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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Operação Sexto Mandamento e os outros Mandamentos divinos.

É comum que algumas coisas do cotidiano faça com que pensemos sobre outras coisas, que, em um primeiro olhar, não possui muita relação uma com a outra.Por isso mesmo, dizemos que é um devaneio.
Os devaneios, podem ser da vontade, da terra, do ar, da mente, do coração. Todos devaneamos em algum momento, afinal, devanear é mais comum do que pensar, principalmente em nossos dias, em que o espírito científico encontra obstáculos quase intransponíveis em busca da objetividade no conhecimento das coisas. Foi pensando assim, ou devaneando, que lendo e escrevendo sobre a Operação Sexto Mandamento, da Polícia Federal em Goiás, fiquei, primeiro a imaginar, depois a devanear, e, agora tentando pensar, como seria se fosse feita operações tendo como objetivo todos os mandamentos divinos entregues a Moisés.

Imaginemos então, rapidamente, o que seria a Operação Primeiro Mandamento. O Primeiro Mandamento assim afirma: "Não terás outros deuses diante de mim".Conscientes disso, técnicos da Polícia Federal se debruçariam sobre as relações que tal mandamento tem a com a sociedade, e, com uma sociedade democrática. Poderiam descobrir, por exemplo, que na verdade existe um único Deus, e, que não ter outros deuses diante de si significa, sobretudo, que devemos tratar todos os irmãos humanos como sendo adoradores do mesmo Deus que nós. Pronto, encontraria ai o motivo da operação, e sairiam em busca dos motivos pelos quais todos os dias surge uma religião nova.

Um outro grupo de especialistas muito bem treinados, também estudaram o Segundo Mandamento que diz: Não farás para ti imagens de esculturas, nem figura alguma do que está em cima,nos céus ou embaixo, sobre a terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso que vingo a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos". Imagine que o grupo por especialistas e pensadores que são, entenderam que esculturas e imagens não significa apenas esculturas de barro, utilizadas por algumas religiões, seitas e cultos para ilustrar aos seus fiéis a divindade. Entenderam também, que o capital, os bens materiais, e mesmos os desejos da carne quando colocados em primeiro lugar e adorados são imagens de esculturas a substituir deus nos corações dos homens. Conscientes disso, saem a campo, buscando os transgresssores do segundo mandamento.

O Terceiro Mandamento, diz: Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, por que o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro" Quantos fazem juramentos maldosos colocando em risco a vida de outros? Todos seriam buscados pela polícia federal. Pronunciar o nome de Deus em vão pode ser entendido não apenas como sendo aquela prática de repetir sem sentido o nome de Deus, mas, sobretudo, quando usamos o nome de Deus para dar credibilidade às nossas ações, que na verdade, não merecem credibilidade nenhuma, ou seja, usamos o nome de Deus para enganar os outros. Imagine quantos políticos, líderes religiosos, empresários deveriam ser investigados.

O quarto Mandamento diz: "Lembra-te do dia de sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro dos teus muros. Por que em seis dias o Senhor fez o Céu, a terra, o mar e tudo que contém, e repousou no sétimo dia; e por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou". Bem que se poderia pensar aqui que apenas os sabatistas estão imunes a lei, mas aqui, estamos falando da democracia terrestre, e então, tudo deve ser entendido por analogia.Vamos entender então, que a polícia federal, depois de muitos estudos entendeu, que guardar o sábado e repousar no Senhor significa a obrigação que todos os homens tem para com seus irmãos e cuidar de si mesmo, de sua própria vida espiritual, e que deve retirar dos sete dias da semana um tempo de um dia para cuidar do equilíbrio do corpo e da alma.
A investigação começaria, então, buscando a relação de crimes com excesso de trabalho que alguns insistem sobrecarregar o próprio corpo, depois, como esta sobrecarga afeta os familiares, amigos, tirando-lhes a paz e trazendo transtorno para a sociedade. E assim, teria uma quantidade de pessoas para ser investigadas.

Quinto mandamento: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolongue os teus dias na terra, que o Senhor teu Deus te dá". Pelo princípio da analogia, honrar pai e mãe, será tido aqui, como o honrar as autoridades legitimação constituídas.A obediência as autoridades constituídas poderá também ser entendido como preservação das Instituições, ou pelo menos, pela tolerância aqueles que desejam e querem viver de acordo com elas. Hoje, a Instituição da família, do casamento, e tantas outras tem sofrido verdadeiras blasfêmias, e, o resultado, é uma sociedade cada vez mais desorganizada, decadente, e perigosa.

Sexto Mandamento: "Não Matarás". Bom, neste caso, a operação já ocorreu. A polícia Federal, entendeu, como reza a constituição, que é dever das Polícias Militares, defender o povo, garantir segurança, e coibir qualquer tipo de desordem. O papel da PM, seria exatamente o contrário do que alguns dos seus membros se dispuseram a fazer. O desejo de extermínio, a execução fria, seria por isso, um crime contra a vida e que deveria ser investigado. Possivelmente, entendeu ainda, que este desejo não nasceu, simplesmente dentro da polícia, mas também, dentro de setores da sociedade, daí, a necessidade de agir de forma forte, para mostrar que é necessário manter a ordem, e resolver as coisas dentro das leis acordadas pela sociedade brasileira em sua carta magna.

Sétimo mandamento; "Não cometerás Adultério". Neste quesito os especialistas da Polícia Federal poderiam entender ser investigados Juízes, promotores, políticos, professores, Médicos, e todos aqueles que traem os juramentos feitos de servir bem a sociedade. Sim, comete crime de adultério aqueles que jurando servir a sociedade utilizam de suas posições para fazer tráfico de influência, acumulando riquezas a partir do uso da função pública.

Oitavo mandamento. "Não furtarás". Os especialistas da PF, também aqui poderia escolher investigar professores, médicos,políticos, empresários, padres, pastores, e todos aqueles que de alguma forma, ou por algum subterfúgio se utilizam de sua força, ou da fragilidade dos outros para acumular bens ou deixar de cumprir obrigações por aquilo que é o mérito. Veja o caos dos professores; não seria roubo negar aos estudantes o conhecimento pelo qual tantos busca? Não seria roubo a atitude do médico que pago por dinheiro público para trabalhar oito horas, trabalha bem menos, deixando de atender considerável número de pacientes?

Nono Mandamento. Neste caso, os especialistas não teriam muita dificuldade em descobrir o alvo. Os Jornalistas e a imprensa, claro. Assim diz: Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo". Não apenas os jornalistas, diria algum especialista, temos de investigar também os dirigentes e gestores públicos que por interesse próprio utilizam da posição ocupada para macular a honra de alguns subordinados, por insegurança, ou qualquer outro motivo. E começaria a operação, devassando as notícias mentirosas dos jornais, a forma alienada como é feito alguns tipos de jornalismo cujo único objetivo é vender mentiras e adquirir riquezas.

Emfim, o décimo Mandamento. "Não cobiçarás a mulher do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence". Eu não consigo imaginar o que conclusão chegaria os especialistas da PF, neste quesito, talvez, por já estar cansado de pensar nos males, tantos males e transgressões que tem em nossa sociedade. Entretanto, vou lhes contar um caso, depois, quem sabe escrevo de forma mais desenvolvida e com detalhes. Tinha um amigo, rico, inteligente. Eu o considerei por muitos e muitos anos como um dos melhores amigos. Não pela riqueza dele, nem mesmo pela inteligência, mas unicamente como a vida nos colocou em contato. Um dia, com a nossa amizade já estremecida, pelas vezes repetidas como eu reprovava a relação dele com o dinheiro, ele contou-em, a titulo de mostrar o quanto ele era inteligente a seguinte história: Ele fez uma proposta de compra de um negócio a outro "amigo". Tendo sua proposta recusada, foi ao banco, movimentou toda a sua rede de amigos para "cercar" o amigo. No final, ele conseguiu dificultar toda a vida financeira do amigo, e comprou a propriedade por preço ainda menor, e, ainda dizendo ao amigo que o estava ajudando a sair daquela situação difícil em que estava. Creio que isso é cobiçar a coisa do próximo. Não duvido que esta seja um prática comum no mundo comercial e capitalista, caberia no entanto a investigação da PF?


É assim. Em nossa sociedade quebra-se todos os mandamentos. Os governos, a sociedade civil, as famílias. Outro dia em sala de aula, disse aos meus alunos que nossa época pode ser comparada a época pré-diluviana ou aos tempos que antecedeu a destruição de Sodoma e Gomorra. Vivemos em uma época de estranha degradação. Uma época em que quase tudo é permitido, quase nada é proibido, e parece que começar a ser constrangido exercer as virtudes. A tolerância começa a ser atacada, na medida que somos obrigados a concordar, e tolerar não é concordar, pois só pode tolerar aquele que pode também condenar, ou pelo menos ser indiferente. Lutar por uma sociedade justa nos nossos dias, torna-se cada vez mais difícil. Não concordo que as novas gerações estejam mais acomodadas, pelo contrário, viver em uma época assim, é preciso ter forças, coragem, discernimento. A questão é escolher o caminho a seguir, em quem confiar. Em nosso caso perguntar: Quem define as prioridades a serem investigadas? Quem define o tempo? A velha preocupação em relação a tudo, já vivida por Paulo Freire em relação a Educação: Afinal, quem Educa o Educador.

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