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sexta-feira, 20 de maio de 2011

A ideologia do Mercado e o Mercado das ideologias



Bom foi o tempo em que teóricos se preocupavam com a busca pela libertação do  homem da exploração de outro homem. Na revolução francesa a luta pela igualdade, pela liberdade e fraternidade representava esta idéia. No meio do caminho inventaram a propriedade privada e os novos idealistas ao compreender que a maioria do povo nada tinha como propriedade a não ser o próprio corpo que passava a ser vendido como mercadoria ( força de trabalho); através do que o maior teórico de todos os tempos chamou de extração de mais-valia que se sustentava pela força da ideologia; estabelecia então uma luta de classes como nunca antes havia existido na história da humanidade.
Pela primeira vez as armas eram as idéias. A ideologia dominante ou a chamada ideologia do mercado tornou-se a marca dos tempos modernos. Da ética a religião tudo é permeado pela idéia de mercadoria, valor de troca e valor de uso. Os novos revolucionários, (conhecidos como socialistas, marxistas, comunistas) tinham agora o desafio não de pegar em armas, mas de fazer elevar a consciências dos trabalhadores explorados no limite de fazê-los entender e compreender que toda  a riqueza produzida é fruto do trabalho de mãos humanas. Nascia a luta duradoura entre trabalho e capital.
Apesar da história, da queda do muro de Berlim, do fracasso da União Soviética, das mudanças de rumo na china; e, que muitos consideram como a derrota final do socialismo e das possibilidades revolucionárias, não foi o fracasso de tais experiências que determinaram, como alguns querem crer, o fim da luta entre exploradores e explorados. Os capitalistas sempre foram extremamente sagazes na forma de reformular sua ideologia para manterem-se donos do poder, e conservar seus espaços. Nos dias atuais eles têem se superado, agora não pela afirmação, mas pela negação de todas coisas, todas as ideais, todos os valores.
Vamos explicar e exemplificar. Na medida em que se estabeleceu a luta pelo controle das mentes do povo por meio do que se chama ideologia, e, os partidos de esquerda e instituições progressistas começaram um processo de formação humana que poderia construir um mundo mais igualitário, os senhores das desigualdades entraram em ação. Descobriram que o que a classe explorado tinha demais valor não era mais a força de trabalho, e sim a capacidade de produzir novas idéias. Então, primeiro tratou-se de tornar-se donos destas novas idéias produzidas pelos trabalhadores. Isto aconteceu por meio do que chamaram de Teoria do Capital humano, e  em seguida na prática, nos modelos Toyotistas, Fordistas e Acumulação Flexível no mundo da gestão. Chegaram ao ápice com a idéia do trabalho em equipe e a chamada gestão de qualidade total. Não era suficiente.
Os trabalhadores continuavam dirigentes de sindicatos, escolas, pequenas empresas, partidos políticos. Eis que ganha força os profissionais das idéias. Nós que estávamos acostumados a ir a feira comprar verduras, no supermercado comprar frutas e mantimentos, começamos a aprender que era possível ir ao mercado comprar idéias; os capitalistas descobriram que podiam comprar por atacado. Não precisavam mais lutar pelo poder, poderiam comprá-lo. Então, primeiro divulgou a idéia de que o mundo mudou tanto que já não existe mais socialismo, de que o sonho de um mundo igualitário foi uma quimera. Muitos, nas trincheiras dos trabalhadores, acreditaram e começaram a vender suas ideologias, seus sonhos, suas esperanças, e  o pior, começaram a vender o sentido e propósito de suas vidas.
Transformou-se em assunto corrente a questão de que não existe mais ideologias. Todos os partidos são iguais – dizem cheios de autoridades como se esta fosse uma verdade tão clara e distinta que não necessite de nenhuma demonstração. As perguntas que faço são: acabou a exploração do homem pelo homem? Acabou-se as desigualdades sociais? Pessoas deixaram de morrer de fome? Acabou a violência? Se não existe resposta positiva para nenhuma destas perguntas então não posso acreditar que acabou a possibilidade da existência da ideologia.
Criou-se no Brasil ou tenta-se criar um partido que diz não acreditar na existência de ideologias. Esta é a característica mais liberal deste partido, a maior marca da ideologia que professam. Professam um conjunto de idéias segundo as quais não é preciso ter uma causa para estar na política, precisa apenas serem pragmáticos; professam a idéia de que o mundo nunca vai mudar, de que sempre vai haver pessoas passando fome e que isso não pode e não deve mudar. Para justificar suas ideais utilizam do argumento de que no Brasil, todos os partidos fazem a mesma coisa, todos estão envolvidos em corrupção, todos estão no poder de alguma forma; e, esquecem que afinal não é esta a definição de ideologia. Por que os partidos de esquerda se corromperam não significa que tenha acabado a desigualdade; por que os partidos de esquerda se corromperam, não significa que não exista mais pessoas passando fome, afinal, apenas no Brasil são mais de 16 milhões.
Para justificar a desigualdade social, a fome, a violência e o conservantismo criou-se o mercado das ideologias. Quanto custa um partido socialista nas eleições municipais? Quanto custa um comunista? Quanto custa um centrista? Tudo virou moeda no novo reino do mercado das idéias. Fomos reduzidos ás nossas necessidades mais básicas e animais e o estado foi o instrumento, com seus cargos e vantagens para que as ideologias virassem mercadoria no mercado da dissimulação. Com isto, a estrutura partidária no Brasil, apodreceu. E isso que explica a razão por que a oposição não consegue fazer oposição. Não são oposição, não defendem os mais fracos e oprimidos, são vendilhões do templo no mercado das almas e no reino das idéias.
Os partidos perderam sua unidade interna. Transformaram-se em um instrumento de como conseguir um cargo na estrutura do estado, um amontoado de interesses divergentes marcados todos pela busca da sobrevivência e dos prazeres fugazes. A sociedade foi esquecida, o povo foi esquecido, os ideais se transformara em mercadorias vendidos no mercados das ideologias. Chegará o tempo em que terá que implodir os partidos políticos no Brasil, e construir um  novo instrumento de canalização da vontade democrática. Macktub.

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