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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Educação é a Chave - Que Educação mesmo?



Na semana na qual o governo trocou o ministro da Educação foi rica de quantidade de artigos sobre a Educação em todos os jornais do país, escrito pelas mais variadas autoridades, desde autoridades municipais a autoridades federais. Aqui, peço permissão ao leitor para citar apenas alguns dado que, na verdade, a grande maioria é repetitiva e sem novidades. Grosso modo, apenas uma coisa parece ir tornando consenso: a Educação é senão  a única chave, uma chave importante para garantir a continuidade do desenvolvimento do nosso país. Quando, no entanto, começamos a analisar o que cada um diz sobre a educação  fica uma pergunta intrigante: Qual educação é mesmo a chave para contribuir com a nova realidade do país?

É então que percebemos que se começa a existir uma pálida consciência de que se deve investir em Educação o que existe mesmo é uma babel de interesses e uma confusão de discursos  vazios que na verdade nada diz sobre a educação necessária e urgente. O discurso mais contundente é de Cristovam Buarque, Senador pelo PDT, ( Partido Democrático Trabalhista), que foi candidato a presidente da República tendo como bandeira principal a defesa da Educação e teve no final pouco mais de 1% dos votos dos brasileiros. O senador defende altos salários para os educadores ( acima de nove mil reais), altos investimentos em Educação ( mais de 10% do PIB) e mudanças fortes no processo de gestão educacional. Entretanto, no discurso do Senador falta dizer ao eleitor no que de fato tais mudanças irá mudar a vida dos brasileiros, e mais ainda, que tipo de educação e sociedade teremos afinal. Torna pois, um discurso moralista abstrato.

O discurso do PT ( Partido dos Trabalhadores e seus aliados PSB ( Partido Socialista Brasileiro) PC do B ( Partido Comunista do Brasil) e PMDB ( Partido do Movimento democrático Brasileiro), de um lado, aparece como avançado, e de outro de um pragmatismo aterrorizador. As políticas públicas e de financiamento da Educação no Governo do PT e aliados transformou a educação em um negócio cujo o único enganado é o estudante, que cada dia mais deixa de receber aquilo que ele mais precisa – formação humana. As práticas e políticas transformaram a Educação em Serviço, conhecimento em mercadoria e professor em operário. O resultado desta combinação é o mercado e a sociedade estar recebendo profissionais medíocres e despreparados para qualquer tomada de atitude ou decisão.

Ninguém deve se assustar, no entanto, com o discurso dos conservadores, contra qualquer política de combate a desigualdade social (política de cotas, financiamento, educação pública de qualidade e gratuita), feito por autoridades do Democratas e outros partidos conservadores como Partido Progressistas e os liberais em geral. Estão na esfera deles compreender e desejar que o mundo seja e continue sendo desigual. O que assusta  é o PSDB ( Partido da Social Democracia do Brasil), que defende em seu estatuto uma maior equidade social se revirar em contradições nos discursos e nas práticas traindo seus próprios ideais de valorização do ser humano e da defesa da equidade social. Quem leu o artigo de Aécio Neves na Folha de São Paulo esta semana e não analisou a política implantada em Minas entenderia que o senador é oposição às políticas do Planalto, embora seja nos governos do PSDB, inclusive nas Minas Gerais de Aécio Neves onde a Educação como mercadoria foi levado ao paroxismo do absurdo. Controle de resultados, rebaixamento salarial da carreira do professorado, terceirização, política de ranqueamento, liberação de  número de alunos por sala, foram algumas das medidas que foram aplicadas e são ainda, em outros governos do PSDB. Tal política é desumana com o aluno, com os pais, e, com a sociedade, levando a todos a um nível intenso de ansiedade e contribuindo pouco para a formação humana por meio da educação.

No PPS   Partido Popular Socialista), temos defendido também que a educação é a chave que pode abrir as portas do novo século. No entanto, o que defendemos é que a educação seja colocada na esfera que lhe é própria – a esfera do Humano. A educação não pode ser vista como negócio, o conhecimento não pode ser visto como uma mercadoria qualquer, pois ambos, conhecimento e educação estão ligados a essência do Ser Humano.

Os países que são desenvolvidos e que não compreenderam tal verdade estão afundando em crises, que na verdade são provocadas e tem como pano de fundo a banalização do humano e a transformação do individuo em mercadoria. Por isso é que defendemos uma discussão profunda com a Sociedade sobre o papel do Estado e da Sociedade na construção de um projeto educacional onde a educação e o conhecimento sejam vistos como bens públicos e como tal, construir um forte controle social sobre os investimentos e gestão no campo da Educação. Isto significa rever as relações do Estado com as Instituições privadas de ensino que em sua maioria vê a Educação como negócio, o ensino como mercadoria e o professor como operário, e o aluno como um cliente bobo fácil de ser enganado. Na verdade tais instituições tem cada vez mais uma única preocupação, a de conseguir notas nas avaliações de controle para manter as permissões de vender os cursos.

Defendemos ainda, o aumento do investimento em Educação ( 10% do PIB), e uma política de valorização do professor, acompanhada de profundas mudanças no processo de gestão e nas relações entre escola, Universidade e sociedade construindo um processo de responsabilização que vá do aluno ao estado. Na resolução Nacional do PPS, os prefeitos eleitos pelo partido são conclamados a investir 30% da receita em Educação, lutar pela universalização da Educação infantil e erradicação do analfabetismo, por entender que este é o eixo de grande importância em qualquer política que se crê proporcionar um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Isto para nós, é um pouco do que significa colocar a educação no campo do especificamente humano.


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