Pesquisar este blog

segunda-feira, 7 de março de 2011

O caminho para a felicidade I - As virtudes em Aristóteles


Nos dias atuais tem sido quase um imperativo lutar pelo poder e pelo dinheiro. Ter  dinheiro e poder tornaram-se o símbolo do sucesso de uma pessoa e, por isso uma grande parcela da sociedade dedica-se com afinco à luta por sua conquista.Tal questão é uma preocupação que vem de tempos antigos, e, desde que o homem descobriu o uso da razão como fundamento explicativo das coisas e acontecimentos este tem sido um assunto fruto de grande parte de suas reflexões. 
A grade luta entre os Filósofos Pré-socráticos e os Sofistas, e que foi logo depois travada entre Sócrates e os Sofistas, passava por esta questão. De um lado, os sofistas, que diziam que o conhecimento devia ter uma utilidade imediata, servir para resolução de problemas práticos, e, de outros, os filósofos, argumentavam que o verdadeiro objetivo do homem era  a busca da felicidade, do belo, do bom, do sentido absoluto das coisas e não o prazer imediato. Assim é que os pré-socráticos buscavam os princípios primeiros de todas as coisas, enquanto os sofistas, buscavam o aspecto prático da vida. 
A condenação de Sócrates é um exemplo do conflito entre a Sofística e a Filosofia. Para os sofistas tudo aquilo que não produz resultados imediatos é uma forma de corrupção da sociedade. E, neste sentido, Sócrates foi acusado de corromper a Juventude por ensinar-lhes o caminho da sabedoria que embora mais demorado e trabalhoso levava-os a hábitos virtuosos e a uma vida de dignidade e paz interior. Mais uma vez o grande conflito se dava entre a utilidade e o poder, e o caminho do belo, do bom e da felicidade.
Discípulo de Sócrates, Platão continua aprofundando o pensamento socrático na medida em que sua luta é mostrar que apenas a Educação pode tornar homem justo bom, e que o aprendizado das virtudes é o caminho para uma cidade onde todos sejam felizes. Em "A República", o Filósofo aristocrata ateniense mostra os passos e caminhos possíveis para que um homem alcance a felicidade, e é sintomático que ele começa discutindo a questão das riquezas para mostrar que a riqueza em si não garante a felicidade de ninguém, sendo unicamente um meio que pode contribuir para tal felicidade. O conceito de virtude aparece no seu símbolo máximo da Justiça, e felicidade e justiça seriam inerentes, ou seja, o homem feliz é em essência o homem justo, pois estes teria em si todas as demais virtudes.
Prosseguindo o caminho do seu mestre Aristóteles deixou-nos uma obra ímpar sobre o assunto,"Ética a Nícomacos". De forma didática expôs cada uma das virtudes considerando-as como virtudes da alma. Para o sábio de Estagira as virtudes não pertencem ao mundo dos sentidos, ao corpo, e sim a alma. Ainda assim, a alma possui dois tipos de virtudes: as virtudes morais e as virtudes intelectuais, sendo que as primeiras são compreendidas pela mediania, as segundas como  o bem em si. Os vícios que são definidos pela falta ou excesso de uma virtude não possuem mediania e são o mal em si. Neste sentido, a inveja, o adultério, o assassínio, o despeito e o despudor são males em si, e isso anula, na atualidade os argumentos da existência da inveja boa, da pena de morte, etc, pois tais males não pode trazer felicidade ao homem, uma vez que esta só pode ser alcançada pela mediania ou por uma vida virtuosa.

Segue abaixo o quadro das virtudes e suas definições.

Virtudes Intelectuais
A virtude intelectual gera e cresce graças ao ensino, e, por isso requer experiência e tempo. Para Aristóteles as virtudes intelectuais são superiores as virtudes morais, uma vez que são disposições da alma.
 A arte seria então a primeira destas disposições, no entanto, não é práxis, é antes uma vontade da alma de agir sobre as coisas. Em seguida viria a prudência ou o discernimento. As virtudes morais simplesmente não existiria sem a capacidade do discernimento, uma vez que não basta apenas o aprender a praticar as virtudes, antes, é necessário saber discernir qual é o justo meio. O discernimento aparece então como a capacidade da alma de caucular o justo meio das coisas. A prudência é então uma combinação do pensamento correto com o desejo correto que leva a excelência da faculdade calculadora da alma racional.
A capacidade de calcular, discernir, no entanto pelo saber que se apresenta através da ciência, da inteligência e da sabedoria filosófica. A ciência e a inteligência pode então propiciar o discernimento mas não a excelência moral. O ladrão que consegue encontrar os meios corretos e mais hábeis de roubar sem ser pego, mostra ter a inteligência e a ciência da arte do roubo, e, por isso mesmo se torna um perito ladrão.  A excelência moral nasce pois da conjunção do pensamento correto com o desejo correto que só é possível quando se alcança a excelência da ciência, o que propicia a iniciação a sabedoria filosófica. Ao alcançar a excelência da sabedoria científica o homem busca fins que estão além do homem, alcançando assim a excelência moral.


A arte


A ciência




O discernimento ou a prudência


A inteligência


A sabedoria filosófica





As Virtudes Morais

As virtudes morais são adquiridas pelo hábito, sendo que primeiro adquirimos a potência, e em seguida expressamos em atos.

Vício por falta
Virtude
Vício por excesso
Covardia
Coragem (Virturde relativa ao medo e a confiança)

Temeridade
Insensibilidade
Temperança
( Virtude relativa aos prazeres e as dores)
Libertinagem
Avareza
Liberalidade (Virtude relacionada ao dar e ao receber)
Esbanjamento/
prodigalidade
Vileza
Magnificência (Virtude relacionada ao dinheiro ou riqueza)
Vulgaridade
Modéstia
Respeito próprio/Justo orgulho ( virtude relacionada à honra ou a desonra)
Vaidade
Desambicioso
Justo Orgulho ( relacionado a pequenas honras)
Ambição
Indiferença/pacatez
Gentileza/calma (virtude relacionada ao sentimento de cólera)
Irascibilidade
Falsa modéstia
Veracidade (Virtude relacionada a verdade)
Jactancioso
Rusticidade
Espirituosidade
Chocarrice
Mal humorado
Amabilidade ( Saber agradar a todos)
Obsequioso/lisongeiro


Nenhum comentário:

Postar um comentário