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domingo, 9 de outubro de 2011

A formiguinha humana.

Nelson Soares dos Santos
A pequena formiguinha vai seguindo sozinha.
Sobe trapo, desce trapo, sobe pedra, desce pedra.
Longe do formigueiro lá vai a formiguinha;
Carregando sofregamente nos seus ombros uma folha de erva.

A pequena formiguinha foge do asfalto quente.
Sobe, apressada na calçada, e segue o seu caminhar.
Olhando, assim, até parece que é gente.
Seguindo a vida sôfrega, procurando seu lugar.

A formiguinha segue procurando a relva verde.
Olhando seu caminhar estremeço de emoção.
Como pode a formiguinha tão longe do formigueiro,
Caminhar de forma tão firme sem sinal de solidão?

E olho novamente. Vejo um formigueiro humano.
Caminhando, apressados, em um trôpego caminhar.
Seguem todos um caminho, tudo quase desumano,
Uma carga tão pesada e não sabem onde vão chegar.

A formiga e o formigueiro. O humano e a multidão.
Espécies tão diferentes buscando sobreviver.
A formiga leva a folha, quase sem preocupação.
O homem leva tanto, e em tanto, tanto sofrer.

2 comentários:

  1. Bom dia professor!
    bacana excepcional.....
    Mestre é assim faz dos pequenos detalhes uma excelente e grande fonte do saber.
    Eliane

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  2. Nada..... A gente tenta, e recomeça, e esforça, e, as vezes, consegue. Quando gostar recomende. Escrevo para alimentar as almas de quem tem fome de saber com sabor.

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