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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A razão humana e o viver em paz em um mundo turbulento.

Uma das preocupações dos governos e dos governantes tem sido cada vez mais a busca de caminhos para se viver em paz. De outro lado, o mundo tem caminhado para um delírio cujos fundamentos é um desejo consumista inebriante que tem inflamado a todos e a todas em todos os cantos do planeta terra. Sendo assim, urge que reflitamos sobre como é possível vivermos em paz em um mundo cada vez mais turbulento e materialista.
Os antigos quando refletiam sobre a paz e sobre a guerra, quase sempre terminavam na conclusão de que a busca pela paz não se consegue nas relações entre as nações, sequer entre grupos dentro da mesma nação. Antes, a busca  só se tem sucesso quando o individuo se lança na jornada do auto-conhecimento. Milhares de anos depois o Oráculo de Delfos continua a prescrutar as consciências individuais com a velha pergunta - o que sou, de onde vim, pra onde vou.

Os cristãos, bem mais próximos de nós, e a quem somos tributários da maior influência religou o conhecimento de si a atribuição do temor a uma divindade. Do conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses, descemos a "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Na essência pouca coisa muda. O conhecimento da verdade não é possível quando não somos capazes de enfrentar aquilo que somos. A libertação proposta pela verdade cristã só é possível quando nos atemos não apenas ao conhecimento de nós mesmos, mas também, quando a partir dele nos libertamos dos antigos hábitos, costumes e crenças.

O pensamento Iluminista, de quem também é o tributo da constituição dos modelos das Instituições atuais, e, sobretudo, do modelo de democracia como o conhecemos levou as últimas consequências o uso da razão como instrumento de conhecimento das coisas e de nós mesmos. O movimento acontecido no entanto, não apenas colocou a razão no pedestal, como também, foi o responsável, segundo alguns para levá-la a um eclipse. As metanarrativas surgiram como uma espécie de savalguarda, barcos, nos quais seria possível nos salvar de nós mesmos. Materialismo Histórico, Fenomenologia, Positivismo, Existencialismo, e tantos outras, nas mais variáveis áreas do saber buscaram apontar caminhos para os males trazidos pelos excessos da razão.

Apesar do esforço de pensadores, administradores, homens de governo e todos aqueles que de alguma forma dá às massas o rumo a seguir em suas existências os valores do iluminismo se irradiaram das mais variadas formas. As instituições criadas não foram capazes de servir de anteparo, ao que parece, já imaginava os pensadores da época, seria os males advindos de tal evolução. O individualismo exarcebado, a competição desmedida, dentre outros males, em vez de serem contidos pela família, a escola, as universidades, o Estado, a Religião, os Sindicatos, Partidos Políticos, acabou foi por invadir cada uma destas Instituições. Parece que a memória humana esqueceu o verdadeiro significado pelo qual caminhamos uma tão longa jornada para tomar consciência de que a capacidade humana de pensar deve ser a grande defesa e confirmação de nossa existência.

Assistimos assim, aqueles que sobreviveram e os que vieram depois, um século vinte de guerras de destruição em massa. A primeira e a segunda guerra mundial, foram todas, por racionalidades distintas, fruto da ganância humana e da falta de percepção que o outro sou eu. Não percebemos que o cuidado do outro é o cuidado de nós mesmos. E, imaginamos que poderíamos viver melhor, bem melhor, se destruirmos o outro. Não é assim. A destruição do outro é, quase sempre, nossa própria destruição. Nada para compreender isso do que o pensador que creio melhor consegui demonstrar como nosso desejo de liberdade nos levou a uma vida vigiada, e como as instituições construídas pela razão nos levou a um tempo de ditadura sobre o Sujeito.  Foi também ele, Michel Foucault quem nos legou o pensamento da necessidade do retorno ao sujeito, da compreensão do que significa o cuidado de si nos dias atuais.

Eu acredito que, hoje, a busca pela paz passa pela necessidade de se compreender o que significa o cuidado de si. Não precisamos aprofundar na filosofia, apenas aprender como estamos no outro, como somos no outro, como vivemos e existimos por meio do outro. O aprendizado da compaixão e da solidariedade é um dos caminhos possíveis desta descoberta. Não vamos viver em paz quando nossos corações busca a destruição daqueles que por ter uma constituição humana como nós são capazes das mesmas coisas que nós. É um erro pensar que grandes realizações vão trazer à paz às nações. São os pequenos atos, as pequenas atitudes, na família, no trabalho, que na soma final define a paz que temos e aquilo que somos.

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