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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Qualidade do Ensino na FAFICH-Goiatuba - O absurdo da mentira engraçada

Com trinta e seis anos de idade, já vi e ouvi de tudo que é escabroso nesta vida. Leitor assíduo de livros, revistas, jornais, biografias, autobiografias, já li coisas que até fico pensando se eu sonhei que estava lendo ou se estava lendo mesmo. Algumas coisas que vi, ouvi ou li, nem for por minha vontade. Algumas chegaram até mim por acidente, outras, por insistência de amigos e correligionários. Três dias atrás fui colocado diante de algo que só agora consegui digerir para reportar ao assunto.

Todo mundo sabe que a educação brasileira tem problemas. Isso não é novidade. Todo mundo sabe que a educação em Goiás tem muitos problemas, isso também, não é nenhuma novidade. Eu, por exemplo, por carregar comigo a dificuldade de escrever bem na Língua Portuguesa, e cansado mais ainda, de ministrar aulas na Educação Superior para alunos com sérias dificuldades de ler e escrever, resolvi a 04 anos atrás criar este um blog, que ao passar do tempo se transformou neste blog aqui. Meu objetivo era ironizar meus alunos que não sabiam nem ler, nem escrever. Pensei escrever tudo de chofre, como dizia um velho mestre, ou seja, sem correção, sem nada. Eu simplesmente, sento e escrevo. Sequer retorno para ler o que escrevi.  Quando decidi realizar tal façanha pensei que iria receber um milhão de críticas, comentários, etc. Para minha surpresa, ninguém, mas ninguém notou que o meu blog era uma ironia ao fato de se falar e escrever tão mal na língua pátria. Resultado, o blog, se contados as mudanças, já foi lido por mais de cinco mil pessoas. Nesta versão atual, já está em quase  mil leitores e aumenta todos os dias.

Como se não bastasse meus colegas professores perceberem minha ironia, embora, perseguido constantemente e das mais variadas formas, tenho de conviver com discursos que chegam a serem engraçados de tão escabrosos que são. Nos últimos dias, um destes discursos chegou ao ápice da excelência em mentira engraçada. O acontecimento se deu na Faculdade de Goiatuba, onde sou professor Efetivo, já demitido duas vezes, unicamente por defender um ensino de qualidade. A principal acusação contra mim é que eu denigro a imagem da instituição. Na verdade sempre tentei esclarecer  colegas e alunos da necessidade de se ter um mínimo de preocupação com a qualidade do ensino ministrado.

Na última avaliação do MEC - Ministério da Educação, a Faculdade superou toda sua excelência costumeira. Conseguiu tirar uma nota menor que dois. Até ai, tudo bem, até meio normal. A maior nota no Estado foi quatro e por uma Universidade Federal. A questão é que nem mesmo a Federal foi a campo explicar o por que de tão baixa nota. Os professores e dirigentes de Goiatuba, julgando-se muito mais inteligentes resolveram em uma entrevista explicar por que a FESG/FAFICH não conseguiu tirar sequer dois.

Na entrevista, figurinhas carimbadas, meus perseguidores de quase dez anos. A minha surpresa é que eles se superaram. Eles resolveram explicar o fiasco afirmando que o problema da nota não é da faculdade, é do MEC que usa critérios políticos para avaliar as Instituições. O problema é que eu como professor da Instituição posso atestar que tem professores ali que tem dificuldade para ler, e não sabem escrever.  Como não pretendo aqui fazer nenhuma análise dos pontos positivos e negativos das avaliações feitas pelo MEC, apenas faço um desafio aos professores da FAFICH: Já que o problema é o MEC, por que não fazem eles mesmos uma avaliação dos alunos quanto a capacidade de ler e escrever? Melhor, tentem pedir a eles que leiam ou escreva sobre algo corriqueiro, senso comum ligado ao curso no qual estão em processo de conclusão.
Ora, se o problema for do MEC, será fácil identificar. Eu ainda duvido que o Problema seja do MEC. O problema real é que os professores não tem mais ensinado. A grande maioria dos docentes em Goiás, está fugindo da responsabilidade de oferecer ensino de qualidade por medo de perderem o emprego. Criou-se uma lógica absurda de que o aluno tem sempre razão, e, por vezes, temos de ficar ouvindo alunos quase analfabetos nos ensinar como ministrar aulas. A maioria dos professores para não perder o emprego "facilita" a vida dos alunos. Felizmente, o MEC parece não estar disposto a "facilitar" a vida de ninguém.

A entrevista dos dirigentes Educacionais de Goiatuba devem servir de alerta para os educadores goianos, mais ainda, para os alunos, consumidores de produtos ruim que está sendo vendido no mercado. É preciso rever o pensamento educacional goiano, é preciso rever a cultura que está instalada nas escolas e universidades sob pena de perdermos o bonde da história.

Obs. Tenho o áudio de toda entrevista para quem quiser ouvir os absurdos. Quem quiser mande o e-mail por comentário.

2 comentários:

  1. ailtonamericopt@hotmail.com

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  2. A nossa querida UEG, q vc já fez parte, ficou com os honrosos 2 pontos no IGC que vc citou. NO DM, foi enfatizado que o nobre reitor comentou que, por pouco, a nota não foi 3, um desempenho excelente!!!!!
    Costumo falar que em goiás (falo de onde conheço)a educação não é levada a sério pq nem o estado e seus administradores são sérios. Uma UEG que não valoriza os seus profissionais (não falo de aumento de salário, falo de reconhecimento de titulação, pois um concursado doutor recebe como mestre e um mestre recebe como especialista enquanto estiver no estágio probatório)e que não tem nem vontade política de aumentar a quantidades de DE, q tem um reitor que não é doutor (não desvalorizando as outras titulações, mas, afinal, estamos falando do mais alto cargo da instituição), não tem mt que se esperar.

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