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terça-feira, 3 de maio de 2011

Três encontros e uma mensagem : a busca de um sentido para a vida



No fim de semana viajei.  O objetivo era retomar o trabalho que fiz com muito sucesso em 2009 de visitar outras cidades, observar culturas, conhecer pessoas, e fazer palestras na área da educação, filosofia, conhecimento e vida cotidiana. Na viagem pude fazer contatos interessantes e uma mensagem fica cada vez mais forte em minha mente: hoje como no passado as pessoas continuam buscando o sentido da vida.  Esta reflexão aconteceu por meio de três encontros com três pessoas diferentes onde a mensagem foi sempre a mesma: a questão do sentido da vida na terra.
O primeiro encontro se deu ainda na rodoviária de Goiânia. Sentou-se ao meu lado no espaço de espera uma jovem de mais ou menos 25 anos de idade, vestida de forma elegante, sapatos caros, notebook nas mãos, relógio caro. Tudo denunciava ou ser uma menina rica ou uma ostentadora. Ao ver-me com o notebook também nas mãos perguntou-me se ali tinha internet sem fio, ao que respondi que não, e que  mesmo se houvesse eu continuaria sem utilizá-la por que a bateria do meu PC estava boa. A moça então começou a falar sem parar sobre internet, viagens no exterior, problemas familiares, e eu sequer sabia o nome dela, e nem ela o meu.
Depois de algum tempo resolvi dizer que ela fazia parte de uma geração perdida, uma geração que não sabe para onde ir por que simplesmente não sabe que caminhos existem. Presos no presentismo e no hedonismo instrumental vagam de uma lado a outro ( aqueles que como ela tem dinheiro e são sustentados pelos pais, os pobres caem nas drogas e na violência para entorpecer o sentidos mal alimentados), a procura de algo que não sabem bem o que seja. Perdidos caem por vezes nas mãos de profissionais inescrupulosos que em alguns minutos diagnosticam as novas doenças ( TDH, Bipolaridade), e os entopem de remédios que não trazem nenhuma solução, antes os prejudicam ainda mais. 
Depois de me ouvir ela confessou já ter passado por diversos profissionais. Um, segundo ela, a diagnosticou como bipolar, e, não acreditando foi pesquisar na internet, e por ela mesma descobriu que ela não tinha nada de bipolar. Foi então a outro psiquiatra que a diagnosticou como TDAH ( Transtorno de Déficit e Atenção e Hiperatividade), mas não quis tomar os remédios embora admita-se hiperativa e com dificuldades de se manter por muito tempo na mesma atividade.
Foi então que resolvi dizer a ela que o problema não estava no mundo. Que só se encontra o caminho ouvindo os mestres externos para que se possa chegar ao mestre interior. É preciso ouvir os mestres da humanidade começando pelos nossos pais sob pena de vagarmos pela terra e não sabermos jamais por que estamos aqui. O tempo se foi e eu tive de tomar meu ônibus desejando sorte aquela moça de 24 anos que por não saber para onde ia nem o que queria, já experimentara de quase tudo e não sabia sentir prazer com nada.
O segundo encontro foi com uma mulher de mais ou menos 37 anos de idade. Separada, mãe de uma filha demonstrava nos olhos a angústia de uma vida sem controle, um sofrimento inconsciente e uma vida sem rumo. Ela estava triste por perder o padrasto e lamentava não compreender Deus. Questionou-me se eu acreditava em Deus e porque se este Deus existe ele é tão cruel ao ponto de fazer as pessoas sofrerem tanto, como se não tivesse nenhuma piedade. Fiquei apreensivo sobre o que dizer, afinal, a mulher havia perdido o padrasto. Resolvi então usar palavras genéricas para tentar dizer alguma coisa sem muito comprometimento. Disse então que era apenas uma questão de leis e que nascer é muito mais dolorido que morrer. Perguntei a ela se ela conhecia algum bebe que tenha nascido sorrindo, ao que ela respondeu que não, e, então perguntei quantos já não foram vistos sorrir e se despedir alegremente dos seus na hora da morte. A morte é só uma partida, tentei emendar, só uma partida para algum lugar que não sabemos direito onde.
Foi então que a mulher me surpreendeu dizendo que por que Deus era capaz de fazer algo tão cruel com ela e a mãe dela. Perdera o pai aos doze anos, logo depois do pai se aposentar e não gozar da aposentadoria, e agora perdera o padrasto. Duas vezes, duas perdas e o mesmo significado. Tentei mostrá-la que talvez o trabalho do seu pai já houvesse sido feito. Afinal, ele deixou uma aposentadoria para que seus filhos fossem criados, e, que cumprido sua parte deixou a mãe dela livre justamente para que encontrasse o padrasto com quem viveram outros anos de alegria e aprendizagem.
Pensativa, não se convenceu. Não conseguiu ver o sentido da vida na existência do pai e do padrasto. Não consegue olhar para si, para a filha, para o mundo e perceber o quanto tudo é passageiro. E afinal, quem de nós consegue?
O terceiro encontro se deu de novo na rodoviária. Um homem de mais ou menos 50 anos de idade reclamava de forma agressiva das razões por que o ar condicionado do ônibus não estava funcionando direito. Sentado no banco da rodoviária argumentava o quanto este mundo está maldoso, o quanto só existe gente má, e justificava assim que ele mesmo andava armado, pois contra bandido só sendo bandido e meio, dizia ele.  Em suas palavras falava de religião, de política, e em tudo via a maldade humana, somente maldade humana. No modo como falava dos seres humanos sequer parecia se sentir parte da raça humana, é como se ele fosse algo enviado, vindo de fora para aqui denunciar todos os males da humanidade.
Três encontros, uma mesma mensagem. Qual é o sentido das nossas vidas? Por que estamos aqui? Porque sofremos tantos males? Por que não somos capazes de nos perceber como parte desta humanidade que tem uma história de milhares e milhares de anos? Por que não somos capazes de perceber o real valor do ser humano e sua presença na terra e no universo.  O sentido da vida não pode ser encontrado antes que cada um perceba-se a si mesmo como parte de um todo maior e com tal percepção do eu torne-se capaz de reconhecer o quanto precisamos da natureza e dos demais seres humanos. O sentido da vida de cada um deve ser descoberto dentro no interior, na consciência, na certeza de que a existência é uma essência que ultrapassa os limites do nascimento e da morte.

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