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terça-feira, 17 de maio de 2011

ESTÁ DIFÍCIL VIVER!!! – De quem é o Monopólio da verdade?



“Está difícil viver”. Ouvi esta frase hoje pelo menos umas dez vezes. Logo de manhã atendi a um telefonema, nele, o interlocutor argumentava da dificuldade que as pessoas têm de assumir as responsabilidades devidas; a dificuldade que se têm de se abrir ou pelo menos  dar-se a conhecer visões diferenciadas de mundo. “vivemos em um tempo em que todos parecem ter suas verdades e ninguém quer sequer considerar a possibilidade de discuti-las”.
No açougue o dono argumentava angustiado de como é difícil de viver. “Ninguém mais cumpre o combinado e a gente agradece a deus quando as pessoas pelo  menos assume que deixou de cumprir” – dizia ele. A vida está ficando difícil  - continuou – tudo é uma falsidade, um imaginário, uma realidade que não se concretiza, veja estas pessoas que compraram carros a prestação, outros que compraram apartamento, isso é loucura – dizia ele atordoado.
- É tanta coisa que as pessoas querem nos convencer de que temos necessidade, e, sempre nos cobrar bem mais caro do que promete cobrar. Não precisamos de nada disso, podemos viver sem muitas coisas – argumentava ele para si mesmo no sonho de se convencer de que é possível vencer a força desta modernidade consumista.
Pensando em tudo isso, e em outras tantas reclamações, post nas redes sociais, vejo que é mesmo muito difícil viver. O Twitter explica um pouco esta questão. Tem muita gente tentando ser guia espiritual, tentando ter seguidores a qualquer custo e para isso é preciso ter uma verdade a ser ensinada. Não, não há problema na multiplicidade. O problema é que se multiplicando as crenças e não se multiplicando na mesma proporção os habitantes do planeta começa uma verdadeira guerra por fiéis. Sim, fiéis. É isso que cada um dos novos guias espirituais da humanidade almeja. Fiéis que não questionem jamais as verdades apresentadas por mais absurdas que elas sejam.
É verdade. Não está nada fácil viver. Com tantos guias espirituais, com tantas verdades, com tantos caminhos, com tantos fiéis fundamentalistas seguidores de tantos mestres puros e intocáveis não está fácil viver. Não se pode mais pensar, informar-se. Mesmo a história começa a ser questionada, distorcida, degradada para servir como fundamento de novas verdades, de novos caminhos que precisam urgentemente de legitimação. Outros elementos da história precisam ser escondidos. Não se ousa falar mais da inquisição sem ser molestado; não se pode mais falar de autoritarismo sem receber olhares pouco amigáveis.
Os homens de poder novamente se sentem representantes de Deus na terra. Tem-se que cumprir o evangelho, e, agora dentro dos moldes capitalistas. A liberdade de expressão é utilizada para buscar  avidamente a construção de um império de um código, de uma moral, ou da moral da religiões cujo fundamento divino torna deus o Capitalista maior dono de toda a propriedade privada chamada terra.
Tudo é colocado no nível dos sentidos. Os prazeres, só os mais fugazes possuem o direito existência. Milhões  e  milhões se entregam todos os dias aos rituais do futebol, do carnaval  ou da religião da prosperidade, cujo principal objetivo é arrancar forças para construir, consumir, sumir. A sabedoria  dorme silenciosa esperando o anoitecer. Os sofistas fazem da vida um show pirotécnico animando platéias com seus discursos técnicos em troco de mísero salário que lhes garanta a sobrevivência. Os fundamentalistas vigiam por todos os lados. Não se pode questionar, perguntar, analisar.Os filósofos, em silêncio nas suas cátedras, ouvem os discursos vazios, as verdades enlatadas, inertes, calmos, imperturbáveis com o que esperando o anoitecer.
A correria continua por todos os lados. Os homens de ação dos quais se espera  a  justiça, a solução reverberam ataques em todos os lugares, de todos os modos,  procurando saídas nos  labirintos por eles mesmos construídos, e agora, sem saída pois todos os caminhos os levam de volta ao mesmo lugar: a necessidade de reconhecer a própria loucura.
De quem é o monopólio da verdade? Em quem devo acreditar? – pergunta o jovem desesperado em busca de um caminho para sua vida, consciente de que é preciso ter um norte para se viver nesta terra, como se obedecendo a uma voz interior que insiste em não ser sufocada pelo barulho estridente da ignorância. É preciso ter uma fé, é preciso seguir alguém, é preciso professar alguma coisa.
Parece difícil viver. Afinal qual é o propósito de nossas vidas? Quem somos nós? Por que existe tanto sofrimento no mundo? Por que pessoas honestas sofrem, e pessoas que não parecem tão honestas vivem em um aparente conforto? Tudo aparência. Ninguém ousa ir além das aparências para o mundo das essências. As verdades são ditas em auditórios por animadores treinados. As informações são transmitidas por jornalistas domesticados.
Será difícil viver? Retorno a minha casa e no silêncio do meu lar olho para a história da humanidade. Tantos meses, tantos dias, tantos anos, tantas décadas, tantos séculos, tantos milênios. Em minha memória povoa as leituras dos heróis da Grécia antiga, da antiga Roma, da Fenícia, de Tebas, do Egito, da Babilônia, e tantos outros lugares e culturas tão diferentes onde sempre houve vidas, revidas, vividas. Olho para o céu e vejo a lua, abro o jornal e um novo planeta é localizado sendo que existe perspectiva de ali existir vida. Será mesmo tão difícil viver?

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