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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

2012 – Candidatos, Jogadores e Laranjas.

Nelson Soares dos Santos


Calma. Não vou falar do fim do mundo. Existe um grande número de pessoas que estão se preparando para a chegada de 2012. Eles estudam as profecias maias, Incas, os livros de Nostradamus e o Apocalipse cristão. Acreditam  que o mundo vai acabar no ano de 2012. Existem outros que fazem piada dizendo, por exemplo que o fim do mundo em 2012 não vai acontecer no Brasil por que não existe infra-estrutura necessária. Milhares de pessoas estão, também, neste ano se preparando para as Olimpíadas de 2012, e, trabalham continuamente, diuturnamente para conseguir o sonho de estar no pódio. Também não é destes dos quais vou falar.
Na verdade, vou falar dos políticos. Este grupo de pessoas que no Brasil, um ano antes das eleições, precisa escolher o domicilio eleitoral e o partido político onde deseja disputar um lugar ao sol, ou seja, tornar-se um político com mandato. No país inteiro muitas movimentações aconteceram. Dentre elas, o destaque foi a criação do PSD, ( Partido Social Democrata), que nasce com muita força e poder e nenhuma ideologia; e o PPL ( Partido da Pátria Livre), organizado por ex-militantes do MR 8 – Movimento Armado 08 de março, que nasce também sem uma ideologia muito bem definida, e, muitas mais com alguns pontos que poderá servir de base para um programa futuro. Desta forma, no terreno dos partidos, o eleitor não terá muita novidade em 2012.  Entre aqueles que já estavam na praça, o PSDB, ensaiou, ensaiou e não conseguiu propor nada de novo que levasse a debelar a dificuldade interna que tem de fazer oposição ao PT. O DEM, esvaziado que foi pela criação do PSD, esforçou-se por assumir um discurso de direita, que no entanto, não parece ter sido assimilado pela sociedade.
Na base do Governo Federal, pouca movimentação. O PMDB, vai ser firmando como principal parceiro do PT. Os chamados partidos emergentes não conseguiram fazer grandes movimentações. O PR, atingido por acusação de corrupção contra alguns dos seus membros deve sair enfraquecido. O PTB, silencioso não parece ter se movimentado muito. O PSB, que parecia ser a grande força a crescer, também não fez grandes movimentações e parece se contentar como  parceiro menor nas hostes governistas. O PT, movimentou-se no sentido de apresentar uma reforma política, mas até agora não obteve o sucesso esperado. Ou seja, teremos mais do mesmo em 2012.
Uma vez que na esfera nacional os movimentos foram tímidos, é de se esperar que a mesma coisa se repetisse nos estados. Não foi o que aconteceu. Hei de ater-me ao caso goiano, mas penso que pode ser aplicado praticamente em todas as federações do país, isso por que se os partidos não conseguem apresentar-se ao eleitor a partir de discussões de projeto de país, ou concepções ideológicas, é justamente nas esferas estaduais e municipais que resta o espaço privilegiado da política prática e pragmática.
O PMDB e seu processo de Renovação.
Diferente do PMDB nacional que busca acomodar seus grandes líderes e encontrar um discurso único, o PMDB no estado de Goiás encontra-se em processo de franca renovação. Existe no interior do partido um movimento ainda confuso para quem olha de fora, e beligerante para quem vive dentro. De um lado um grande número de quadros reivindica renovação e falta de espaço, de outro, os velhos líderes afirmam que a eleição destes quadros novos para cargos de vereador e deputados significa um processo de renovação, e que os que reclamam buscam apenas justificativa para explicar o inexplicável – o adesismo e a traição. Indiferente a questão de quem possa estar certo ou errado, tais movimentos e acusações mútuas serviu para motivar um processo de cooptação nunca visto nos últimos vintes anos no Estado, dividiu e enfraqueceu o principal adversário do Governador, e fragilizou completamente a oposição, colocando em risco, inclusive a aliança PMDB/PT na capital e outras grandes cidades do Estado.
De outro lado, o PMDB, recebeu a filiação, em festa partidária,  de Vanderlan Cardoso, candidato a governador derrotado, e que teve uma participação modesta no resultado eleitoral, prometia ainda receber a filiação do deputado Sandro Mabel, que até este momento não vi uma confirmação definitiva. O certo é que o PMDB deve chegar em 2012, no estado de Goiás, como coadjuvante do PT, nas cidades de Goiânia e Anápolis aprofundando o processo de renovação do partido para as eleições de 2014.
O PSDB e os muitos candidatos sem peso político.
O PSDB chega para 2012 fazendo muito barulho porém sem candidatos com luz própria para a disputa nas principais cidades do Estado, incluindo Goiânia, Aparecida, Senador Canedo, Luziânia, Anápolis na região metropolitana. Em Goiânia nos nomes de Fábio Souza e Leonardo Vilela, dificilmente ganhará a simpatia do eleitor. O primeiro, por fazer parte de um segmento específico da população, o segundo, por falta de empatia com o eleitor das classes populares.  Embora tenha eleito pela terceira vez o governador do Estado, possivelmente o PSDB continuará longe da briga pela prefeitura de Goiânia, tornando-se coadjuvante do DEM, que possivelmente pode ter Demóstenes Torres, que no momento se apresenta com candidato competitivo ou o PSD, que com três candidatos no páreo tenta se apresentar como força nova.
No caso do DEM, dificilmente ocorrerá uma vitória, mesmo de Demóstenes Torres, uma vez que o eleitor da capital tem apresentado nas últimas eleições uma tendência ao voto de centro-esquerda. Mesmo Nion, o último prefeito do PSDB, tinha quando eleito uma característica de Centro-esquerda vindo  da ala progressista do PMDB comandada por Henrique Santillo. O PSD, conviverá com duas dificuldades principais: a primeira, terá o candidato de explicar ao eleitor a mudança de partido; a segunda, encontrar um discurso que seja necessário e suficiente para dialogar com o eleitor, e isso, em um prazo de no máximo seis meses.
O PT e seu Movimento de Ascensão em Goiás.
Nas bases do PT, não existe dúvida de que o partido vive o seu melhor momento. Nunca antes na história o Partido esteve a frente das duas maiores prefeituras do Estado, ( Goiânia e Anápolis), e seu aliado principal na prefeitura de Aparecida de Goiânia. Conta ainda, com a boa avaliação da presidente Dilma, que embora não dê para medir no momento o potencial de transferência de votos com certeza não vai atrapalhar. A participação de Lula nas principais cidades também pode, se bem utilizada no planejamento da campanha ser um diferencial positivo.
Apesar de ter suas administrações bem avaliadas, a grande fragilidade do PT em Goiás, é que a preferência pelo partido não passa de 15% dos eleitores; e a rejeição ao Partido é ainda muito grande, talvez uma das maiores do país. O desafio será apresentar o partido como o responsável por administrações de sucesso, e, uma instituição que contribuiu para modificar a realidade do país. Um outro fator que poderá influenciar os resultados eleitorais para o PT, será a influência que a Crise econômica terá no país até as eleições.
Os movimentos Sutis dos pequenos Times.
Ao lado dos movimentos dos grandes times e grandes jogadores, alguns movimentos dos chamados pequenos merecem atenção, por que, dependendo das circunstâncias poderão vir a desequilibrar o jogo. O primeiro movimento, que parece não ter surtido o resultado esperado,foi a filiação de Júnior do Friboi no PSB. Aparentemente, não houve o crescimento esperado do partido. Considerando que Junior é um grande empresário e empreendedor é prudente esperar um pouco mais para averiguar se isso realmente se confirma. Na verdade, na política atual, onde se tem possibilidade de ter dinheiro disponível, todos sabemos que pode se ter muitas surpresas.
O segundo movimento foi a hegemonia alcançada pelo Grupo de Flávia Morais no PDT, que culminou com a saída de alguns quadros do partido. Aliado a este, surge o terceiro movimento dos pequenos:  o reagrupamento das forças de um grupo político que nas eleições após as diretas já, era conhecido como viração, ou grupo popular do PMDB. O reagrupamento se dá no mesmo partido para onde foi as principais lideranças quando deixaram o PMDB anos atrás: o PC do B ( Partido Comunista do Brasil). Este grupo, na época representado por Aldo Arantes, Denise Carvalho, Euler Ivo e Isaura Lemos, eram no PMDB, liderados por Henrique Santillo e fazia a ponte entre a liderança de Iris Rezende e as classes populares. O interessante é que parece que agora o grupo se aliará ao PT apoiando Paulo Garcia e ao PMDB de Iris; o que pode fazer o eleitor mais popular identificar Marconi Perillo com o grupo mais conservador da Política Goiana. Do ponto de vista do imaginário do eleitor, pode ter um efeito devastador nos projetos futuros do Governador Marconi, afinal, Marconi foi eleito com as promessas de repetir um governo de Centro – esquerda e voltado para o bem estar do povo, e eleito, os seus principais quadros não representa isso, basta ver os secretários que de fato tem voz no Governo. O PPS, único aliado do Governador Marconi que poderia se apresentar com uma visão de esquerda no interior do governo, tem participação discreta no planejamento das políticas públicas e deve também ter uma participação discreta nas eleições pois encontra-se em processo de reconstrução e formação de lideranças.
Caso isso se confirme, poderá ocorrer uma polarização ideológica já nas eleições de 2012, que certamente influenciará as eleições de 2014; no entanto, para isso se confirmar será preciso medir com cuidado o espírito de pragmatismo que terá o eleitor nas eleições do ano que vem. Tudo indica que o eleitor estará preocupado com demandas locais como: melhoria do trânsito, Educação Infantil, Meio Ambiente, Limpeza, Transporte Público e Lazer. Caso isso aconteça as questões ideológicas ou as crises econômicas poderão ter influência diminuta no processo.
A verdade, que é os jogadores estão convocados, os times estão parcialmente montados. Daqui para diante começa o jogo. Alguns começaram de forma tímida, outros serão mais agressivos. Todos terão um único objetivo: ter mandato em 2012. Nesta babel política resta tentar descobrir quais destes estão no jogo por uma questão pública ou por que vêem na vida pública um instrumento a ser colocado a serviço dos seus interesses particulares.



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