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sábado, 24 de março de 2012

A ética do Ser Humano, a Ética do Governador e os venenos e Toxinas da Política



Nelson Soares dos Santos


Esta semana parece ter sido uma semana fria e sem acontecimentos políticos relevantes. Teria sido se olharmos com os mesmo olhos que sempre olhamos, a forma como estamos acostumados a ver as coisas, a política e os seres humanos. No entanto, se olharmos um pouco diferente, saindo um pouco do meio político, olhando com os olhos do povo, podemos ver muitas coisas acontecendo, e coisas graves que podem comprometer o futuro do país.
O primeiro acontecimento interessante desta semana foi a atenção dada por diversos políticos ao tema da ética. Este é sempre um assunto e tema rico, que dependendo de quem o aborda fica  com mais esplendor. Entre estes políticos que falaram de ética, o Governador Marconi Perillo que disse mais ou menos assim: “ Ser ético é ter a coragem de tomar decisões mesmo que esta não agrade algumas minorias”. O governador falava em um evento sobre o meio ambiente e claro, citou a necessidade de apertar o certo contra aqueles que não são “éticos”, e que devastam o meio ambiente. Subliminar estendeu a tal ética para todas as decisões do Governo, e é bem ai que o problema começa.
Publicado nos jornais a declaração do governador ficou repercutindo como se fosse ético a atitude do Secretário de Educação de colocar a polícia nos professores. Ficou parecendo que ético retirar a titularidades dos professores conquistado com sofrimento ao longo da vida. Ficou parecendo que é ético não pagar o piso aos professores; ficou parecendo que é ético um professor ganhar 1460.00 reais para trabalhar quarenta horas. Ficou parecendo que é ético cortar o ponto dos professores em greve.
O problema do Governador é de conceito. Ele confundiu ética com moral. No senso comum todo mundo faz isso, mas quando os governantes fazem ganha um sentido ideológico forte que pode mudar os rumos do Estado. Ética não é moral. Antes, Ética é a ciência que estuda o comportamento moral do ser humano. Quando o governador falou “Ética”, na verdade quis falar moral. E, bem sabemos, a moral não é única na sociedade. Neste sentido do ponto de vista do Secretário de Educação é ético o que está sendo feito com os professores no Estado. Portanto, o que é preciso perguntar é a quem serve tal ética ou tal moral e por que tenta se instalar na estrutura do estado um tipo de moral que visto pelos olhos do povo nada tem de defesa dos interesses do bem comum ou do povo.
Na verdade, o que se vê no Brasil é uma tentativa de se instalar uma ética do roubo. Sim, não se trata de neoliberalismo, ou esquerdismo. Trata-se de escravizar a maioria do povo a interesses menores de um grupo de pessoas que se arvorou em líderes do povo mas que não vê senão os próprios interesses. Não se trata pois de uma ética de uma maioria contra uma minoria, nem tão pouco uma Ética ( moral) dominante como se compreende o marxismo, relativo a classe dominante ou daqueles que possuem os meios de produção. Trata-se de uma ética do roubo, do veneno, da baixeza moral, do se dar bem na vida a qualquer custo fazendo o que preciso for.
Os abalos vividos pela base aliada do Governo Federal é outra situação que mostra esta verdade. Bastou a presidente começar a combater a corrupção, não tolerar desvios absurdos e a tal base aliada entrou em crise. O que a presidente quer é tão somente um governo mais técnico, no entanto, parece que o congresso não consegue ou não tem forças para compreender isso. É como se na verdade houvesse um governo paralelo que controla o Congresso. É estranho isso, como se o filme “Tropa de Elite” que descreve o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro e ao final do segundo Filme, e aponta para Brasília como sendo o lugar onde o crime tem seus tentáculos mais forte, estivesse deixando de ser ficção e se transformando em uma dura realidade.
Outro fato curioso é que não existe mais oposição. É como se todos os políticos estivessem se unindo em uma conspiração contra o povo. No Governo Federal a oposição se perdeu em seus próprios liames ( no momento, a principal voz, Demóstenes Torres, agora dedica o tempo a explicar as relações íntimas de amizade com um dos maiores contraventores do Jogo do Bicho preso pela Política Federal; inocente ou não a voz que existia vai sendo silenciada). Nos estados onde os partidos da base do Governo Federal é oposição, também não existe oposição por que afinal é tudo do mesmo. Praticamente não tem como diferenciar um Governo do PT de um Governo do PSDB. A estrutura da política está se alimentando dos próprios venenos e ninguém consegue ver além do mar de lama onde estão se banhando.
Tristemente esta é uma situação que se estende ás disputas de poder dentro dos partidos políticos. Quase não existe mais dirigentes partidários estadistas. O que existe são indivíduos a procura de emprego e vantagens no aparelho do Estado. Parece que a única forma de fazer política começa a ser saindo da política. A vivência no interior dos partidos torna-se cada vez mais complexa. Os grupos que se guerreiam em torno do controle da máquina partidária não consegue sequer perceber quais são os papéis do partido político em uma democracia. O lugar da teoria e do esforço de compreensão foi tomado pelo pragmatismo do toma-lá-da-cá. No meio de tudo isso os falsos quadros técnicos que são nomeados por falsas meritocracias, cargos de confiança e comissionados. Quando se olha com atenção, o que se vê é uma intrigada rede de interesses profundamente organizada cujo único objetivo verdadeiro é sugar e sangra o estado.
Toda estrutura que se alimenta e se realimenta envia constantemente toxinas e venenos para a sociedade. O desinteresse pela política cresce, outros reagem “entrando no esquema”, como mostrado como normal o processo de propina noticiado pelo Programa Fantástico da Rede Globo, onde, os empresários passa a ver a corrupção dos políticos e assessores apenas como uma ética do mercado. O problema é que tais toxinas e venenos se alimenta e alimentado pela violência latente na sociedade gerando abertura para o surgimento de uma verdadeira patologia social. No final, os mais fracos é que pagam o preço, uma vez que falta remédio nos hospitais públicos, a educação pública não tem qualidade, e a segurança praticamente inexiste. Diante de tudo isso, fiquei tentando colocar-me no lugar do Governador e tentando questionar qual deveria ser a decisão corajosa que pode tomar um governante em uma situação com esta. Não sei quando terei a resposta. A diferença entre minha situação e a do Governador é que ele inevitavelmente tem de Governar.

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