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quarta-feira, 11 de maio de 2011

O código florestal, a reforma política e o Brasil do Futuro que teima não chegar.



O governo não aprovou o código florestal. O congresso nacional não compreendeu a necessidade e a importância da lei, e, não conseguirá chegar a um consenso rápido. Foi adiado hoje, e possivelmente será adiado novamente. A luta que se estabelece não é pelo desenvolvimento do país, não é pela proteção do meio ambiente; já resvalou alhures para os interesses de grupos, classe e indivíduos. Com as mudanças que estão fazendo no código florestal está se adiando o Brasil do futuro, e, mais ainda, evitando que o futuro chegue de forma diferente para as novas gerações.
Pelas informações que chegam pelos jornais e as declarações de diversos parlamentares não é apenas o governo que está divido. A oposição também não é tão unanime. Criou-se no Brasil uma mistura de partidos e ideologias que impede o consenso, pois fez-se uma mistura entre oposição ao poder constituído e a oposição ideológica. Na base do governo convive de forma nada harmônica partidos de quase extrema direita como o PP de Jair Bolsonaro e  socialistas de esquerda, dito comunistas como o PC do B; no caso do código florestal não é preciso ser especialista para perceber que dificilmente Jair Bolsonaro votará algo que venha agradar as bases do PC do B. Na Oposição ao poder estão juntos, por exemplo, DEM e PPS; também não é difícil concluir que não é fácil um consenso para ambos os partidos quanto a temas por que envolvam, por exemplo, agricultura e reforma agrária.
A minha tese é de que existe no Brasil de hoje duas lutas distintas: uma, ideológica, de classe; outra visando a conquista do poder central, ou seja, tem como fundamento apenas a luta pelo poder. Na luta pelo poder a configuração que já conhecemos. Na luta ideológica o quadro é bem mais complexo. A direita possui quadros e partidos tanto na base do governo quanto na oposição; e pior, se analisar bem é possível encontrar idéias consistentes de direita em partidos considerados de extrema esquerda. O PSDB, por exemplo, já esteve bem mais próximo do PT do que mesmo o PMDB, em suas idéias de pais, de nação e de governança. O PP, que é base do governo, está muito mais próximo do DEM, quando o assunto é a sociedade brasileira do que do PMDB ou PT.
Nesta condição não é fácil para os lideres partidários conseguir identificar como votará seus liderados. Cada deputado pode mudar seu voto minutos antes da análise e votação final de um projeto se acionado por suas “bases”, entendido aqui os financiadores das campanhas eleitorais milionárias. A relação de classe deixou de ser estabelecida por meio das máquinas partidárias e passou a ser no varejo. Mesmos os partidos não sabem mais quem financia seus membros. Nesta condição destruiu-se a unidade ideológica dos partidos tornando o processo de financiamento o único guia que possa identificar o interesse de classe.
Considerando deste modo é falsa a aparência de que não exista mais nem direita nem esquerda no Brasil de hoje, afirmar isso, seria o mesmo que pretender convencer de que chegamos a idade de ouro onde a felicidade é para todos. O que está ocorrendo é uma inexistência de representantes dos interesses populares, dos interesses do povo. Estamos vivendo uma ditadura da busca pela riqueza a qualquer preço onde todos aderiram de olhos fechados ao deus do capital.
O Brasil do futuro ainda não está desenhado no nosso presente como querem alguns. O Brasil do futuro está na mente e nos corações de uma massa anônima não representada ou pouco representada no governo e no parlamento. Mesmo as decisões, consideradas importantes, não representa o que pensa esta massa. A reforma política poderia mudar esta situação? Talvez. No entanto, é outra reforma que dificilmente será aprovada neste congresso que ai está, simplesmente pelo fato de que não interessa a mudança das regras do jogo para aqueles que dominam as possibilidades de se jogar.

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