados brasileiros, uma paixão que toma conta de todos, e deixa em segundo o plano todas as demais coisas.
Outro momento de êxtase da nossa nação brasileira é a festa do carnaval. Durante uma semana todo país praticamente ficado parado em torno da idéia de diversão e entretenimento. Nos dois principais estados da federação, Rio de Janeiro e São Paulo, escolas de samba disputam o titulo de melhor do ano, em, algo que quase nada mais lembra o carnaval tradicional. No estado da Bahia, durantes mais de dez dias caminhões – os populares trios elétricos – arrastam milhares pelas ruas em um frenesi quase louco, onde as pessoas se misturam e muitas vezes perdem a própria identidade.
Muitas outras festas e momentos de êxtase e frenesi atacam-nos durante o ano. É assim os finais de novelas, programas do tipo do BBB, programas de auditório nos domingos. Quase todo país para vendo algo, vivenciando algo cuja maior contribuição é, entorpecer os sentidos e nos levar a viver em um mundo de imaginação e magia, permitindo uma fuga da realidade que o cotidiano nos presenteia. Tantos momentos de êxtase tornam difícil pensar o cotidiano, racionalizá-lo, compreendê-lo. Vivemos alienados pela política do entretenimento.
No passado da humanidade já houve momentos nos quais o entretenimento era importante para manter as pessoas nas lutas do dia-a-dia. Em Roma a chamada política do pão e circo servia para desviar a atenção do povo das mazelas dos governantes e mantê-los satisfeitos com a vida que possuíam. Leões comendo cristãos, gladiadores se destruindo na arena eram  algumas das formas as quais as pessoas se divertiam em assistir. Era a selvageria da raça humana sendo vivida e compartilhada por todos em uma dimensão coletiva. Tantos outros exemplos podem ser vistos na história. É sempre o entorpecimento dos sentidos, a alienação da consciência levando todos a fugir da realidade, a não pensar nas responsabilidades que a vida nos dá, nos oferece e nos cobra. E como não queremos assumir responsabilidades, todos quer um mestre, um guia, alguém que nos diga o que é certo e o errado para dormirmos tranquilamente após um dia de diversão ou trabalho vivido de forma automática, sem consciência e sem liberdade.
Sim. Tais entretenimentos é o ópio da democracia na atualidade. É o pior mecanismo de alienação. A democracia não avança por que não avança o nível de consciência do povo. Este, o tempo que possui em vez de ser utilizado para pensar, refletir, tomar consciência de si, usa-o cada vez mais para passar tempo em frente da TV, nos estádios de Futebol, nas programações extensas da péssima música aumentando mais a propensão para o vício em vez de poder exercitar as virtudes. A arte verdadeira é deixada de lado. Afinal, mesmo a pintura moderna nada mais é que o louvor ao consumismo, ao egoísmo e a devassidão. A democracia precisa deixar o entretenimento ser entretenimento sob pena de a própria democracia tornar-se um entretenimento daqueles que sabem tirar proveito dos simples e incautos.



sábado, 14 de maio de 2011

Onde nasce a corrupção? A merenda escolar e o mensalão.



A corrupção é uma palavra que vem do latim “corruptione”, e significa e tem muitos significados, nenhum, porém do qual alguém possa se orgulhar de lhe ser aplicado. Seduzir, subornar, estragar é alguns dos significados que lhe acompanha. No dicionário Aurélio a palavra traz junto de si um extenso campo semântico, uma grande gama de significados.  São alguns deles: “putrefação, decomposição, devassidão, perversão, suborno, peita”, ou seja, só coisa feia. O pior disso é o mal, o prejuízo que isso causa a corruptos e corruptores, pois um não existe sem o outro. Entendido isso, está ai a origem da corrupção; ela só existe na medida em que o homem procura se relacionar, seja consigo mesmo, com a natureza, ou com os demais homens. A corrupção é um produto do relacionar.
Sendo assim, podemos continuar pensando: onde nasce a corrupção? Os cristãos logo vão dizer que tudo começou no jardim do Édem. Eva comer a maçã foi o primeiro ato de corrupção, ou seja, transgrediu certa norma em proveito próprio não compreendendo seu papel no Jardim do Eden e na vida de Adão. É, isso mesmo, a corrupção ocorre quando indivíduo confunde o papel que devem exercer com a sua pessoa como ser singular. Eva confundiu o papel de mulher de Adão com o papel de ser Eva. Este fenômeno continuou ocorrendo  ( para os cristãos desde então, pois tudo começou ali), por toda a  história da humanidade até nossos dias.
É o mesmo fenômeno que ocorre hoje. O pai que confunde o papel de ser pai com o papel de homem corrompe a idéia de ser pai. E assim multiplica para a mãe, para o filho, o irmão, etc. A verdade é que existe corrupção por que existem regras e papéis que devemos exercer na nossa existência. Veja que aqui a corrupção é vista bem diferente da idéia de corrupção apenas como um desvio do comportamento do político. Todo comportamento pervertido, degenerado, degradado, fora das normas, pode ser considerado um comportamento corrupto. A questão é saber por que as pessoas se corrompem. Mesmo para aqueles que consideram a história de Eva e Adão apenas mais um mito, é preciso admitir que mesmo a interpretação do mito diga que Eva se corrompeu por uma razão: desejo de ter mais poder.  E adão, seguiu Eva um tanto por fraqueza ou mesmo por que também queria ser igual a Deus.
Temos então dois motivos pelos quais os homens se deixam corromper. Fraqueza e sede de poder. Poder é uma palavra bem mais rica que a fraqueza. O poder pode ser almejado de diversos modos e estar em diversos ambientes. Ouvi certa vez que toda relação é uma relação de poder. Assim, entre o homem e a mulher existe uma relação de poder. O mesmo se repete entre pai e filho, mãe e filha etc. Em todas as relações de poder existe a possibilidade de corromper e ser corrompido seja por fraqueza ou desejo de manter o poder sobre o outro.
O desejo do poder e a fraqueza são na verdade dois pólos de uma quase mesma coisa. Os fortes que possuem consciência de que são fortes não buscam o poder. Só a fraqueza leva a busca desenfreada pelo poder, ou, de outro lado a luta em legítima defesa, esta, típica apenas dos fortes. Os fortes são homens de virtudes morais, aos quais a vida possui um sentido e uma missão. Não saem em busca do poder, trilha o caminho que os leva a glória de forma serena, alegre e tranqüila.
O desejo dos fracos pelo poder é que gera a corrupção. Nas relações que não são vividas no campo das virtudes a corrupção  é gerada com fecundidade. Os vícios são, nas relações a fonte e origem da corrupção e a  primeira forma é a corrupção do próprio sentido da vida e da natureza humana. A corrupção da natureza humana faz o  homem vil, e homem degenerado, pervertido roubará, matará, odiará. Não importa se como senador ou diretor de uma pequena escola.
O desvio de verbas da merenda escolar por todos os cantos do país, o mensalão do PT, do DEM ou do PSDB tem a mesma origem – a corrupção da natureza humana. As leis do estado podem coibir, podem até contribuir para diminuir mas enquanto os homens confundir o papel que exercem na sociedade com a pessoa singular que são, haverá corrupção. Solução interessante encontrou a Igreja católica: para ela não importa quantos padres pedófilos venha existir, isso nunca corromperá ou maculará a igreja, pois o ser humano é corrupto, mas a idéia de sacerdócio não se corromperá jamais por que uma vez paramentado de sacerdote o homem impuro torna-se outra coisa.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio – E quando será a abolição?



Não gosto de falar de escravidão. Tão pouco de abolição. Não acredito que tenha havido abolição da escravatura nem no Brasil e nem no mundo. O mundo continua cheio de escravos de todos os tipos: escravos da ignorância, escravos da pobreza, escravos da carne ou da falta de virtudes morais, enfim, escravos de todos os tipos. Como o dia hoje é para falar de abolição da escravatura no Brasil vou falar então da mentira da abolição e do 13 de maio. Não é de hoje que repito que 13 de maio foi uma grande mentira e enganou apenas aqueles que queriam acreditar em uma ilusão por que nunca entenderam o que significava a escravidão dos negros no Brasil. Pois digo: a escravidão dos negros no Brasil tinha apenas o significado de deixar claro quem pagava a conta do luxo.
Aprendi muito cedo, não sei mais com quem, e nem onde que na natureza tudo tem um preço e alguém tem sempre que pagar este preço. Não há nada gratuito. Plante uma árvore no seu quintal desejando obter apenas a sombra e esqueça de regá-la, adubá-la e não conseguirás nada, e mesmo que venha a conseguir que ela cresça sozinha pagarás o preço de ter que limpar as folhas no chão ou conviver com as folhas secas; terás de conviver com a presença de pássaros e tudo que eles trazem. Alguém tem que trabalhar, alguém tem que produzir. A riqueza só é produzida pelo trabalho humano. Na história humana sempre que se precisou explorar, dominar nações, construir palácios foi preciso utilizar o trabalho de multidões: foi assim no Egito no tempo da escravidão do povo de Israel, foi assim na Babilônia, na Pérsia, Na Grécia, em Roma. Na idade média a igreja fez cruzada, manteve os servos de gleba no estágio da escravidão; e, na modernidade, pelo menos no seu início o homem serviu-se da escravidão.
Escrevi uma vez um trabalho na graduação no qual eu procurava mostrar que a defesa da escravidão feita por Joaquim Nabuco era uma falácia. Na verdade ele estava mesmo era defendendo maior rentabilidade para os fazendeiros. Caso pudéssemos admitir que existiu algum grande abolicionista no Brasil este deveria ser Zumbi do Palmares ou tantos outros líderes de Quilombos. No mesmo trabalho ainda observei que, na verdade, a princesa Isabel queria mesmo com a abolição conseguir o apoio político da área progressista e ficar no poder produzindo uma avanço considerável no país e este foi um plano que saiu pela culatra pois naquele momento não existia uma base progressista suficiente, e mesmo o discurso progressista só era progressista no discurso, no fundo era norteado por interesses imediatos. Como se pode ver o  Brasil não mudou quase nada.
Na época eu havia lido com avidez autores como Nina Rodrigues, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Otávio Ianni, Sérgio  Buarque de Holanda, Gilberto Freire, e o próprio Joaquim Nabuco. Lembro-me de ter lido inúmeros artigos científicos sobre o assunto, livros antigos e recentes e o que eu vi foi uma relação pérfida que aqueles que tudo têm procura estabelecer com aqueles que não têm  nada. Foi nesta época que desisti de vez da igreja e das religiões. Não podia acreditar que a Igreja Católica tenha tida postura tão atrasada ao ponto de chancelar a idéia de que negro não tinha alma.  E as outras religiões também não tiveram postura mais avançada.
Uma das idéias mais pérfidas que já ouvi para justificar que no Brasil após a abolição não houve mais racismo foi a idéia do Homem Cordial. Segundo tal teoria o brasileiro aceitou a miscigenação. Estes fatos não se sustentam pela própria história; a tentativa de branqueamento da nação, a dificuldade dos negros de ter acesso ao trabalho após 13 de maio, e, pior, a quase impossibilidade de ter acesso aos direitos básicos de cidadão. Por tudo isso sempre vi, na abolição, uma manobra dos que muito tinham para aproveitar a idéia da liberdade dos escravos para lucrar e enriquecer ainda mais.
No estudo citado, fiz ainda uma comparação entre as idéias abolicionista, o conceito de liberdade defendido por Joaquim Nabuco e os fundamentos  do processo de formação da mão de obra assalariada, e, ali consegui entrever que a liberdade defendida pelos liberais não existe sem a proteção a propriedade privada, e, que esta é na verdade o fundamento de toda escravidão, e, que ao proteger a propriedade privada toda a possibilidade de recuperação da liberdade é perdida. Daí por que o único abolicionismo possível seja o dos Quilombos, pois este considerava necessário que o negro tivesse acesso a terra e a todas as condições para construir seu lar e sua família.
A abolição da escravidão foi então a ampliação da escravidão. Sob o pretexto de libertar os negros escravizou os índios, os imigrantes, e todos aqueles que por alguma razão não possuíam a propriedade privada seja da terra ou de algum outro produto. Ficaram todos  mercê dos senhores da terra, os herdeiros das capitanias hereditárias. Um estudo recente apresentado pela revista exame  ( não me lembro o número e não vou procurar), afirmava que dentre os trinta homens mais ricos do Brasil apenas dois eram fruto do próprio esforço, sendo que um contou com as facilidades iniciais do pai ser alto servidor público; ou seja, o Brasil é um país de herdeiros.
É verdade que muita coisa melhorou  para os negros no Brasil. Não se pode negar isso. Enquanto no entanto houver um ser humano faminto, sendo explorado de todas as formas em condições sub-humanas não existe motivo para comemorar. O Brasil é uma país ainda de pobreza e desigualdade. Devemos olhar para frente e com coragem lutar pelo que ainda temos de fazer. É necessário um grande avanço moral, uma grande luta para erradicar a pobreza, acabar com  a miséria, a exploração, a desigualdade, a violência. Enquanto isso não ocorrer 13 de maio só terá sentido se tomarmos como símbolo de uma luta que não foi vencida e que não acabou. Em um  país onde quase metade da população vive com muito menos do que um salário mínimo ainda não pode ser considerado um país de cidadãos livres. Somos todos escravos das necessidades, da desigualdade, da violência, da pobreza política e da pobreza da política.
A única coisa boa a comemorar é que se houveram alguns pequenos avanços no passado podemos acreditar que podemos continuar avançando. Outras lutas, outras trincheiras, outros quilombos. A luta que se trava hoje é para sermos em primeiro lugar donos de nossa consciência, donos de nossas mentes, e, livres de viver manietados por aqueles que julgam ter o monopólio da verdade. A abolição de que precisamos é contra a alienação que destrói o nosso corpo, entorpece o nosso espírito e macula nossa alma.