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domingo, 13 de março de 2011

Saúde, Segurança e Educação. - Governo em disputa?



Quando se acredita demais em algo ou em alguma pessoa é difícil assumir uma postura de crítica, e com  o Governo Marconi não é diferente. Entre as razões está a de eu ser membro de um Partido da base, o PPS, Partido Popular Socialista; e, ter uma centena de pessoas que me consideram como liderança. Apoiei integralmente a idéia do PPS de ser um dos primeiros partidos a apoiar a volta de Marconi, e mais ainda, cerrar fileiras no na defesa do Patrimônio Político do Governador. Isso, depois de ter ouvido muita coisa pelo erro de Marconi Perillo em fazer de Alcides Rodrigues seu Sucessor, fato que desagradou a muitos, principalmente nas cidades do interior.
Embora tenha votado em Marconi desde sua primeira candidatura em 1998, nunca tive a oportunidade de ser ouvido diretamente, o que nunca  me incomodou, pois sempre tive a noção do que significa governar e liderar pessoas. Também em todos os governos de Marconi não tive nenhum cargo que se possa dizer que   trabalhei em algum governo. Como membro da direção do Partido Comunista de 1999/2004, defendi que, o Marconi como político, era um homem progressista e seu governo, um governo em disputa. Isto significa que entendíamos que no governo Marconi 1998/2002, existiam forças totalmente conservadoras, liberais, cristãos, e a própria direita reacionária; políticos de centro, visto como sendo o grupo ligado ao Ex governador Henrique Santillo e, a esquerda, no caso representado por dissidentes do Partido dos Trabalhadores que apoiaram Marconi, e,  o Partido Comunista do Brasil, representado na época, principalmente pela deputada Denise Carvalho e o Secretário de Ciência e Tecnologia Gilvane Felipe.
Nos documentos do Partido Comunista do Brasil consta que as razões para apoiar o governador eleito e participar do governo eram os avanços que se podia conquistar para os trabalhadores, o compromisso feito pelo governador de não privatizar empresas estatais como Celg, ( Centrais Elétricas de Goiás) dentre outras; e, o investimento na Educação, principalmente na Educação Superior principalmente coma Criação da UEG – Universidade Estadual de Goiás. Vale lembrar que tais compromissos foram mantidos pelo Governador em seus dois primeiros governos, sendo que na Administração Alcidista as notícias que se tem é que a UEG foi sucateada, a Celg está endividada, e tantas outras notícias ruins que temos ouvido todos os dias.
Até ai, tudo bem. O que não se pode e não consigo entender é a atitude que pode ser observada neste terceiro governo Marconi. Desde o ponto de vista político ao administrativo está acontecendo fatos que não é possível serem compreendidos, pelo menos, se não voltarmos a refletir do ponto de vista da disputa ideológica.
A Operação Sexto Mandamento deveria ser tida, e é uma operação normal feita em todos os estados e até  dentro da própria Polícia Federal, mas em Goiás tomou proporções políticas que não consigo compreender. Polícias corruptos devem sim ser presos, depois de investigados e julgados pelos órgãos competentes, mas quando se coloca em xeque uma Instituição do Estado é preciso prestar mais atenção. A segurança é uma área típica do Estado de Bem Estar Social. São os pobres, oprimidos e ou trabalhadores que não conseguem pagar segurança privada. Os condomínios fechados todos têm segurança privada. A pergunta é  - quem perde quando se ofende a Polícia Militar? Agora, sendo verdade ou não, corre a notícia de que um deputado da base apresentou um projeto de lei para desarmar a polícia. A pergunta,  - vai desarmar também os bandidos e  segurança privada dos condomínios ricos?
A Educação é outra área importante do chamado Estado de Bem Estar Social.O governo começou com um estardalhaço de fazer uma revolução na Educação cooptando um político de um Partido adversário como se este fosse ser o salvador da Pátria. Logo depois, começo a ver manchetes nos jornais insinuando que a baixa qualidade do ensino se dava pelo fato de existir muitos professores fora de sala de aula, uma reportagem tendenciosa que me levou a escrever diversos textos criticando tal prática jornalista. Em seguida fomos surpreendidos com uma lei aprovada na Assembléia Legislativa que libera no número de alunos por sala de aula para a rede privada. O Governador veio ao público em defesa da Lei afirmando que esta era uma questão de mercado. Eu concordo, mas a pergunta que fica é –se a lei é inútil, pois na rede privada isso já é praticado, para que mesmo aprovar a Lei? O meu palpite é que vem em breve por ai uma proposta de tornar as escolas públicas de Goias PPPs, ou seja, elas passariam a serem administradas no estilo privado por Organizações diminuindo assim, o papel do Estado.
A saúde, bom, a saúde, que eu saiba, o governador cita, orgulhoso, o fato de o CRER, ser administrado por uma OSCIP, ( Organização Social de Interesse Público), e que existe no governo a idéia de estender este modelo de administração a todos os hospitais do Estado. Pode parecer alarmista de minha parte, e sei, que muitos correligionários do PPS, podem não gostar, mas o que vejo é que o governo Marconi assumiu uma postura profundamente liberal, muito mais que foi capaz o Governo Fernando Henrique, e os governos Paulistas e Mineiros do PSDB.
Como se não bastasse começo a sentir um cheiro de liberalismo totalitário. É como se fosse um centralismo democrático stalinista invertido. Em um estado com apenas 11 % de pessoas com curso superior, isso pode significar um perigo muito grande para a população.
Saúde, Segurança e Educação São três áreas nas quais um governo progressista precisa investir, se pretende governar com justiça, diminuir as desigualdades sociais e aumentar a fraternidade. Caso o Governo Marconi não mudar os rumos eu não terei mais motivos para acreditar que este pode ser um governo bom para a população. E, não adianta dizer que tais movimentos se explicam pela forma como se recebeu o Estado. Esta é, definitivamente, uma questão ideológica onde, de um lado estão aqueles que querem ganhar e manter a riqueza a qualquer preço e, do outro lado, estão aqueles que querem, pelo menos sobreviver.

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